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Hora da avaliação

Fim de ano, momento para reunir a equipe, pensar nos desafios coletivos e propor formas de superá-los

Catarina Iavelberg

Catarina Iavelberg. Foto: Marina PiedadeNosso Aluno

Catarina Iavelberg é especialista em Psicologia da Educação e escreve sobre orientação educacional.

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A proximidade do fim do ano representa, para as mais diferentes áreas, o momento de refletir sobre o ciclo percorrido e fazer projetos para o próximo. Na escola, não é diferente. O término do período letivo traz a oportunidade ao orientador educacional e a todo o grupo de gestão de fazer um levantamento das demandas coletivas, das metas educacionais e das ações necessárias para realizá-las no ano seguinte. O processo de avaliação institucional, quando bem realizado, permite elucidar os problemas da escola. E toda a comunidade é envolvida na busca de soluções.

Existem diversas maneiras de realizar esse trabalho. O número de participantes e a qualidade das relações interpessoais determinam as estratégias mais eficientes. Ele pode ser feito em diferentes espaços e por meios variados (em reuniões de equipe, via internet ou com o uso de questionários ou urnas, quando é preciso que todos se manifestem) e organizado por séries, ciclos ou segmentos. O essencial nessa ação é criar dispositivos para que todos - alunos, pais, professores, funcionários e gestores - sejam convidados a pensar nos desafios coletivos que a escola enfrenta e se responsabilizar pelas mudanças necessárias para superá-los.

Para que a avaliação seja bem-sucedida, é necessário, antes de tudo, focar apenas os assuntos e objetivos institucionais que dizem respeito a toda a comunidade e dividir o trabalho em duas etapas. A primeira delas envolve o levantamento das demandas, isto é, de tudo aquilo que o grupo identifica como sendo um problema que afeta a todos. Entre os desafios educacionais que exigem tratamento institucional, é comum aparecerem problemas relativos aos trabalhos em grupo dos alunos, ao conselho de classe, à alimentação, à indisciplina, ao bullying, ao uso da internet, à comunicação com os pais e ao sistema de avaliação.

Ilustração: Lavínia Carvalho
Ilustração: Lavínia Carvalho

Na segunda fase, faz-se uma análise dos assuntos que preocupam e elege-se pelo menos um grande tema que inclua a parte mais significativa das demandas. Como essa escolha não é fácil, sugiro escolher sempre aquele que mais afetou a aprendizagem durante o ano. Feito isso, os envolvidos precisam se debruçar sobre a questão para identificar formas de solucioná-la ou minimizá-la. Essas atividades demandam reflexões de duas ordens:

- A constatação do problema e o levantamento das origens e das consequências. Uma escola que, por exemplo, tenha definido como uma dificuldade institucional a baixa adesão dos alunos à realização das lições de casa pode começar a se perguntar por que e para quem isso é um problema. Como esse fenômeno se desenvolve ao longo da escolaridade? Quando os alunos deixam de fazer as tarefas? Há um período do ano de maior ou menor produtividade? Quais as intenções dos professores com as propostas das lições? Em que momento da rotina o docente anuncia os deveres para os alunos? Eles são retomados em sala de aula? Quais as intenções pedagógicas do professor com esses trabalhos? Qual o sentido que os alunos atribuem às atividades? Existe alguma regra para aplicar a quem faz e a quem não faz as lições? O que dizem os estudantes que realizam e os que não executam as tarefas? E os pais, o que pensam? Como participam?

- Definição das ações que visam solucionar a questão e a meta pretendida. Esclarecida a natureza do problema, começa a busca pelas formas de resolvê-lo. Ainda no exemplo das lições de casa, uma possibilidade é propor que elas se tornem um tema das reuniões pedagógicas. Nos encontros, gestores e professores têm oportunidade de investigar os diferentes modelos de tarefa para os alunos e trocar experiências de atividades que envolveram as turmas. Os gestores podem definir, por exemplo, os princípios que vão orientar a elaboração dos deveres de casa e como ele precisa ser problematizado em sala de aula. O tipo de controle sobre a quantidade e a qualidade dos conteúdos também entra na discussão desse fórum, assim como a relevância de atribuir nota a essas atividades.

Nessa dinâmica, a orientação educacional atua junto aos alunos, trazendo uma reflexão: esse o problema é pessoal ou coletivo? Os pais também devem ser envolvidos, pois podem ajudar na apresentação de soluções. Antes, porém - ainda no exemplo das tarefas de casa -, eles precisam ser ouvidos sobre as dificuldades em regular as atividades das crianças e trazer sugestões. Certa vez, uma mãe conseguiu que uma organização não-governamental, próxima à escola, montasse um espaço com recursos humanos e tecnológicos para que as crianças que não tinham acompanhamento em casa fizessem as lições na sede da instituição no período da tarde.

Definidas as intervenções, parte-se para a próxima etapa, que consiste em estabelecer coletivamente as metas, assim como os indicadores que apontarão se elas foram ou não alcançadas. Por fim, é importante estabelecer um prazo para que seja possível fazer a verificação do impacto das ações propostas inicialmente. Todo processo de avaliação coletivo é trabalhoso, conflituoso e exige tempo, disposição e muita reflexão. Porém, ao mesmo tempo, ele promete resultados bastante significativos para toda a escola, os alunos e a comunidade.

Catarina Iavelberg

É assessora psicoeducacional especializada em Psicologia da Educação.

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Publicado em GESTAO ESCOLAR, Edição 005, Dezembro 2009/Janeiro 2010.
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