Colocar a criança como protagonista pode fazer toda a diferença

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Colocar a criança na posição de responsável pelas próprias produções pode fazer toda a diferença (Foto: Shutterstock/JoHo)

Colocar a criança na posição de responsável pelas próprias produções pode fazer toda a diferença (Foto: Shutterstock/JoHo)

Uma professora da turma de 5 anos chegou toda animada para o encontro de formação e falou que gostaria de compartilhar com o grupo o motivo da felicidade. Eu já sabia do que se tratava e achei bom abrir um momento para o relato, pois poderia ser interessante para levantar a reflexão sobre os diferentes fatores que interferem na aprendizagem das crianças.

Transcrevo o que ela nos contou:

“Vocês se lembram de quantas vezes eu falei sobre minha preocupação com a aprendizagem do David e do Alessandro? Eles não se interessavam pelas atividades, sempre davam um jeitinho de não participar das situações de leitura, escrita e de contagem e das atividades do projeto de Arte. Os dois sempre queriam ficar no canto de faz de conta, brincar com os bonecos, ficar apenas sentados olhando e fazer alguma “arte” como sair de fininho para o parque ou se esconder atrás das estantes da sala. Por mais que eu propusesse atividades diferenciadas e ajustadas aos conhecimentos deles, nenhum dos dois se envolvia. Pois é… Quero contar que os dois estão muito diferentes e participam ativamente das propostas. Em duas semanas, o David, que usava apenas algumas letras para representar o nome dele, já consegue escrevê-lo perfeitamente e a cada dia vem me mostrar como já consegue localizar várias palavras nas listas que estão no mural da sala. O Alessandro, que se recusava a participar dos jogos que envolviam contagem, agora me pede para ficar o tempo todo na mesa de jogos matemáticos no momento do diversificado e também está muito interessado nas situações de escrita. Ambos estão contentes em participar das situações didáticas e avançando muito!”

Quando a professora terminou de falar, uma das colegas perguntou o que havia acontecido e se ela tinha feito algo diferente ou se, de tanto insistir em propor situações específicas, estava dando certo. A professora respondeu:

“Acredito que foi por conta da apresentação que fizemos para o dia da família na escola. Vocês se lembram de que ensaiei uma música com a turma e as crianças faziam de conta que eram integrantes de uma banda de rock? Tanto o David como o Alessandro foram os guitarristas e se sentiram muito especiais com essa escolha. Nos ensaios, já tinha ficado visível que eles estavam se esforçando para fazer tudo muito bem feito, pedindo ajuda para os pais para assistir shows de bandas reais na internet. No dia da apresentação, eles capricharam no visual e pareciam verdadeiros guitarristas! Os colegas acharam o máximo! Minha hipótese é que a melhoria da autoestima deles fez toda a diferença.  Eles se sentiram muito valorizados quando os colegas se orgulharam deles. Depois disso, também passaram a ficar mais interessados e motivados nas atividades de sala.”

O grupo fez vários comentários e a conversa girou em torno do quanto é importante as crianças participarem de projetos que tenham um produto final e que elas sejam responsáveis por ele, atuando como protagonistas. Durante o encontro de formação, surgiram outros exemplos de situações em que os pequenos passaram a interagir muito melhor com os objetos de conhecimento por conta de outros fatores.

Toda a reflexão foi bem significativa e o relato da professora nos propiciou a percepção de como podemos encontrar caminhos e encaminhamentos que fazem toda a diferença.

E você, já se surpreendeu com algum fato ou encaminhamento que mudou tudo no envolvimento das crianças com as situações didáticas? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


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Como lidar com as mudanças de professores durante o ano letivo?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Apesar das mudanças, o coordenador precisa manter a rotina e assegurar uma boa interação entre a equipe de trabalho. (Foto: Manuela Novais)

Apesar das mudanças, o coordenador precisa manter a rotina e assegurar uma boa interação entre a equipe de trabalho. (Foto: Manuela Novais)

Ter um corpo de professores assíduos é a melhor opção para garantir um bom desempenho dos alunos. No entanto, a rotatividade de docentes é um problema que enfrentamos no dia a dia, seja por conta de licenças, de troca de escola ou de mudanças de função. Isso acaba influenciando negativamente a aprendizagem das crianças, pois o docente que substitui pode ter dificuldades para criar um vínculo com os alunos e garantir de forma efetiva a continuidade do conteúdo.

Esses educadores que substituem geralmente estão divididos em dois perfis de profissionais: o professor novato na escola ou na série que irá assumir um lugar permanente, e o professor substituto, que assume em caráter emergencial o lugar de colegas que precisam faltar temporariamente. Essa é uma tarefa difícil, pois esse docente precisa continuar um trabalho de outro sabendo que ele irá voltar.

Apesar das mudanças, o coordenador precisa manter a rotina e assegurar uma boa interação entre a equipe de trabalho. Para lidar com esses novos professores, ele precisa ter um jogo de cintura para manter o nível de ensino e aprendizagem das turmas. Nessa situação, considero alguns cuidados importantes:

Para o professor novato

- Acolher o docente na equipe, apresentando-o para os colegas.

- Socializar o funcionamento da escola, compartilhando a rotina e as regras do estabelecimento. Esta parte pode ser feita junto com a equipe gestora.

- Apresentar a rotina de estudos e formação e incentivar a troca de experiências entre os docentes.

- Apresentar os materiais de planejamento, como projetos, sequências didáticas, planejamentos de aulas, cadernos e produções dos alunos, ambientes da sala de aula, dados das turmas e do desempenho dos alunos, índices de aprendizagem e portfólios.  Também é interessante pedir que ele compartilhe os materiais que já produziu, se houver.

- Organizar um momento de planejamento individual com o educador para que ele se familiarize com a organização e a concepção de ensino da instituição.

Para o professor substituto

- O coordenador deve ter a mesma consideração que tem com os demais com o docente que ficará na sala por um período menor. No entanto, o trabalho será focado na rotina da classe e nos conteúdos que serão tratados durante aquele período. É importante compartilhar os projetos que estão sendo realizados, os registros dos alunos e o planejamento do professor regente.

- Se for uma substituição emergencial e de poucos dias, uma das saídas é ter um banco de atividades preparadas para o substituto, garantindo a continuidade do ensino. Para isso, o coordenador precisa acompanhar o que está sendo trabalhado em cada sala.

- Apoiar o docente para que ele se sinta um profissional importante para a escola.

- Incluir o substituto nas formações e compartilhar os conteúdos das discussões.

Um bom resultado nesse processo irá depender do trabalho que o coordenador realiza e da relação que ele tem com os docentes. Lidar com a rotatividade e com as faltas eventuais fica muito mais fácil quando a equipe trabalha coletivamente e o coordenador acompanha de perto a rotina da sala de aula.

E vocês, como lidam com este tipo de situação?

Até a próxima semana!

Abraços,

Eduarda


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Antes que o semestre acabe, replaneje

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Antes do fim do semestre, retome com os professores tudo o que já foi feito e peça que eles socializem o andamento das situações didáticas (Foto: Gabriela Portilho)

Antes do fim do semestre, retome com os professores tudo o que já foi feito e peça que eles socializem o andamento das situações didáticas (Foto: Gabriela Portilho)

A rotina de sala de aula, o dia a dia na escola e as diferentes tarefas, tanto dos professores como dos coordenadores, nos impulsionam a realizar muitas atividades ao mesmo tempo. E, quando nos damos conta, o final do semestre já está bem próximo! Quantas vezes já não tivemos que deixar de efetuar algumas etapas de projetos e planos ou fazer tudo correndo, sem a qualidade ou a tranquilidade pretendida? Nesses momentos, o tempo e os imprevistos costumam ser os nossos maiores inimigos.

Como seria possível, então, assegurar os planejamentos e evitar atropelos?

Acredito que uma das ações que mais pode ajudar é garantir que o coordenador tenha um panorama do que está acontecendo em todas as turmas. Para mim, faz toda a diferença prever um momento coletivo antes do fim do semestre para retomar com os professores tudo o que já foi feito e socializar o andamento das situações didáticas e dos ajustes que foram necessários. Esse acompanhamento é uma ótima solução para um final de semestre tranquilo.

Como planejar esse encontro

A reunião com os professores pode acontecer com os grupos das diferentes faixas etárias separados, um a cada dia, ou com toda a equipe junta. A diferença entre cada opção é o tempo que o coordenador realmente poderá estar junto com os docentes. Eu, como coordenadora, quanto mais conheço meu grupo, mas sei identificar os pontos fortes e também os maiores desafios dos profissionais. Dessa forma, sei o quanto preciso intervir. Em alguns grupos, posso apenas prever tempo, pauta e espaço e, em outros, será mais pertinente estar junto o tempo todo para potencializar as discussões e, assim, efetivar os encaminhamentos.

A primeira medida é orientar os docentes a organizar um cronograma, marcando todos os eventos previstos (reunião de pais, fechamento de projetos, passeios ou alguma atividade extra) e contando quantos dias ainda faltam para o fim do semestre.

O próximo passo será adequar o planejamento de cada eixo, estimar quantos dias realmente se utiliza para cada atividade, elencar o que precisa acontecer e o que pode ser modificado ou até descartado. É muito melhor reestruturar um planejamento, deixando-o possível de acontecer, do que prever situações que, na verdade, não acontecerão com a tranquilidade e o tempo necessários.

Durante todo esse trabalho, é preciso que os professores tenham o protagonismo na tomada de decisões e na reorganização dos planejamentos. Só assim garantimos o envolvimento total no resultado esperado. O papel do coordenador é, então, dar sugestões, apontar caminhos e mediar as resoluções, sempre com o foco nas aprendizagens dos pequenos e na qualidade das intervenções pedagógicas.

E os seus planejamentos, estão ajustados ao tempo real que existe até o final do semestre?

Um abraço, Leninha


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Os alunos devem usar a calculadora em sala de aula?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A calculadora está a favor da aprendizagem quando permite que as crianças reflitam sobre o sistema de numeração e enriqueçam suas estratégias de cálculo. (Foto: Manuela Novais)

A calculadora está a favor da aprendizagem quando permite que as crianças reflitam sobre o sistema de numeração e enriqueçam suas estratégias de cálculo. (Foto: Manuela Novais)

Muitos pais e educadores acreditam que a calculadora não deve estar presente na sala de aula, pois consideram que seu uso impede que os alunos realizem as operações e desenvolvam suas competências e raciocínios próprios. Essas inquietações fazem sentido se, ao propor o uso do equipamento, o professor deixar de ensinar as estratégias de cálculo. Mas, claro, não é isso que queremos!

Nas aulas de Matemática, contamos com o apoio de várias ferramentas como recursos didáticos: a régua, o compasso, o transferidor, a trena, a fita métrica etc. Então, por que não a calculadora? Nas mãos dos nossos alunos, ela pode ser considerada um recurso a favor da aprendizagem, já que permite que as crianças, com base nos problemas propostos pelos docentes, reflitam sobre as regras do sistema de numeração, ampliem seus conhecimentos e enriqueçam suas estratégias de cálculo.

Como e quando usar a calculadora?

Para que a calculadora seja de fato incluída na sala de aula, é preciso planejamento. Certa ocasião, em um processo formativo em que discutíamos o uso desta ferramenta, solicitei aos docentes a elaboração de atividades para que os alunos refletissem sobre os procedimentos de cálculo. Uma das professoras selecionou um problema proposto no livro didático: a realização da operação 45×7, tendo a calculadora como apoio. A função dos estudantes era registrar todos os cálculos possíveis de serem realizados sem que apertassem a tecla 7. O foco, portanto, não era encontrar o resultado, mas as possibilidades existentes para a resolução do exercício.

Na aplicação em sala de aula, uma das resoluções sugeridas por uma aluna foi: “Primeiro, calculei o valor de 45×7 e deu 315. Comecei a fazer tentativas e troquei o 7 por 3 + 4 . Em seguida, multipliquei o 3 por 45, encontrando 135, e depois o 4 por 45, resultando em 180. Por fim, somei os resultados e cheguei a 315”. Neste caso, a reflexão da criança se baseou na propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição: 45x(3 + 4). A calculadora foi utilizada para confirmar procedimentos e o resultado da operação serviu para ratificar suas estratégias de cálculo. A estudante conseguiu recuperar seu pensamento e registrar as operações realizadas para chegar à resposta.

Para propor esse tipo de problema com o uso da calculadora, o docente precisa criar condições para que os alunos façam antecipações e registrem seus procedimentos. Por isso, é fundamental orientar claramente os alunos e pedir que eles expliquem os caminhos encontrados. O papel do professor é confrontar as soluções obtidas, mediar as reflexões e fazer com que todos avancem nos conceitos relacionados aos números e às operações.

Antes de tudo, é necessário estabelecer algumas regras para o trabalho:

- Apresentar as funções da calculadora para a turma. Uma maneira de fazer isso é propor atividades coletivas usando o instrumento.

- Organizar um local no armário para guardar as calculadoras em uma caixa. O acesso a elas deve ficar restrito às atividades propostas pelo docente até que os alunos adquiram autonomia para usá-las.

- Realizar pesquisas sobre a variedade de atividades em que a ferramenta pode ser utilizada.

- Informar as famílias sobre o uso do recurso em sala de aula e explicar de que forma ele será utilizado, evitando mal entendidos e interpretações equivocadas.

E vocês, coordenadores, já discutiram com seus professores sobre o uso da calculadora em sala de aula? Compartilhe!

Abraços,

Eduarda


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Sala dos professores: a organização determina a função do espaço

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Um espaço bem organizado e funcional interfere positivamente no trabalho que é realizado nele (Foto: Gabriela Portilho)

Um espaço bem organizado e funcional interfere positivamente no trabalho que é realizado nele (Foto: Gabriela Portilho)

A organização do espaço é determinante no uso que fazemos dele. Um ambiente pode, por exemplo, convidar à introspecção ou favorecer o intercâmbio entre as pessoas. Por isso, levantar essa discussão na escola é muito importante.

Há algum tempo, formei vários grupos de trabalho entre funcionários, professores e estagiários para repensar os diferentes ambientes da instituição. No início do ano letivo, havíamos passado por uma reforma e estava tudo fora de ordem.

Um dos grupos ficou responsável pela organização da sala dos professores, onde os profissionais se encontram para planejar as aulas e trocar experiências. Ele fez diversas intervenções muito interessantes que impactaram bastante no uso da sala ali em diante.

A transformação do ambiente

Primeiramente, os docentes tiraram tudo dos armários para verificar o que era utilizado de fato, o que poderia ser doado e o que deveria ser reciclado. Depois disso, os jogos e materiais como pinceis, fantoches e miniaturas foram classificados e organizados em caixas de plástico, madeira ou papelão e colocados de volta nos armários, de maneira que ficassem bem visíveis e com fácil acesso. Os livros de literatura infantil também foram identificados e postos em caixas sobre os armários, divididas por temas ou gêneros, como contos de fada, histórias sobre animais, poemas etc.

A grande mesa de trabalho foi trocada por três mesas menores. Separadas, elas poderiam ser usadas no momento de grupos de trabalho e, juntas, para uma reunião coletiva (veja nas fotos abaixo). Para finalizar, os professores reorganizaram o mural, deixando apenas os avisos que realmente eram necessários. O ambiente ficou mais alegre e agradável quando eles confeccionaram bordas coloridas para o mural e para o quadro branco e providenciaram dois vasinhos de flores da mesma cor.

Formação Professores março 2012 003Formação Professores março 2012 006

O resultado

Depois de todas essas mudanças, os professores passaram a utilizar muito mais os materiais e ampliaram o uso de diferentes livros, já que ficou muito mais fácil acessá-los e todos sabiam o que estava disponível no local. Certamente, foi após a reorganização que passamos a ter mais clareza de que a sala dos professores é um espaço pedagógico, de trabalho e de interação. Portanto, se queremos que esse ambiente interfira e apoie positivamente a prática do professor, precisamos configurá-lo para isso. Na edição de abril/maio da revista GESTÃO ESCOLAR (clique aqui para ver), vocês vão encontrar um vídeo que gravei ajudando uma escola nessa missão. Fui até a EMEI Professora Maria Eugenia Da Silva Ayello Faria e trabalhei junto com a diretora Kátia Miranda de Paula e a coordenadora Sandra Regina de Souza Braga. Fizemos várias mudanças interessantes por lá.

E na sua escola, a sala dos professores está sendo acolhedora e atendendo às necessidades do grupo?

Um abraço, Leninha Ruiz


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A observação de aula como estratégia de reflexão e planejamento

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A observação contribui com uma reflexão sobre a prática e favorece a busca por novas intervenções para a melhoria do ensino. (Foto: Manuela Novais)

A observação contribui com uma reflexão sobre a prática e favorece a busca por novas intervenções para a melhoria do ensino. (Foto: Manuela Novais)

O papel da coordenação pedagógica é melhorar a prática docente com base nas necessidades da equipe. Para identificá-las, o coordenador pode utilizar vários recursos, como o planejamento dos professores, as produções dos alunos e o resultado das avaliações. Entretanto, existe uma ferramenta que permite um conhecimento mais estreito dos problemas didáticos: a observação de sala de aula, que tem o objetivo de analisar as interações que são construídas entre o docente, os estudantes e os conteúdos trabalhados.

Porém, muitas vezes esse recurso é entendido como uma avaliação, e alguns docentes acreditam que a observação é feita para supervisionar seu trabalho e expor o que está errado na sua prática. Essa ideia está sendo reforçada por algumas escolas que passaram a filmar as aulas, como mostrou uma matéria do Jornal O Globo. Apesar do intuito de melhorar o ensino, esse tipo de prática pode criar um clima de pressão e vigilância, então é bom ter cuidado.

O uso adequado depende da forma como a atividade é proposta e da relação que o coordenador tem com a equipe. Quando ele cria uma relação de parceria, o educador sente que essa ajuda é necessária e abre o espaço da sua sala. Portanto, em vez de fiscalizar, a observação precisa ter como metas:

- Acompanhar e auxiliar o educador na construção de conhecimentos didáticos, sugerindo encaminhamentos para resolver problemas;
- Favorecer a construção do conhecimento pelos alunos e professores;
- Tornar visíveis alguns conteúdos e atuações que ainda não são observados pelo docente.

Para tornar isso viável, considero três etapas importantes:

1) Antes da observação:

- Definir o foco do trabalho, que deve ser centrado em algum ponto específico que seja possível mudar. É importante que a observação não seja centrada na figura do professor, mas na aprendizagem dos alunos.
- Marcar a data e realizar o planejamento da atividade junto com o professor, garantindo que ele entenda por que motivo a aula será observada. Você pode organizar um roteiro compartilhado, o que vai favorecer um clima positivo durante a aula.

2) Durante a observação:

- Elaborar uma planilha ou documento para registrar as observações realizadas.
- Manter uma postura discreta, procurando não interferir na aula.

3) Depois da observação

- Analisar o material e preparar um feedback. É preciso cuidado para que este momento não seja apenas informativo, mas também formativo. Uma dica é selecionar os trechos mais importantes e organizar tópicos para apresentar ao docente, levando-o a refletir sobre sua postura.
- Marcar a reunião de devolutiva com o professor. É interessante iniciar o encontro destacando aspectos positivos, para em seguida se fixar no que o professor precisa melhorar. Para este momento, sugiro realizar perguntas esclarecedoras, sem juízos de valor ou generalizações.  Alguns exemplos: “Por que o aluno estava sozinho em um determinado momento? Qual foi seu objetivo ao distribuir uma folha para cada dupla? O que você pretendia com esta estratégia? Que outra estratégia você poderia ter usado nesta situação? Qual intervenção poderia ter sido feita neste momento? O que você sugere para uma próxima atividade com este mesmo objetivo?”. Isso faz com que o docente tente refletir sozinho sobre suas ações, sem a necessidade de intervenções constantes do coordenador.
- Registrar as reflexões e dar uma cópia para o professor para que ele utilize as ações pautadas na prática.

No contexto pedagógico, a observação é uma excelente estratégia na formação dos professores, já que contribui com uma reflexão sobre a prática e favorece a busca por novas intervenções para a melhoria do ensino.

E vocês, como observam o que acontece na sala de aula?

Abraços, Eduarda


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Na hora da história, vamos trocar de sala?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Pensar em atividades diferentes das cotidianas pode ganhar a atenção das criança e motivar os professores (Foto: Gabriela Portilho)

Pensar em atividades diferentes das cotidianas pode ganhar a atenção das crianças e motivar os professores (Foto: Gabriela Portilho)

“Brincar e ouvir histórias são momentos que devem acontecer diariamente na Educação Infantil, desde os grupos de bebês de poucos meses.”

É difícil encontrar alguém que discorde dessa afirmação. A questão que se discute é como fazer isso. Alguns professores são extremamente criativos e, com um simples objeto, como um fantoche no papel do narrador, por exemplo, envolvem os pequenos no clima da história. Outros se preocupam mais com a variedade de tipos de texto; e alguns até a se fantasiam de algum personagem.

Foi observando essa riqueza e querendo dar um gás em algumas turmas que levei uma proposta para os professores. A ideia era bem simples: fazer um rodízio semanal de contação de histórias. Para isso, os docentes deveriam planejar como contar uma história de maneira mais elaborada, utilizando fantoches, bonecos ou outro recurso que criasse um clima diferente que o do dia a dia. Às quartas-feiras, haveria um rodízio de salas entre os professores no momento da história – ao final de um tempo determinado, todas as crianças teriam ouvido as histórias de todos os docentes.

Como propus o planejamento coletivo

Agendei um encontro de formação e, para envolver os professores, combinei com uma das profissionais uma leitura dramatizada de um conto de assombração (clique aqui para vê-lo). Preparei o ambiente: fechei as janelas, apaguei as luzes e deixei apenas uma vela próxima a mim e a outra contadora. O resultado foi um sucesso! Ao longo da história, os docentes se assustaram diversas vezes e se divertiram com o impacto da narrativa e o efeito causado pela luz difusa das velas.

O intuito dessa dramatização foi servir de exemplo para o que eu gostaria de propor a eles. Apresentei a minha ideia e combinei que cada um dos presentes deveria pensar na elaboração da contação utilizando um elemento diferente e, se possível, fazer o relato de memória de contos e/ou histórias clássicas, uma vez que o comum do dia a dia era se apoiar em livros e imagens.

Os professores se empolgaram escolhendo as histórias e se organizaram para haver uma variedade. Um professor utilizaria objetos, como uma tesourinha para fazer um pássaro e chaves para imitar o som de um animal; outro docente utilizaria alguns chapéus; uma se vestiria de bruxa; outro profissional se propôs a usar fantoches.

Nas semanas que se seguiram, as crianças se deliciaram ouvindo essas histórias. Mesmo aquelas que já eram conhecidas foram bem recebidas, porque tinham o diferencial de serem contadas por outra professora que não a da turma e de uma maneira bem elaborada.

Vocês perceberam? Pensar em intervenções pontuais pode fazer uma baita diferença na escola! Dessa maneira, os pequenos ganham e os professores se sentem mais motivados e ampliam seu repertório de boas situações didáticas.

Compartilhe conosco alguma proposta diferenciada para o momento de história que já tenha ocorrido na sua escola!

Um abraço, Leninha


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Interação entre pares na resolução de problemas

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A interação contempla três atividades complementares: o trabalho individual, o trabalho em pequenos grupos e o momento coletivo. (Foto: Shutterstock)

A interação contempla três atividades complementares: o trabalho individual, o trabalho em pequenos grupos e o momento coletivo. (Foto: Shutterstock)

O ensino tradicional de Matemática costuma ser feito com base em definições, exemplos e exercícios de fixação, em que o aluno deve saber reproduzir o que foi ensinado. No entanto, esse processo trata os problemas como se existisse apenas uma resposta correta e não garante que o estudante realmente aprenda o conteúdo.

Em uma visão mais recente, o que se busca do aluno não é repetir ou refazer exercícios, mas ressignificá-los em situações novas e criar seus próprios conceitos e estratégias. Considera-se que o problema pode ser resolvido de várias maneiras igualmente válidas, e que a resposta deve ser definida em uma parceria entre o educador e os alunos. Nessa perspectiva, a criança é considerada agente da construção do conhecimento, levando em conta a bagagem que ela já possui.

Para colocar essas ideias em prática, uma das estratégias utilizadas é a interação entre pares. Ela contempla três atividades interligadas e complementares: o trabalho individual, o trabalho em pequenos grupos e o momento coletivo.

Em certa ocasião, ao refletir sobre essa questão com uma professora do 5º ano, resolvemos verificar o que os alunos sabiam e como refletiam sobre a divisão exata, considerando dois algarismos no divisor. Elaboramos, então, a seguinte situação-problema para ser aplicada com a turma: Kátia faz salgados para vender. Um dia, ela recebeu uma encomenda de 750 salgados para uma festa de aniversário. Ao terminar de fazer os salgados, ela os organizou em caixas onde cabiam 25 salgados cada. Quantas caixas ela utilizou para empacotar todos os salgados?

A primeira etapa de trabalho foi individual: cada aluno tentou resolver o problema sozinho, enquanto a professora circulou entre as crianças observando as estratégias que utilizavam. Resolver individualmente o problema é extremamente importante, pois considera os alunos como sujeitos que pensam, possuem ideias próprias e precisam explorar e registrar seus pensamentos no papel. Caso haja algum aluno que não consiga desenvolver a atividade, o docente pode fazer intervenções, oferecendo dados e informações que o ajude a pensar.

A segunda etapa foi organizar pequenos grupos (duplas ou trios) para compartilhar as estratégias que cada um havia utilizado. Esse momento garante que os estudantes interajam entre si, expliquem como pensaram, certifiquem se o resultado está ou não correto, analisem a estratégia do colega e argumentem sobre as diferentes hipóteses. Nesse momento, a educadora também observou os grupos e ajudou os alunos a refletir sobre a estratégia do outro.

Para finalizar a atividade, foi proposto um momento coletivo de socialização das aprendizagens dos grupos, promovendo um intercâmbio de ideias. Isso fez com que a turma percebesse que um problema pode ser resolvido de várias maneiras, e também que identificasse e discutisse sobre as incorretas. Nessa fase, cabe ao professor organizar a situação para garantir a participação de todos e promover uma troca de saberes.

Após a finalização, as estratégias podem ser registradas em cartazes, que servirão de apoio para a resolução de novos problemas. Além de desenvolverem laços afetivos entre as crianças, as diferentes formas de organização da sala oferecem novas possibilidades de aprendizagem aos alunos.

E vocês, como organizam as salas para trabalhar com a resolução de problemas? Compartilhe suas ideias!

Abraços,

Eduarda


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Será que cabe à escola comemorar o Dia das Mães?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Vamos ampliar a reflexão sobre a comemoração ou não dessa data? Quais são seus argumentos? (Foto: Shutterstock)

Vamos ampliar a reflexão sobre a comemoração ou não dessa data? Quais são seus argumentos? (Foto: Shutterstock)

O Dia das Mães está chegando… Essa data é uma das mais tradicionais e também uma das mais polêmicas. Há quem a ache muito adequada para valorizar o papel da mãe. Por outro lado, algumas pessoas vêm na comemoração um apelo comercial, com muita ênfase no consumismo.

E na escola, é pertinente haver uma comemoração desse dia? É papel da instituição ou essa é uma data restrita ao âmbito familiar?

Na Educação Infantil, mais do que nas outras etapas da Educação Básica, é muito comum haver um planejamento específico para o Dia das Mães. Os argumentos a favor mais comuns são de que ele é uma tradição, uma oportunidade de trazer a família para a escola e de demonstrar que a data não é puramente comercial e uma abertura para elaborar um projeto de sarau de poesias ou de confecção de lembranças com participação ativa das crianças.

Por outro lado, os educadores que são contra a comemoração argumentam que datas festivas como a Páscoa, o Dia das Mães ou dos Pais e o Natal dependem da concepção e das crenças de cada família e que a escola precisa ter clareza qual é o seu papel, que é o de assegurar as aprendizagens. Além disso, essas comemorações incentivam o consumismo.

Pois é… São muitos os argumentos de ambos os lados e debatê-los é bem interessante. Por isso, gostaria de deixar algumas questões para refletirmos juntos. As famílias possuem diferentes configurações e não seguem, necessariamente, a fórmula mãe, pai e filhos. Então, qual o sentido de persistir no estereótipo? Querer que a família participe da escola é uma preocupação constante. Valorizar o Dia das Mães, convidando-as para um evento, seria uma boa oportunidade para isso?  Será que estamos propiciando situações de aprendizagens para os pequenos quando fazemos uma festa para homenagear as mães? E por último, o trabalho e o custo de organizar um evento assim vale a pena, se nosso foco são as situações didáticas onde as crianças são as protagonistas?

Como todos os outros temas, este também merece reflexão, atualização e, acima de tudo, discussão coletiva. Conhecer a realidade das turmas da escola em que você trabalha te ajudará a encontrar a melhor maneira de conduzir a proposta para essa e outras datas e, principalmente, a fazer uma educação pautada num planejamento coerente.

Que tal a gente sair do automático e ampliar essa reflexão? Que linha você pretende seguir para esta data? Aguardo sua opinião!

Um abraço, Leninha


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Qual a diferença entre problema e exercício?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
No processo de ensino-aprendizagem da Matemática, a melhor opção é propor atividades em que os alunos precisam desenvolver estratégias. (Foto: Manuela Novais)

Nos processos de ensino e aprendizagem da Matemática, a melhor opção é propor atividades em que os alunos precisam desenvolver estratégias. (Foto: Manuela Novais)

A resolução de problemas no ensino de Matemática vem sendo muito discutida ao longo dos últimos anos. Na busca por soluções, os alunos aprendem a montar estratégias, a raciocinar logicamente e a comparar o que fizeram com o que foi feito pelos colegas de classe. Eles também têm a oportunidade de construir aprendizagens significativas, além de argumentar, criticar, interagir e compartilhar ideias, estratégias, raciocínios e pensamentos matemáticos com a turma e o professor.

No entanto, muitas vezes os professores de Educação Básica utilizam os problemas apenas para que os alunos apliquem conhecimentos adquiridos anteriormente. Assim, eles servem para avaliar se o estudante é capaz de empregar um conceito, procedimento ou técnica que foi ensinado.

Isso pode realmente ser considerado um problema? Ou seria apenas um exercício? Essas duas palavras são utilizadas frequentemente como sendo equivalentes, o que não é verdade. Ao perceber a dificuldade da equipe em distinguir os conceitos, elaborei um plano de formação com os professores do 4º e 5º anos. O objetivo era que eles compreendessem essa diferença e desenvolvessem metodologias de resolução de problemas em sala de aula.

Na primeira reunião, apresentei várias questões matemáticas retiradas de livros didáticos. Pedi que eles pensassem como seus alunos, e, assim, identificassem quais poderiam ser resolvidas com facilidade e quais precisariam mobilizar outros conhecimentos. Em seguida, selecionamos algumas que seriam aplicadas em sala. Depois, voltamos a refletir sobre os procedimentos de resolução utilizados pelos estudantes. Os docentes perceberam que algumas foram resolvidas rapidamente aplicando o algoritmo já conhecido, enquanto outras foram solucionadas com diferentes estratégias. Após essa análise, chegamos à conclusão que poderíamos classificá-las em exercícios e em problemas, como explicado a seguir:

Exercício é uma atividade que conduz o aluno a utilizar um conhecimento matemático já aprendido, como a aplicação de algum algoritmo ou fórmula. Ele se sustenta em um procedimento padrão, em que o estudante tem certo domínio para a obtenção do resultado ou tem memorizado o mecanismo resolutivo. Geralmente, a criança ou jovem não precisa decidir sobre o procedimento a utilizar, mas aplicar uma fórmula. Portanto, serve para consolidar e automatizar técnicas, habilidades e procedimentos.

Os problemas exigem reflexão, questionamentos e tomadas de decisão. Trata-se de uma situação na qual se procura algo desconhecido e o aluno não tem nenhum algoritmo prévio que garanta a sua resolução. Por isso, a atividade propõe uma invenção ou criação significativa do estudante, que deve construir uma solução, explicando o que pensou. Isso envolve algumas etapas: a compreensão do problema, a criação de uma estratégia de resolução, a execução desta estratégia e a revisão da solução.

Nos processos de ensino e aprendizagem, a melhor opção é aquela em que conceitos, ideias e métodos matemáticos são abordados mediante a exploração de problemas, ou seja, situações em que os alunos precisam desenvolver estratégias. Vale ressaltar que o que é um problema para um estudante pode não ser para outro, em função do seu nível de desenvolvimento intelectual e dos conhecimentos de que dispõe.

Trabalhar a Matemática com esse tipo de atividade requer tempo e um bom planejamento, com situações próximas à realidade do aluno e temas motivadores. Também é preciso garantir que, durante a realização, a criança ou o jovem saiba como se comunicar, expor seus pensamentos e estratégias, argumentar, refletir, escrever e registrar seus raciocínios.

E vocês, já refletiram sobre a resolução de problemas com seus professores?

Abraços,

Eduarda


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