Como colaborar com a preparação da sondagem na alfabetização

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Um diagnóstico preciso sobre as hipóteses de escrita dos alunos é fundamental para ajustar o planejamento às necessidades de cada um. Foto: Manuela Novais

A primeira tarefa que um professor alfabetizador precisa cumprir, nos primeiros contatos com a turma, é a chamada sondagem inicial. Esse instrumento permite identificar o que cada criança sabe sobre o sistema de escrita e, com base nisso, adequar o planejamento das aulas às necessidades de aprendizagem. A sondagem propicia um acompanhamento próximo dos avanços na aquisição de conhecimento e é o primeiro momento de parceria entre o docente e os alunos. Além disso, proporciona à turma uma oportunidade de refletir sobre aquilo que escreve.

Em geral, a sondagem ocorre por meio de uma atividade simples: o professor solicita que o estudante escreva algumas palavras, em forma de lista, do mesmo campo semântico. Durante a aplicação da atividade, o docente observa como a criança escreve e lê o que escreve. Assim, é possível descobrir em qual hipótese de escrita o aluno se encontra.

De posse dos resultados, professor e coordenador precisam analisar os dados e, se necessário, revisar metas e expectativas de aprendizagem. Mas o papel do coordenador não se restringe ao momento posterior à sondagem. Ele precisa garantir que a equipe esteja bem preparada para dar conta dessa importante etapa inicial. Por isso, creio que alguns pontos são essenciais.

Em primeiro lugar, você, coordenador, deve identificar quantos professores conhecem os métodos de sondagem inicial. É importante saber se há docentes que ainda não se apropriaram dos instrumentos de avaliação diagnóstica e listar as dúvidas deles para saber quais conteúdos precisam ser retomados na formação. Com base nessas informações, é possível:

  • Observar aulas e selecionar bons trechos para tematização;
  • Debater com os professores os modelos de atividades diagnósticas existentes;
  • Organizar uma reunião em que todos possam analisar produções de alunos e assistir a vídeos de sondagens realizados com crianças em diferentes hipóteses de escrita;
  • Planejar coletivamente uma boa sondagem, definindo critérios para a seleção das palavras que serão ditadas;
  • Identificar que tipos de intervenção podem ser realizadas e quais não contribuem para que os alunos avancem na escrita;
  • Tabular os dados sobre cada criança, pois o registro criterioso ajuda os docentes e familiares a compreender o desenvolvimento da criança.

Outra sugestão é construir com o corpo docente um guia com orientações sobre como organizar uma boa situação diagnóstica. Este pode ser um bom produto final do processo formativo que vocês desenvolverão em conjunto.

E você, como orienta e organiza diagnósticos nesta fase inicial do ano letivo?

Um abraço!

Eduarda


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Espaços planejados impactam na aprendizagem das crianças

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Criança brinca de caixa na EMEI Maria Alice Pasquarelli, em São José dos Campos, em SP.

A organização dos ambientes numa escola de Educação Infantil releva a concepção pedagógica da instituição. Os cantinhos, por exemplo, devem apresentar propostas variadas (Foto: Gabriela Portilho)

Quando pensamos sobre os ambientes que os pequenos vão brincar e conviver na Educação Infantil, estamos planejando e definindo as possibilidades de interação e aprendizagem que eles terão.  De acordo com a organização do local, os convidamos e os incentivamos a agir com maior ou menor autonomia, a se agrupar ou não, a escolher essa ou aquela atividade, a se aconchegar para ouvir uma história ou a correr e pular com segurança.

Portanto, organizar e planejar os espaços e os materiais nas salas onde as crianças permanecerão por três, quatro ou sete horas é dar a elas a possibilidade de construir muitos conhecimentos, experimentar e partilhar novas experiências.

Então, faz todo o sentido a coordenação pedagógica propor essa reflexão com os professores, não é mesmo? Por isso, sugiro que os profissionais sejam convidados a pensar coletivamente na disposição física das salas como uma importante intervenção pedagógica.

É preciso assegurar tempo na rotina e o mínimo de materiais (prateleiras adequadas, jogos, livros, potes, caixas e papéis, plástico transparente), para trocar ideias e colocar a mão na massa!

Abaixo, apresento algumas orientações que podem ser discutidas nesse momento de planejar a organização das salas de aula.

  • Delimitar a sala com estantes ou móveis baixos, com o objetivo de criar cantos acolhedores e de fácil acesso para as crianças. Ao mesmo tempo, o adulto tem a possibilidade de ter uma visão geral de tudo o que a turma está fazendo.
  • Os cantos devem evidenciar propostas interessantes, como folhear livros, brincar com jogos (de encaixe, de empilhar e de montar), fazer atividades artísticas (pintar, modelar, desenhar e colar), experimentar diferentes movimentos corporais (em tatames para deitar e rolar, em caixas grandes e tendas para entrar, em piscina de bolinhas etc.).
  • O quadro, os murais e qualquer material que será disponibilizado para as crianças deve estar em um móvel com altura adequada à faixa etária.
  • No canto de faz de conta, é interessante dispor objetos e brinquedos que sugiram um tema, como cozinha, garagem, mercadinho, entre outros. O legal é ter pelo menos dois cantos simbólicos, se o espaço permitir, cada um com uma proposta diferente, para que os pequenos tenham mais de uma opção na hora de escolher. Os acessórios podem ser confeccionados pelos educadores, comprados pela escola ou obtidos por meio de campanha com os familiares.
  • Não utilize estereótipos desnecessários, como colocar florezinhas e carinhas na decoração de tudo. Isso só polui visualmente o ambiente. É mais interessante valorizar as produções dos pequenos, colocando-as nos murais.  Mantenha um ambiente clean, apenas com móveis que são necessários para o desenvolvimento das atividades. Menos significa mais espaço para o vai e vem das crianças.

Lembrem-se de que preparar cuidadosamente os diferentes espaços da escola é uma ação contínua, com a ajuda e sugestões das crianças, além do olhar atento do professor para avaliar o que está bom e o que pode ser melhorado.

Cabe ao diretor se responsabilizar pelas áreas comuns (corredores, pátios, refeitórios etc.), inclusive efetuando formações conjuntas entre funcionários e educadores para refletir sobre melhorias nesses espaços. Ao coordenador pedagógico, cabe responsabilizar-se em subsidiar os professores em relação às salas de aula ou outros espaços de atuação exclusiva desses profissionais, como sala de artes, biblioteca etc.

E na escola em que você trabalha, o espaço está revelando a concepção pedagógica da equipe?

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Vai ter aula no sábado. E agora?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Atividades diferenciadas e articuladas com o currículo, como rodas de leitura e brincadeiras, podem estimular a participação no sábado. Foto: Manuela Novais

O período de aulas está prestes a começar! É hora de entrar de vez no ano escolar, já desconsiderando os muitos feriados e pontos facultativos – em 2016, pelo menos 11 cairão durante a semana.

Para dar conta de cumprir os 200 dias letivos previstos em lei, muitas redes optam por introduzir alguns sábados de presença obrigatória. Esta é sempre uma das primeiras preocupações da equipe na hora de discutir o calendário, até porque – sejamos sinceros – ter que trabalhar e estudar em um dia normalmente dedicado ao descanso e a poucas obrigações é um tanto desmotivador. Muitas instituições optam por organizar esses sábados como um dia normal, com as atividades habituais. O resultado é que muitas alunos não comparecem e o esforço torna-se pouco produtivo.

Então, como o coordenador pedagógico pode lidar com isso? Talvez a solução seja repensar o tipo de atividade para os sábados letivos, envolvendo não somente o corpo docente, mas também pais e parceiros da escola na elaboração do planejamento.

Para estimular ainda mais a participação dos alunos, vale contar com a ajuda dos responsáveis, informando-os sobre as datas com antecedência, as expectativas de aprendizagem, e envolvendo-os no desenvolvimento das atividades.

O ideal é propor algo que complemente a formação dos estudantes. Tendo essa premissa, jogos, feiras e exposição de projetos, excursões, oficinas e apresentações artísticas são só alguns bons exemplos de como é possível usar o sábado de maneira mais atraente.

É importante ressaltar que essas propostas devem estar sempre em sintonia com os conteúdos do currículo. Pode-se organizar cada sábado letivo voltado para uma área diferente: um pode se voltar mais para Matemática e Ciências, outro ligado a Língua Portuguesa e literatura, e assim por diante.

Outra tarefa da qual o coordenador não pode abrir mão é a de documentar o que for feito, do planejamento à execução. Isso permite dar um retorno à comunidade escolar sobre os resultados alcançados.

Com essas medidas, alunos, professores e famílias se sentirão mais envolvidos e motivados a investir na escola um tempo que seria de folga. Todo esse esforço certamente resultará em momentos prazerosos e relevantes para todos.

E você, coordenador, já fez alguma experiência como essa?

Abraços e bom inicio de ano letivo!

Eduarda.


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Um plano de ação para a adaptação das crianças

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Crianças chegam à EMEF Maria Alice Pasquarelli

O início do ano costuma ser agitado na escola até as crianças se adaptarem ao ambiente e aos profissionais. Por isso, planeje o período com muito cuidado (Foto: Gabriela Portilho)

Durante alguns anos, atuei como professora de turmas de 2 e 3 anos. E, sinceramente, a cada início de ano, eu não via a hora de chegar o mês de março para que todas as crianças viessem tranquilas para a escola, sem choros e sem pais angustiados por deixá-las lá. Sempre achei esse período de adaptação muito difícil. Mas, hoje, me parece que ele é ainda mais, pois as famílias não querem que os filhos tenham frustrações e encaram o choro dos pequenos como um momento de muito sofrimento. De fato, até pode ser sofrível para alguns no início, mas é só até perceberem o quanto é gostoso estar num ambiente totalmente preparado para eles, com muitas possibilidades de brincar e interagir com os colegas. Em outros casos, a dificuldade está nos próprios familiares. Quantas vezes já vi a criança ficar bem e a mãe chorar por que ele nem se importou com ela? Inúmeras!

Para que situações como essa não aconteçam ou aconteçam com pouca frequência, o período de adaptação requer um planejamento bastante cuidadoso, que inclui uma reunião de pais para esclarecer os pormenores das ações elaboradas. Para ajudá-los, elaborei alguns objetivos para o coordenador pedagógico e o diretor. São eles:

  • Estar disponível nos primeiros dias para orientar, conversar e acolher as famílias e auxiliar os professores durante todo o período de aula.
  • Auxiliar os professores na elaboração do planejamento da adaptação, que, geralmente, prevê de duas a quatro semanas bem diferenciadas.
  • Agendar uma reunião com os pais para contar a eles como foi pensado esse momento dos pequenos e quais são os limites que eles devem respeitar. Clique aqui para ver um documento que pode ajudá-lo.
  • Orientar os funcionários a respeito da especificidade do momento, do porquê de alguns pais permanecerem na escola e como eles podem ajudar conforme sua área de atuação. Explicitar também que esse período costuma ser mais agitado.
  • Tematizar com professores e demais profissionais que atuarão diretamente com as crianças os desafios dessa etapa, os procedimentos mais adequados para lidar com o choro, a birra e a insegurança dos pequenos e dos pais.

Os professores também têm metas específicas nesse processo:

  • Preparar a sala de forma acolhedora, com cantos definidos e diversas atividades interessantes que considerem o grupo de crianças com o qual vai atuar.
  • Acolher os pequenos com carinho, paciência e atenção.
  • Observar cada criança individualmente, olhando para suas necessidades, dificuldades, angústias e respeitando seu ritmo.
  • Ser atencioso e acolhedor com as famílias, compreendendo que é um momento bem difícil e de muita angústia para muitas delas.
  • Fazer o registro das observações sobre cada criança. Só assim será possível refletir e entender o processo de adaptação, ajustar o planejamento e qualificar a atuação.

Acredito que um bom planejamento e muita reflexão coletiva podem facilitar muito o processo de adaptação de todos. Mãos à obra! E na sua escola, esse período também é cuidadosamente planejado? Um abraço, Leninha


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Para criar uma escola leitora, é preciso formar professores leitores

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

 

Professores que cultivam o hábito e o prazer da leitura se tornam mais capazes de despertar a mesma motivação nas crianças. Foto: Manuela Novais

Não há como negar: ser um leitor assíduo é fundamental para adquirir conhecimento e, assim, compreender mais profundamente o mundo que nos cerca. Quem pratica a leitura exercita o raciocínio e a visão crítica, modifica seu modo de pensar, agir e falar. E o papel da escola é ajudar os alunos, desde cedo, a desenvolver a competência leitora e o gosto por essa atividade.

O professor precisa estar bem preparado não apenas para ensinar, mas para ser uma referência, transmitindo o entusiasmo e a força das experiências que possui como leitor. É neste ponto que entra o papel do coordenador, que deve incentivar e refletir com os docentes sobre as melhores práticas nessa área. Por isso, a questão foi uma das minhas primeiras preocupações ao elaborar o plano de formação.

Para diagnosticar o que os professores sabiam e qual era a relação deles com a leitura, resolvi fazer uma análise geral baseada na observação das classes. O resultado é que as atividades ficavam muito presas ao livro didático.

Comecei, então, a me questionar: do que os docentes precisam para ensinar a gostar de ler? Por que ficam presos aos livros didáticos se temos obras de todos os tipos aqui na escola? Com base nessas questões, elaborei uma atividade em que eles deveriam preparar uma aula pensando nas necessidades de seus alunos e apresentá-la aos colegas. Minha intenção era verificar os critérios que utilizavam para selecionar materiais apropriados para cada faixa etária. Também queria descobrir de que maneira esses textos seriam abordados.

Ao final do exercício, ficou claro que muitos priorizavam o livro didático por não saber escolher e apresentar adequadamente outros tipos de texto. Notei, ainda, que uma das razões desses problemas era a falta do hábito de ler. Aliás, boa parte da equipe demonstrava dificuldade em realizar até mesmo as leituras pedidas como tarefa da formação. O meu desafio, portanto, era incentivar os próprios professores a ser amantes da leitura.

Para isso, selecionei livros diversos e criei momentos para que o ato de ler fosse praticado significativa e prazerosamente. Fui à biblioteca da escola e escolhi obras de diferentes gêneros, úteis tanto para as aulas como para proveito pessoal.

Além de oferecer livros da própria escola, fizemos uma roda de empréstimo e apreciação: cada participante levava uma obra importante para ele e a apresentava a todos. Essa permanente circulação de textos seduziu os professores que, por sua vez, se tornaram mais capacitados para incentivar os alunos.

E você, o que pensa sobre o papel do coordenador como incentivador da leitura na escola? Compartilhe suas experiências com a gente!

Um abraço,

Eduarda


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Início de ano é sinônimo de planejamento

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A blogueira Leninha Ruiz faz reunão com diretora da escola (Foto: Gabriela Portilho)

A parceria com o diretor da escola é essencial na preparação do acolhimento dos professores e funcionários e na elaboração do projeto de formação (Foto: Gabriela Portilho)

Antecipar e planejar cuidadosamente cada ação com vistas a assegurar a qualidade do trabalho pedagógico deve ser o foco do coordenador logo nos primeiros dias do ano letivo. Como, em geral, temos pouquíssimos dias reservados para isso antes do início das aulas, é preciso colocar as mãos na massa agora mesmo!

E são quatro as principais atividades neste começo.

A primeira delas é planejar a reunião pedagógico-administrativa com o diretor. Isso significa que é hora de preparar uma acolhida para o grupo de professores e funcionários que retornarão ou iniciarão as atividades na escola. O desafio é envolver todos na revisão e atualização do projeto político-pedagógico.

Nessa primeira reunião, precisamos deixar claro para os novatos e relembrar os veteranos de alguns combinados, como o horário de funcionamento dos diferentes setores da instituição e a rotina de cada profissional. Afinal, é fundamental que todos saibam quando poderão recorrer aos funcionários da secretaria, em que dias e horários o diretor e o coordenador estão na unidade escolar ou em reunião na Secretaria de Educação e quando eles estão disponíveis para se reunir e atender os professores, por exemplo.

Além disso, é preciso dar orientações, preferencialmente por escrito, sobre diversos aspectos do cotidiano escolar, como as regras para o uso de celular, para o momento de entrada e saída das crianças, assim como para os horários de merenda, parque e outros. Vale também dar direções sobre como lidar com situações inesperadas, como falta de professor e acidentes com as crianças. Nesse caso, protocolos claros asseguram a qualidade na segurança e atendimento a todos.

Também é importante divulgar quais serão as pautas dos demais dias da semana pedagógica. Dessa forma, os professores se organizarão e trarão os materiais necessários para a elaboração dos planejamentos.

A segunda atividade que o coordenador deve se preocupar é a elaboração de um plano de ação para o período de acolhimento e adaptação das crianças. Nesse plano, é necessário explicitar o que cabe a cada setor da escola, de funcionários à equipe de direção. Ao coordenador, também cabe auxiliar os professores na preparação do plano de aula para esse período, que é muito delicado, pois impacta tanto no dia a dia da escola como no relacionamento com as famílias. O momento deve, portanto, favorecer a interação dos pequenos com o ambiente e com os novos colegas.

A terceira ação é planejar uma reunião com foco na organização das salas de aula. Na Educação Infantil, o arranjo de cada espaço e a disposição dos materiais é uma intervenção que define e explicita a concepção pedagógica de ensino e de aprendizagem da escola. Portanto, precisa haver uma formação sobre isso e o professor precisa ter tempo para realizar as mudanças.

A quarta e última atividade, que é de responsabilidade do coordenador, mas é bem mais bacana quando podemos contar com a parceria do diretor para definir o foco, é fazer um diagnóstico dos saberes dos professores para elaboração do projeto de formação. Será na leitura dos registros, dos planejamentos e, principalmente, dos acompanhamentos da prática de cada docente que o coordenador encontrará os indícios sobre quais devem ser os conteúdos e objetivos a ser perseguidos no projeto de formação com o grupo. Lembre-se de que é interessante uma ou duas metas bem claras a cada projeto.

Ao longo das semanas, vamos aprofundar a reflexão sobre os itens citados acima. Por enquanto, que tal compartilhar conosco quais são suas prioridades de início de ano?

Um abraço, Leninha


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Professores deixaram a equipe e os novatos chegaram. E agora?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Quando chegam novos professores à escola, o coordenador tem o papel de acolher e integrar toda a equipe. Foto: Manuela Novais

O início do ano letivo é sempre um momento desafiador para nós, coordenadores pedagógicos. E não são apenas as atividades corriqueiras desse período que nos ocupam. A gestão da equipe é uma das questões mais preocupantes, especialmente quando a saída de professores se torna numerosa e frequente.

Os fatores que podem influenciar um docente a mudar de escola são diversos: o salário, a localização, o perfil dela e os recursos oferecidos, o modelo de contratação (nem sempre estável), o relacionamento com os colegas, entre outros. Seja como for, essa é uma decisão muito pessoal, e ao gestor, muitas vezes, só resta respeitá-la e minimizar os impactos.

Aspectos como a formação continuada e o estabelecimento de vínculos entre o docente e os alunos são prejudicados quando há muitas trocas de profissionais. Para o coordenador, a movimentação excessiva pode causar um desânimo. É importante não esmorecer e tomar algumas medidas iniciais para estabelecer a parceria entre a coordenação e os docentes que chegam.

Abaixo, listo as ações que considero mais importantes para os primeiros encontros com o corpo docente:

  • Antes de qualquer coisa, o professor novato precisa ser apresentado aos futuros colegas, demais membros da equipe gestora e funcionários, para que se sinta acolhido.
  • A pauta dos primeiros encontros deve ser organizada de maneira que os novos profissionais possam interagir e tirar dúvidas sobre a organização. Deixe bem claro o perfil da instituição e as atividades que serão desenvolvidas no ano que se inicia. Exponha a metodologia de trabalho e as ações da coordenação e apresente um cronograma básico do primeiro bimestre.
  • É importante falar sobre o projeto político-pedagógico (PPP), explicitar os meios de formação continuada e as metas da instituição. Pode-se, ainda, designar um professor mais experiente, com mais tempo de casa, para cada novo contratado, a fim de auxiliar no processo de adaptação.
  • Também é oportuno explicitar as peculiaridades de cada turma que será assumida pelos novatos. O coordenador pode organizar previamente os dados básicos dos alunos em uma planilha com resultados alcançados, índices de aprendizagem e algumas necessidades. Em um segundo momento, em uma reunião individual, cabe detalhar melhor o perfil dos estudantes.
  • Promova, ainda, uma discussão ampla sobre as primeiras ações que todos devem realizar nas primeiras semanas de aula, como atividades diagnósticas.

E você, coordenador? Costuma considerar a chegada de novos membros na equipe na hora de dar os primeiros passos para o ano letivo?

Abraços,

Eduarda


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Assumindo a coordenação pedagógica numa nova escola

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Leninha Ruiz conversa com professoras em reunião (Foto: Gabriela Portilho)

O primeiro passo ao assumir a coordenação de uma nova escola é escutar atentamente o que a equipe tem a dizer sobre o trabalho e as expectativas (Foto: Gabriela Portilho)

Ano novo, energias renovadas e um desafio à frente: assumir o cargo de coordenador pedagógico pela primeira vez ou em outra escola.

Se for a primeira vez que o professor se propõe a ser o articulador do processo de ensino e de aprendizagem, ele certamente sabe que seu papel, de agora em diante, será prioritariamente junto aos profissionais que atuam com as crianças. E isso é bem diferente da sala de aula. Se a pessoa já é coordenadora, mas vai para outra escola, está ciente de que será um recomeço, pois cada grupo tem uma história própria e algumas particularidades. É sobre o último caso que focarei minha atenção.

Por onde começar

A primeira preocupação do coordenador pedagógico é ter clareza do seu trabalho na instituição e do que a rede de ensino espera dele. Sua principal função é ser responsável pela formação em serviço dos professores e, em conjunto com os docentes, pelo planejamento e execução de situações didáticas que sejam significativas para as crianças.

Mas como assumir essa responsabilidade e se tornar a referência para o grupo de professores da escola? Com certeza, não é só pela nomeação ao cargo, mas pelo trabalho diário. Essa conquista se inicia no primeiro dia, quando você se dirige aos docentes com o intuito de conhecê-los e compreender o funcionamento da escola e dos diferentes grupos que já existiam antes da sua chegada.

O passo inicial para se inserir nesse coletivo é observar e escutar atentamente o que ele tem a dizer, inclusive sobre as expectativas que ele tem em relação ao seu trabalho como coordenador pedagógico. Sugiro marcar uma reunião e pedir que cada dupla ou trio faça uma breve discussão a respeito do que espera para o ano e exponha para o grupo. No momento de socialização, registre tudo o que é dito na lousa e faça uma mediação, já explicitando ações que você tem a intenção de executar.

Mas lembre-se de que não podemos chegar querendo fazer mudanças ou impondo nosso jeito de fazer e de encaminhar as diferentes demandas porque algo nos parece ineficaz ou equivocado. É preciso ouvir e entender como e por que se tem feito dessa ou daquela maneira, parabenizar ações, propostas e atitudes e coletar dados para sugerir transformações.

Nos primeiros dias, também é preciso reservar momentos para ler os diversos documentos ligados ao fazer pedagógico, como os planejamentos do ano anterior e os registros das formações.  Ao conversar com outros profissionais com os quais vai atuar (diretor, outros coordenadores e orientador educacional), pergunte o que eles esperam da sua atuação e estabeleça parcerias, reconhecendo o trabalho de cada um individualmente e a importância de atuar em conjunto.

Por fim, depois de algumas semanas, quando você já estiver mais familiarizado com o grupo e vice-versa, será possível elencar duas ou, no máximo, três ações para aperfeiçoar ou transformar. Essas propostas poderão ser suas metas do ano.

No mais, estude, leia muito e converse com outros coordenadores para ter mais referências e aprender cada vez mais sobre o seu papel.

Desejo a vocês um ano de muita qualidade no trabalho pedagógico para que a aprendizagem das crianças seja uma constante!

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Em 2015, papel do coordenador na formação docente foi destaque

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Em 2015, a formação docente foi objeto de discussão em diversos posts da coordenadora Eduarda Mayrink. Foto: Manuela Novais

Ao fim de mais um período de muita troca de conhecimento sobre o trabalho do coordenador pedagógico, é hora de fazer um balanço do que de mais importante aconteceu em 2015 aqui, neste espaço. Às quintas-feiras, Eduarda Mayrink trouxe experiências pessoais e debateu questões e dilemas comuns ao cotidiano do coordenador, principalmente em relação à equipe docente.

E a formação do professor – principal função do coordenador – foi não só um dos temas mais abordados por Eduarda, como também o mais procurado pelos leitores. Dos cinco posts mais acessados em 2015, quatro deram destaque ao assunto.

Então, que tal aproveitar esse momento para revisitar esses textos e refrescar a memória para o ano que vem chegando? Abaixo, veja a lista completa:

5º O papel do coordenador no horário de trabalho pedagógico coletivo

O bom aproveitamento desse tempo depende muito da ação do gestor da equipe. Por isso, Eduarda recomenda a elaboração de um plano de formação claro e um empenho em motivar os professores a participar de cada atividade. O post pode ser lido aqui.

4º Como fazer a semana pedagógica em pouco tempo

Elencar as prioridades: essa é a chave para otimizar as discussões de início de ano quando se tem um prazo curto. Por isso, a coordenadora conta quais itens da pauta ela prioriza na hora de organizar as reuniões. Conheça a lista aqui.

3º Como fazer a reunião de pais se tornar um momento formativo

Eduarda incentivou os coordenadores a aproveitar melhor essas ocasiões e torná-las mais produtivas, tanto para as famílias quanto para os professores. Veja aqui.

2º A importância da avaliação diagnóstica inicial

Como verificar os conhecimentos que os estudantes já possuem no início do ano e construir o planejamento docente a partir deles? A coordenadora propôs a elaboração de um cronograma de ações pedagógicas para orientar as avaliações diagnósticas. Confira aqui.

1º Como diagnosticar o que os professores sabem sobre produção de texto?

O post mais acessado do ano tratou sobre um dos aprendizados mais importantes para os alunos. Eduarda mostrou que é possível organizar uma atividade formativa em sete passos que ajude a equipe a repensar suas práticas ao trabalhar produção de texto. Leia aqui.

Ufa! Em 2015, o que não faltou foi assunto. E em 2016, Eduarda Mayrink vem com muito mais.

Mas, por enquanto, aproveite bem as suas férias e tenha um feliz Ano Novo!


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Retrospectiva de 2015: dos pequenos aos professores, nada escapa ao coordenador pedagógico

| Educação Infantil - Leninha Ruiz

Neste ano, foram 47 textos escritos por Leninha Ruiz sobre a atuação do coordenador pedagógico dentro de uma instituição de Educação Infantil. Haja trabalho! Entre os assuntos discutidos, estão planejamento, avaliação, espaços, escrita, oralidade, formação e relacionamento entre os atores da escola.

Mas o que chamou mais atenção foi o texto sobre o que os pequenos devem aprender nessa etapa (clique aqui para ler), pois muitas pessoas ainda acham que a Educação Infantil não é um momento de aprendizagem. Leninha discorda dessa afirmação, expõe algumas convicções que tem sobre o assunto e faz uma lista das vivências que ela considera fundamentais nesse período da vida. E tudo é bem baseado na experiência que ela tem de muitos anos na área.

Em outro momento, a blogueira tocou num ponto que costuma gerar muita discussão: professores que não têm condições de ser responsáveis por uma turma (leia mais aqui). O que fazer nesses casos, quando o docente não qualificou o trabalho nem mesmo depois das intervenções do coordenador? O assunto resultou num debate entre os leitores, que contaram situações que enfrentaram nas escolas em que trabalham.

Se você quiser ler sobre o que mais ela escreveu, basta pesquisar no acervo do blog Coordenadoras em Ação. Está tudo disponível gratuitamente! E não deixe de acompanhar os textos de 2016. Mais desafios virão por aí!


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