A parceria entre coordenador e professor em aulas conjuntas

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A coordenadora deve ter o cuidado de se posicionar como uma parceira do professor desde o primeiro momento até a avaliação dos resultados.

A coordenadora deve ter o cuidado de se posicionar como uma parceira do professor desde o primeiro momento até a avaliação dos resultados. (Foto: Manuela Novais)

Já escrevi aqui no blog sobre como procuro ajudar os professores que têm alguma dificuldade para lecionar. Agora, quero focar uma estratégia específica que utilizo em situações como essa: a aula planejada e realizada conjuntamente. Antes de mais nada, vale dizer que isso pode ser realizado até com professores experientes. Nesses casos, a observação poderá contribuir para a ampliação do repertório de procedimentos utilizados por ele ou para ter uma maior compreensão sobre determinadas intervenções didáticas.

Tenho o cuidado de sempre me posicionar como uma parceira do professor desde o primeiro momento até a avaliação dos resultados. Sei que a simples observação da minha conduta não ensinará tudo o que é necessário. Afinal, competências profissionais não são construídas por imitação. Portanto, tomo alguns cuidados para que essa atividade seja bem-sucedida:

Preparação – Explico detalhadamente o que deve ser feito com antecedência, durante o planejamento da aula, realizado totalmente em parceria. Refletimos juntos sobre o tema, os objetivos, a forma como os alunos serão organizados, o desenvolvimento da atividade e as intervenções que deverão ser realizadas. Esse plano é feito na supervisão semanal antes do dia da aplicação.

Ser um exemplo – O coordenador deve servir de modelo para o professor. Por isso, tenho um cuidado extra com detalhes importantes como a definição do escopo da aula, a seleção do material, a escolha das estratégias e as ações realizadas em sala para ajudar os alunos a avançar em seus conhecimentos.

Observação e ação – O papel do professor durante a aula aplicada por mim não é só o de um mero expectador. Durante o planejamento, também combinamos o que cada um vai fazer na hora H. Procuro garantir que o docente tenha uma participação importante na atividade e experimente algumas das intervenções, aproveitando também para andar pela classe e ver coisas que normalmente não conseguiria verificar.

Avaliação – Uma das estratégias que utilizo para tematizar a atividade com o professor é a gravação em vídeo. Ao assistir a minha atuação posteriormente, podemos identificar as estratégias utilizadas, as reações dos alunos e as intervenções que poderiam ser modificadas (sim, porque mesmo com tanto planejamento nem sempre tudo dá certo como imaginamos).

Após todas essas ações, chega o momento do professor realizar novas atividades em sala e os papéis se invertem. Nessa hora, eu volto a ser observadora da aula dele. E continuamos parceiros, voltando ao tema em novas reuniões para sempre buscar avanços na prática de sala de aula.

E vocês, realizam parcerias assim com seus professores?

Até quinta-feira.

Abraços,

Eduarda


TAGS: , ,

Deixe um comentário

Apresentando a proposta pedagógica às famílias dos novos alunos

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Para esclarecer a proposta pedagógica e o funcionamento diário da instituição, é interessante reunir os responsáveis antes do início do ano letivo (Foto:  Gabriela Portilho)

Para esclarecer a proposta pedagógica e o funcionamento diário da instituição, é interessante reunir os responsáveis antes do início do ano letivo (Foto: Gabriela Portilho)

Nas redes públicas, é comum os familiares matricularem os filhos na instituição mais próxima de casa. Portanto, eles não optam necessariamente pela proposta pedagógica ou pelos espaços e serviços oferecidos, algo bastante comum no caso da rede particular. Por conta disso, pode acontecer de muitos pais terem uma ideia estereotipada do dia a dia da escola de Educação Infantil, vendo-a como um lugar que vai apenas cuidar dos pequenos. Além dessa visão equivocada, alguns familiares acreditam que os professores devem dar tarefas ou que as crianças podem entrar e sair no horário que quiserem.

Para esclarecer qual é o papel, a proposta pedagógica e o funcionamento diário da instituição, é interessante reunir os responsáveis após o fim do período de matrícula. A divulgação do encontro fica mais fácil se, no ato da matrícula, for entregue a todos um impresso com os dias e horários disponíveis para a reunião e qual será a pauta abordada. Dessa maneira, os responsáveis podem se organizar para participar de alguma delas.

Quando bem planejada, essa ação contribui muito no acolhimento e na construção de um relacionamento com as famílias, além de, é claro, ajudar na adaptação dos pequenos no início do próximo ano.

A pauta do encontro

O ideal é que a reunião de pais não ultrapasse uma hora de duração –  mais que isso fica cansativo e difícil, já que a maioria das famílias leva as crianças na reunião. Portanto, é preciso planejar e priorizar quais são os aspectos mais importantes a serem tratados naquele momento. Na escola onde eu trabalhava, por exemplo, já teve um ano que fez parte da pauta orientar a família a não comprar lancheira ou mochila. Os pais, muito empolgados, compravam bolsas enormes mesmo não havendo necessidade de as crianças levarem materiais ou trocas de roupa, já que elas permaneciam apenas meio período na escola.

Abaixo, listo alguns assuntos fundamentais, por ordem de prioridade:

  1. Apresentar a equipe da escola;
  2. Mostrar os diferentes espaços e as salas de aula, preferencialmente num dia de aula para que os pais vejam os professores e as crianças em ação;
  3. Explicitar qual será a rotina das crianças. Na escola que coordenei, fiz um vídeo de 10 minutos mostrando um dia de aula com cenas de diferentes momentos: a entrada dos pequenos, o momento do diversificado, as atividades coletivas, a merenda, o parque e a saída. Com um vídeo como esse, é possível esclarecer muitas coisas, inclusive que os alunos ficam muito felizes no novo ambiente, e, assim, diminuir grande parte da ansiedade dos pais de primeira viagem, que ficam muito inseguros em deixar os filhos na escola;
  4. Falar sobre o processo de adaptação, explicitando os cuidados e a experiência da escola, assim como orientar todos para esse período;
  5. Apresentar, rapidamente e com clareza, quais são os eixos de trabalho e os objetivos de cada um. Faz muita diferença as famílias conhecerem a proposta pedagógica e saber que o filho terá experiências e aprendizagens em Língua Oral, Leitura e Escrita, Artes Visuais, Matemática, Movimento, Música e Natureza e Sociedade na Educação Infantil;
  6. Outros assuntos, como lista de material, uniforme e as formas de comunicação entre escola e família;
  7. Tirar dúvidas dos pais.

Na minha experiência, fazer essa reunião antes do fim do ano vale muito a pena, porque o início do ano seguinte fica mais organizado e as famílias ficam mais confiantes. Além disso, tudo se reflete na sala de aula e na aprendizagem das crianças, que é o mais importante de tudo, não é mesmo?

Na sua escola também existe alguma organização no final do ano com vistas ao próximo? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


TAGS:

Deixe um comentário

Garanta a participação dos professores nos encontros de formação

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O coordenador deve estar atento às atividades dos docentes, promovendo encontros para que eles atualizem suas práticas, tirem dúvidas e reflitam sobre as situações de aprendizagem.

O coordenador deve promover encontros para que os docentes atualizem suas práticas, tirem dúvidas e reflitam sobre as situações de aprendizagem. (Foto: Manuela Novais)

A formação deve ser feita de modo contínuo durante o ano, já que precisa estar articulada com as ações realizadas em sala de aula. Cabe ao coordenador estar sempre atento às atividades dos docentes, promovendo encontros para que eles atualizem suas práticas, tirem dúvidas e reflitam sobre as situações de aprendizagem.

Minhas reuniões com a equipe de professores acontecem em módulos quinzenais de 2 horas. Geralmente, os encontros acontecem à noite, após o término das aulas. Durante esse processo, precisei resolver algumas questões: Como obter a participação dos docentes na formação? O que planejar para que a reunião seja interessante e contribua com uma reflexão sobre a prática?

Para resolver esses desafios, tomei alguns cuidados, que compartilho abaixo com vocês:

1) Realizar a formação dentro da carga horária do professor e ter um plano de formação estabelecido com a Secretaria Municipal de Educação ou com a gestão da escola. Ter esse horário reservado já é um caminho para que os docentes participem, mas o coordenador deve desenvolver estratégias para envolver os participantes.

2) Organizar o encontro, preparar o local e oferecer um lanche é fundamental para que a reunião seja também um momento de parceria com os colegas.

3) Antecipar as necessidades de aprendizagem dos professores, construir um plano de formação e estabelecer um cronograma compartilhado com todos é outro passo para envolvê-los. Isso é importante para que eles se organizem antes das discussões e saibam as datas em que determinados temas serão tratados.

4) Planejar cada encontro com uma pauta prévia, com objetivos, estratégias e metodologias definidas. Essa pauta e todo o processo formativo devem ser compartilhados com a gestão.

5) Criar grupos de estudo e fazer planejamentos em parceria com professores do mesmo ano. Ter um parceiro com quem discutir e planejar suas ações é uma estratégia importante para que o docente se mantenha ativo e compartilhe suas inquietações e reflexões.

6) Utilizar diferentes estratégias a cada reunião: tematizar a prática com vídeos, relatos, planejamentos, registros de alunos, descrição de atividades, estudos de casos e outros métodos.

7) Dar devolutivas sobre as atividades realizadas por eles. Conversar com o docente sobre o material que produziu e realizar intervenções é o nosso papel como formador.

8) Organizar um espaço, na sala dos professores ou outro lugar da escola, para reunir os materiais trabalhados durante a formação: exemplos de planejamentos, anotações de professores, sugestões de encaminhamentos e produções de alunos. Isso os incentiva a melhorar cada vez mais os seus registros, pois eles serão divulgados e valorizados pela equipe.

Acredito que esses pontos, articulados a um plano de formação que aprimore a prática do professor, podem garantir o envolvimento e a participação de todos no processo formativo.

E você, como organiza os encontros de formação?

Até a próxima quinta!

Eduarda


TAGS: ,

1 Comentário

Formatura na Educação Infantil. Pode?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Querer que a criança vivencie uma formatura é desconsiderar o universo infantil (Foto: Shutterstock)

Querer que a criança vivencie uma formatura é desconsiderar o universo infantil (Foto: Shutterstock)

Um dia desses, eu estava conversando com um grupo de pessoas com quem convivo semanalmente, mas não se conhece muito bem. Papo vai, papo vem e o assunto foi parar em filhos e escola. Uma mulher começou a questionar vários aspectos da instituição em que a única filha dela estudava e, entre as queixas, estava a de que não haveria formatura no final do ano.

Nessa hora, a única coisa que eu pude pensar é: “Como assim? A filha dela está na Educação Infantil. Que formatura é essa? Ainda existe escola que faz isso?”. Os argumentos dela eram de que um sobrinho teria a solenidade e ela mesma havia tido, por isso, estava achando muita falta de sensibilidade da escola em não realizar o evento.

Qual o propósito de trazer para o universo infantil um evento estritamente do mundo adulto? Ao concluir a primeira etapa da Educação Básica, a criança não se graduou nem se formou. O que ela fez foi vivenciar inúmeras situações que ampliaram seus saberes, construir conhecimentos em diferentes áreas e ampliar a convivência fora do âmbito da instituição familiar. Nessa etapa (se bem planejada pedagogicamente e coerente com a concepção de criança e de processo de ensino e aprendizagem na faixa etária), boas intervenções também a auxiliaram a construir sua autonomia.

Até então, tudo o que passou foi só o começo da longa jornada escolar. Um começo muito feliz, a meu ver, uma vez que, atualmente, a grande maioria das creches e pré-escolas têm como orientação os pressupostos do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (clique aqui para acessar o primeiro volume), que consideram as particularidades do mundo infantil e preveem um planejamento coerente com o que sabemos sobre a criança, seus saberes e suas necessidades de aprendizagem.

Características de uma criança

Por que parte da sociedade insiste tanto para que as crianças experimentem e vivenciem o mundo como se fossem adultos?

Já é sabido (e muito divulgado) que a infância é muito especial, dura pouquíssimo tempo e precisa ser preservada. Há estudos e pesquisas que nos mostram que a criança não é um adulto em miniatura, mas um indivíduo com características próprias, dentre as quais se destacam o brincar, o fazer de conta e a intensa necessidade de agir, interagir, mexer, experimentar, perguntar e ousar na maior parte do tempo. Essas atitudes vão diminuindo ou sendo canalizadas na medida em que nos tornamos adultos.

Querer que a criança vivencie uma formatura – um momento longo de discursos, mensagens e  de espera – é desconsiderar o universo infantil. Portanto, não tem sentido fazer esse tipo de evento se nosso foco é a criança! Como bem observou uma professora que assumiu recentemente uma turma de 5 anos, a criança é mais feliz porque vive o presente, o aqui e o agora.

Coerência com as práticas sociais

Assim como nas práticas sociais, o final de ano é um momento de confraternização, de estar junto com os colegas que nos acompanharam diariamente durante tanto tempo e, no caso da Educação Infantil, geralmente durante alguns anos. Com isso em mente, o que podemos fazer para celebrar? Planejar algo que tenha a criança como foco e deixar tempo e espaço para brincar, brincar muito!

É claro que, se considerarmos o universo infantil, será bem mais bacana se essa reunião for num local onde a turma possa brincar muito, experimentar jogos e brincadeiras que nem sempre estão presentes no dia a dia, ir a um parque diferente ou a um sítio, fazer um piquenique coletivo. Para programar esse dia, podemos pedir a ajuda das próprias crianças. É possível celebrar só com a turma ou envolver as outras classes, os familiares e todos os funcionários da escola. A opção fica a cargo do que é possível e adequado, sempre partindo de uma concepção de criança como indivíduo com características específicas e não como um adulto em miniatura.

Você concorda? Como é na sua escola?

Um beijo, Leninha


TAGS:

21 Comentários

Como ajudar professores com dificuldades para lecionar

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Quando o professor trabalha em conjunto com o coordenador, os resultados positivos no ensino e na aprendizagem são muito mais garantidos.

Quando o professor trabalha em conjunto com o coordenador, os resultados positivos no ensino e na aprendizagem são muito mais garantidos. (Foto: Manuela Novais)

É comum encontramos professores com dificuldades para lecionar e sem prática na série em que precisam atuar. Muitas vezes, esses problemas surgem porque eles estão substituindo um docente que precisou se afastar, o que dificulta ainda mais a sua adaptação. Até mesmo os mais experientes enfrentam esses desafios na sala de aula, e por isso é muito importante que façam uma parceria com a coordenação pedagógica.

Durante o segundo bimestre do ano passado, uma docente do 4º ano da escola em que trabalho entrou de licença maternidade. Preocupada com o desempenho dos alunos, reuni a gestão da escola para definir quem assumiria a função dela. Após a discussão, resolvemos selecionar uma professora de apoio muito dedicada que trabalhava com alunos com necessidades educacionais especiais (NEE), mas que nunca havia assumido a regência de uma turma.

A educadora não aceitou o cargo de primeira, pois sua experiência era apenas com os alunos com NEE e ela não se sentia segura para assumir uma classe. Após muitas conversas e incentivos, ela acabou concordando com a decisão, mas pediu que a coordenação a acompanhasse de perto e auxiliasse no que fosse preciso. Com esse acordo, nossa parceria estava formada.

Quando o professor trabalha em conjunto com o coordenador,os resultados positivos no ensino e na aprendizagem são muito mais garantidos. Por isso, procurei estreitar essa relação planejando as seguintes ações:

- Supervisão como espaço de reflexão
Para ajudá-la a pensar e a organizar as suas atividades, propus que ela me acompanhasse durante os encontros de supervisão com outros docentes. Pedi que ela analisasse as minhas intervenções e anotasse as suas observações e dúvidas, para depois discutirmos juntas. Assim, ela se familiarizou com a sua nova função e com o meu trabalho.

- Planejamento em parceira
Sugeri que planejássemos juntas os conteúdos para trabalhar com os alunos, identificando as necessidades de aprendizagem das turmas. Nesse processo, percebi que ela estava muito insegura e tinha dificuldade para compreender as estratégias de ensino. Por isso, traçamos um plano bimestral e um semestral, que serviram como orientação para organizar a rotina semanal de aulas. Com os temas e a rotina definidos, a professora conseguiu iniciar a docência com foco em atender às necessidades dos estudantes.

- Formação com outras instituições
Depois de um mês de trabalho, a professora disse que continuaria no cargo se seguíssemos com a supervisão. Era exatamente isso que eu queria ouvir. Porém, um aspecto me incomodava e fazia com que ela ainda dependesse muito de mim: a organização do material (digitar, formatar e selecionar no computador o que seria impresso para as atividades diárias, as avaliações e os trabalhos).

Para resolver a questão, organizei um curso específico de computação para os educadores da escola, em parceria com o centro de apoio pedagógico Casa do Aprender e com o funcionário de informática. Assim, também pude incluir outros professores que tinham a mesma necessidade. O resultado foi um sucesso e garantiu autonomia para a docente e seus colegas.

Hoje, um ano e meio depois do nosso primeiro encontro, a educadora já consegue planejar as aulas sozinha, além de digitar e formatar o material. O planejamento e a seleção de conteúdos continuam sendo realizados em parceria, mas de uma maneira ainda mais avançada. Agora, discutimos e planejamos as ações juntas, e na reunião seguinte, ela propõe atividades relacionadas com o que refletimos.

Nosso papel central como coordenadores é a melhoria da prática do professor. Todos os caminhos que contribuam para desenvolver essa função devem ser considerados: observação de atividades em sala, planejamento em parceria, formação continuada, envolvimento de parceiros externos, discussão de estratégias de ensino, estudo dos conteúdos e devolutivas sobre os materiais que eles organizam. No entanto, não podemos esquecer que o docente também precisa de autonomia e não deve ser dependente do coordenador.

E na sua escola, como você trabalha com os professores que apresentam  dificuldades?

Compartilhe suas estratégias comigo!

Um abraço,

Eduarda


TAGS: , , ,

Deixe um comentário

A escrita dos relatórios de avaliação

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Construir um documento claro sobre o que cada uma das crianças aprendeu e como aprendeu é uma tarefa desafiadora (Foto: Gabriela Portilho)

Construir um documento claro sobre o que cada uma das crianças aprendeu e como aprendeu é uma tarefa desafiadora (Foto: Gabriela Portilho)

Quando o final do ano se aproxima, uma das metas de todo coordenador pedagógico é orientar e auxiliar os professores na produção de um bom relatório ou portfólio de avaliação das aprendizagens das crianças. Esse documento deverá ser apresentado aos familiares e a outros profissionais (terapeutas, professores do ano seguinte, entre outros) para mostrar como foi o processo de ensino e aprendizagem.

A tarefa de avaliar as crianças é sempre bastante complexa. Por isso, construir um documento claro sobre o que cada uma delas aprendeu e como aprendeu já é desafiador. Imagine, então, elaborar um relatório que explicite informações relevantes com fidelidade e linguagem acessível, sem o nosso “pedagogês” de todo dia. Portanto, cabe ao coordenador prever uma formação para discutir e elaborar uma pauta avaliativa comum a todos os professores da escola.

É claro que, ao longo do semestre, os docentes já guardaram registros variados, como produções das crianças, reflexões escritas, pautas de observação, fotos e filmagens. Tudo isso será retomado no momento da elaboração do relatório de avaliação. Um exemplo são as produções artísticas das crianças, como desenhos, pinturas e colagens. Se elas estiverem datadas, podem ser um valioso instrumento para a escrita do processo de aprendizagem no eixo de Artes Visuais.

O processo formativo dos professores

Abaixo, compartilho um passo a passo de como oriento os professores na elaboração do relatório de avaliação.

1º passo: Para começar, acredito ser importante retomar com os professores qual é o período de avaliação em questão. É muito comum, no final do ano, o docente comparar os saberes atuais da criança com os conhecimentos do início do ano. No entanto, eu oriento que já foi elaborado um relatório avaliativo no final do primeiro semestre, então, agora devemos focar apenas no segundo semestre.

2º passo: A próxima providência é separar os planejamentos desse período e retomar quais foram os objetivos em cada um dos eixos.  Com esses documentos em mãos, é hora de fazer um roteiro sobre o que será abordado no relatório (clique aqui para ver um exemplo).

Exemplificando: ao longo do semestre, as crianças aprenderam muitas coisas no eixo de Oralidade, inclusive em atividades cujos objetivos eram do eixo de Movimento. Para organizar o registro, é preciso elencar quais eram os objetivos específicos do segundo semestre no eixo de Oralidade para aquela turma e escrever o que a criança aprendeu com as atividades propostas no planejamento. Se na escola tiver mais de uma turma no mesmo nível, é interessante que os professores elaborem em grupo o roteiro do relatório.

3º passo: Utilizar fotos pode ser interessante, desde que elas façam sentido na complementação do que está escrito. Colocar inúmeras imagens que não ampliam a avaliação não qualifica o relatório.

4º passo: Recomendo aos professores que, primeiramente, façam os relatórios que julgam ser mais fáceis, ou seja, os relatórios daquelas crianças que, por diferentes razões, têm os percursos de aprendizagem mais visíveis. Os primeiros documentos são mais difíceis de elaborar, mas depois fica mais claro como se faz.

5º passo: Combino com os docentes que eles devem revisar suas escritas pelo menos um dia depois de tê-las escrito. Só assim conseguimos nos distanciar do nosso texto para identificar erros ou falhas.

6º passo: Por último, mas não menos importante: o percurso de cada criança é particular e revela peculiaridades, curiosidades, avanços e dificuldades. Então, o relatório final deve mostrar uma criança única. O recurso de copiar e colar só funciona para o cabeçalho ou para citar os objetivos, nunca para descrever as aprendizagens dos pequenos.

Depois dessa formação, colocamos as mãos à obra! Caso algum professor tenha alguma dúvida na elaboração dos relatórios, sempre procuro estar disponível em horários variados para auxiliá-los.

O resultado desse trabalho também me mostra se o processo de formação dos professores foi efetivo. É uma boa avaliação do nosso trabalho, você concorda?

Um abraço, Leninha


TAGS: ,

2 Comentários

Como trabalhar a pontuação nas classes de 4º e 5º anos

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O estudo feito com os docentes melhorou tanto a escrita dos alunos quanto as metodologias utilizadas em sala de aula.

O estudo feito com os docentes melhorou tanto a escrita dos alunos quanto as metodologias utilizadas em sala de aula. (Foto: Manuela Novais)

Complementando o tema do post da semana passada, agora quero dar um exemplo de como o trabalho com pontuação foi levado para a sala de aula seguindo as orientações da formação que realizamos.

A pontuação é um importante recurso para o estabelecimento da coesão e coerência textual. Através desse sistema, o texto é fragmentado de forma hierárquica para melhorar a compreensão do leitor.

No entanto, muitas pessoas acreditam que os sinais gráficos devem se vincular ao ritmo da fala, prática que tem origem em uma tradição de muitos séculos atrás. Na Antiguidade, quando os livros eram copiados à mão e lidos em voz alta, o próprio leitor fazia as suas marcas para guiar a leitura. Com o objetivo de estabelecer um sentido para o que estava lendo, ele os pontuava de acordo com a ideia que queria transmitir.

Isso se reflete ainda hoje na aprendizagem das crianças. Elas são expostas às produções escritas desde os primeiros anos de escolaridade, mas a pontuação é um conteúdo que aparece tardiamente. Até perceberem os usos e funções no interior dos textos, elas passam pelas seguintes fases:

1. Como a pontuação não é observável, não aparece nos trabalhos dos alunos;

2. Os pontos finais e vírgulas são colocados de maneira não convencional e repetitiva;

3. Passam a utilizar a pontuação de acordo com cada gênero discursivo.

Antes de chegar ao domínio do uso desses recursos, os estudantes precisam interagir com o objeto de conhecimento, construir e reconstruir hipóteses a respeito de seu funcionamento e aprender a refletir sobre ele. Ao conversar com os professores durante as formações, percebi que essas ideias não estavam muito claras para eles. Muitos pensavam que o ensino se baseava em uma transmissão de regras do uso de sinais (o ponto servia para descansar, a vírgula para dar uma ‘respiradinha’ e a exclamação e a interrogação para marcar a entonação).

Com base nessa constatação, planejamos o que seria feito em sala de aula.Realizamos as seguintes ações para as turmas do 4º e do 5º anos:

- Análise de produções dos alunos para identificar as necessidades de aprendizagem: quais os sinais mais e menos utilizados e com que frequência apareciam;

- Pesquisa e estudo de diversos materiais impressos;

- Elaboração de estratégias para transformar a pontuação como algo identificável para os alunos, como estimular a observação dos sinais em diferentes gêneros e os efeitos estilísticos de diversos autores;

- Planejamento de sequências didáticas e propostas de redação em duplas;

- Aplicação da revisão coletiva de textos produzidos pela classe;

- Sistematização das discussões realizadas durante as aulas.

Após essas atividades, os docentes utilizaram os registros para avaliar a aprendizagem das turmas. Entre eles estavam planilhas com anotações referentes ao uso da pontuação, gráficos da evolução das produções e um portfólio com os textos de cada um. Esse estudo nos trouxe bons resultados, pois melhorou tanto a escrita dos alunos quanto as metodologias utilizadas em sala de aula.

E na sua escola, como os docentes trabalham com a pontuação?

Abraços,

Eduarda


TAGS: , ,

Deixe um comentário

Passear é preciso (e planejar o passeio também!)

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A professora Paula Sestari, educadora do ano de 2014, levou as crianças da pré-escola para conhecer o manguezal que fica no entorno da instituição (Foto: Marcelo Almeida)

A professora Paula Sestari, educadora do ano de 2014, levou as crianças da pré-escola para conhecer o manguezal que fica no entorno da instituição (Foto: Marcelo Almeida)

Uma professora veio toda preocupada falar que precisava tratar de um assunto muito sério comigo. O objeto da conversa estava tirando o sono dela há uns três dias. No momento em que ela disse isso, fiquei imaginando se a educadora estava com algum problema em sala de aula ou tinha se desentendido com os colegas. Nenhuma dessas hipóteses, no entanto, me parecia viável, pois sua turma era uma graça, ela era muito querida na escola e, apesar de ser a primeira vez que assumia uma classe, eu só havia precisado fazer algumas sugestões de ajustes nas suas práticas.

E não é que era justamente o fato de ser novata que lhe causava preocupação? A professora me contou o seguinte: em 15 dias, haveria um passeio com as turmas de 4 anos até um parque municipal, tipo um horto florestal, onde as crianças participariam de algumas atividades bem bacanas. Ela estava apavorada de levar as 26 crianças para fora da escola e fazia questionamentos, como “E se eu perder alguma criança?”, “O lugar escolhido para o piquenique é longe do banheiro. O que eu faço se alguém quiser utilizá-lo?”, “Será que precisamos mesmo ir a esse passeio? Eles são tão pequenos…”.

É claro que todas as preocupações eram muito pertinentes, mas não vale deixar de passear por causa delas! Foi o que fez a professora Paula Aparecida Sestari (foto), educadora do ano, que levou os pequenos da pré-escola para visitar o berçário de diversas espécies num manguezal, conhecido como Baía da Babitonga.

Por que sair dos muros da escola é importante?

É muito enriquecedor para ampliar o repertório cultural e de autonomia da criança oportunizar que ela vivencie outros espaços, entre em contato com a natureza e possa compartilhar com os colegas uma experiência de passeio e exploração de um ambiente diferente.

No caso que eu contei acima, foi escolhido o horto florestal justamente porque o local tem uma grande área arborizada, alguns brinquedos de madeira, um balanço de corda pendurado na árvore, um viveiro de plantas e um lago lindo com patos e marrecos. O objetivo era aproveitar o ambiente com os colegas, fazer um piquenique sob as árvores, observar aquele verde e brincar, brincar muito!

Os cuidados e a logística necessária para que tudo ocorra bem

Para que tudo isso aconteça com segurança, no entanto, é preciso tomar alguns cuidados e pensar numa logística. Abaixo, listo os itens com os quais a equipe escolar sempre se preocupa para planejar um passeio:

  1. Escolher bem o local onde serão realizadas as atividades. Embora o parque fosse grande, ele era fechado e tinha portaria. Além disso, oferecia atividades bacanas para os pequenos.
  2. Elaborar um breve projeto com a participação ativa das crianças no planejamento do passeio, fazendo uma lista do que seria levado, quais seriam as atividades realizadas e os cuidados que precisariam ser tomados quanto estivessem próximo ao lago.
  3. Dar orientações aos pais durante reuniões e por meio de bilhetes para os que não comparecerem, pedindo que todas as crianças estejam de uniforme e sugerindo o tipo de lanche que pode ser enviado e a quantidade. É comum os pais se empolgarem e mandarem uma mochila muito pesada, com alimentos não saudáveis ou que precisam de um armazenamento especial.
  4. Envolver os funcionários e combinar o que cada um fará. Eles vão ao passeio como apoio, tanto para ajudar os professores no deslocamento do grupo, como para definir um local onde os pequenos possam deixar as mochilas e se revezar para cuidar delas. Um funcionário também fica de apoio para ajudar a levar as crianças até os banheiros.
  5. Providenciar crachás com o nome da criança, do professor, da escola e o telefone da instituição, para caso algum aluno, apesar de todos os cuidados, se perca do grupo.
  6. Eu ou a diretora da escola acompanhamos o grupo.
  7. Uma empresa de ônibus de confiança é contratada. As janelas do veículo são travadas e há cinto de segurança em todos os assentos.
  8. No parque, pedimos para que grupos de três ou quatro crianças deem as mãos nos deslocamento. O professor vai na frente, conduzindo, e outro adulto fica atrás do grupo para auxiliar.

Compartilhei todos esses itens com a professora que estava aflita, assegurando que, com uma boa logística e tomando todos os cuidados anteriormente, não existe qualquer motivo para a preocupação. Depois disso, a educadora se convenceu e ficou mais tranquila. O passeio foi um sucesso!

E na sua escola, quais são os cuidados que vocês tomam para que seja seguro e proveitoso sair com os pequenos?

Um abraço, Leninha


TAGS: , ,

1 Comentário

Uma proposta de formação sobre o ensino da pontuação

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Na formação, os docentes repensaram suas práticas e compreenderam porque elas não estavam funcionando.

Na formação, os docentes repensaram suas práticas e compreenderam porque elas não estavam funcionando. (Foto: Manuela Novais)

Em parceria com outros coordenadores e os professores da minha escola, tenho construído planos de trabalho semestrais de Língua Portuguesa. Os projetos se baseiam em diversos registros reunidos ao longo do ano letivo: a análise das produções dos alunos, os diagnósticos iniciais e finais de escrita, o aprendizado dos estudantes de anos anteriores, as anotações feitas pelos docentes e as suas sugestões nos encontros de formação, a observação das atividades realizadas em sala de aula e a identificação das necessidades de aprendizagem.

Em um desses planejamentos sobre produção de texto com os coordenadores, notamos uma defasagem nos trabalhos dos alunos no que diz respeito ao uso da pontuação. Os principais problemas identificados foram a dificuldade em utilizar parágrafos, a mistura entre as falas do narrador e dos personagens, a falta do hábito da revisão dos textos e a utilização das marcações gráficas de forma confusa. Por sua vez, os professores não compreendiam porque os alunos não aplicavam o conteúdo trabalhado em aula na hora de escrever.

Com base nessas constatações, decidimos destacar as sequências didáticas relacionadas com o ensino da pontuação e iniciar uma investigação sobre o tema. Para isso, analisamos os cadernos dos alunos e o planejamento dos educadores.

Para iniciar, pedimos que os docentes planejassem uma aula e registrassem os aspectos observados durante a sua aplicação, material que serviu de base para identificar os problemas e discutir sobre o que deveria ser aperfeiçoado. Após as práticas, documentamos os resultados obtidos nas classes do 4º e do 5º anos.

Em uma reunião após a realização das aulas, o grupo de professores chegou à conclusão de que precisava adquirir mais conhecimentos sobre o assunto. Com isso, tive a tarefa de selecionar conteúdos relevantes e adequados para esclarecer as dúvidas tanto dos alunos como dos docentes. Utilizei o seguinte planejamento para nortear a formação:

- A história da pontuação: conhecer o processo histórico é importante para que eles entendam as metodologias utilizadas e identifiquem quais delas são mais adequadas para trabalhar a produção de texto. Além disso, o estudo traz uma reflexão sobre os motivos pelos quais uma pessoa alfabetizada pode desconhecer o uso desses sinais.

- Coerência textual: observar os recursos utilizados por diversos autores contribui para detectar as melhores propostas de ensino para trabalhar a coesão nas produções escritas.

- Regularidade de usos e funções: é essencial refletir sobre como algumas marcas gráficas (ponto, travessão, aspas, interrogação, exclamação, dois pontos…) aparecem nos textos, destacando a finalidade e a aplicação de cada uma.

Nesse processo, fizemos questão de não priorizar o “certo” ou o “errado”, mas estimular a análise e a reflexão sobre a língua. Com isso, os docentes foram desafiados a repensar suas práticas e compreenderam porque elas não estavam funcionando. Na próxima semana, compartilharei uma das propostas de trabalho que realizamos, além de exemplos de sequências didáticas elaboradas para as classes.

E os educadores da sua escola, o que sabem sobre o ensino da pontuação?

Um abraço e até breve!

Eduarda


TAGS: , ,

Deixe um comentário

O papel do professor no momento do parque

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
O momento do parque também precisa de planejamento (Foto: Gabriela Portilho)

O momento do parque também precisa de planejamento (Foto: Gabriela Portilho)

Há algum tempo, participei de uma formação numa escola com um docente da área de Educação Física com especialização em Educação Infantil. Uma das primeiras tarefas que tivemos que fazer foi um trabalho de campo para observar as crianças no momento do parque e anotar do que elas brincavam.

Ao fazer o que foi solicitado pelo formador, ficamos surpresos ao ver que a lista de brincadeiras era bem pequena:

  • Futebol;
  • Brinquedos como gira-gira, escorregador e balanço;
  • Corre-corre com tentativa de organizá-lo como jogo.

Quando voltamos para a sala, o formador havia escrito uma lista enorme no quadro e nos perguntou quais daquelas brincadeiras poderiam estar acontecendo lá fora. Respondemos que todas elas poderiam. Por que, então, não aconteciam se brincar é a atividade natural da criança?

A resposta era bem simples: elas não sabiam que aquelas brincadeiras existiam!

O momento de parque também precisa de planejamento

Quem atua com as turmas de 1, 2 ou 3 anos sabe que precisará ensinar muitas coisas para os pequenos. Entre elas, está como fazer o movimento de impulso no corpo para a balança se movimentar, como se sentar e se segurar no gira-gira, como utilizar a gangorra… Enfim, mostrar como brincar corretamente e com segurança em todos os brinquedos disponíveis. Já vi professor fazer sequência de atividades para a turma de 3 anos aprender a pular corda. No final do semestre, todos tinham aprendido!

Muitas vezes, as crianças de 4 e 5 anos também precisam de orientação. Já vi muitas delas sem saber como subir e descer com autonomia do escorregador. E só descobrimos tudo isso observando a turma.

Portanto, para o momento do parque, é importante organizar e disponibilizar materiais variados, como bolas, cordas, petecas, giz para riscar amarelinha, entre outros. Isso também é intervenção pedagógica. Além disso, não vale ficar sempre sentado no pátio apenas conversando com os colegas e dando uma olhada para garantir que as crianças estão bem.

Isso não significa, porém, que o professor tem sempre que direcionar as atividades durante o momento do parque. É muito mais produtivo ensinar os jogos numa outra hora da rotina, como o tempo destinado ao eixo de Movimento. Uma vez que a turma tenha aprendido, certamente as brincadeiras acontecerão naturalmente.

Uma proposta de organização

O momento de parque é sempre mais bacana se as turmas estão juntas. Assim, todos os professores dividem a responsabilidade de supervisioná-las e orientá-las em determinados locais ou brinquedos. Para garantir que isso sempre aconteça, organizamos um cronograma semanal na escola (clique aqui para ver).

O mais importante é que as orientações de cada brinquedo ou espaço foram elaboradas coletivamente, com a presença de professores e estagiários, durante uma formação sobre a importância de brincar e a conquista da autonomia. Por isso, além de muito formativo, o documento é seguido rigorosamente por todos os educadores.

E na sua escola, existe um planejamento para o momento do parque? Compartilhe conosco!

Abraços, Leninha


TAGS: ,

Deixe um comentário