O ensino de Matemática como prática social na Educação Infantil

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Crianças brincam de jogo de percurso na EMEI Maria Alice Pasquarelli (Foto: Gabriela Portilho)

Os jogos de percursos são situações em que contar, um dos principais objetivos de aprendizagem na Educação Infantil, se apresenta como uma ação com sentido para as crianças (Foto: Gabriela Portilho)

Quando chegam à escola, as crianças já vivenciaram muitas situações em que números são utilizados pelos adultos em brincadeiras, em músicas, para marcar o tempo ou contar objetos. Ainda novinhos, eles escutam a idade que têm e são incentivados a mostrá-la com os dedos das mãos. Também levam bronca dos pais para arrumar o quarto: “Vou contar até dez para você juntar todos os brinquedos. Um, dois, três…”.

Todos esses momentos fazem parte de uma prática social real. Isso significa que utilizamos os números no nosso dia a dia dessas formas, atribuindo sentido a esses usos e nos comunicando por meio deles.

E os pequenos também empregam os numerais quando falam, imitando os adultos. “Prô, eu sou muito pesada, já tenho 10 metros”, me disse Mariana, de 4 anos, ao subir numa balança. É claro que ela misturou as medidas, mas é porque ainda está construindo uma compreensão de tudo. Nesse ponto, cabe à escola observar o que e como as crianças utilizam os números e, com base nisso, pensar em propostas em que elas sistematizem o que sabem e aprendam ainda mais sobre o sistema de numeração.

Atividades de Matemática com sentido

Contar e recitar a série numérica são os principais objetivos de aprendizagem em todas as turmas da Educação Infantil. O que vai variar em cada faixa etária é o desafio, que deve ser ajustado de acordo com os saberes já construídos pelos pequenos.

Quando você estiver conversando com os professores sobre o ensino de Matemática nessa etapa, é sempre bom lembrar que atividades com números precisam fazer sentido para as crianças. Assim, elas tomarão para si a tarefa e a realizarão porque é divertido, por exemplo, brincar de marcar o tempo recitando os números e contar os brinquedos ou os colegas da sala.

São inúmeras as propostas possíveis quando se trata de recitar os números. Listei algumas possibilidades, que você pode compartilhar com sua equipe:

  • Brincar de esconde-esconde. Nessa brincadeira, a pessoa que vai procurar pelos colegas conta até determinado número para dar tempo de todos se esconderem.
  • Marcar o tempo num jogo em que duas equipes vão competir quem acerta mais bolas no cesto. Ao fim, os pequenos podem contar quem fez mais pontos.
  • Combinar quantos segundos cada criança pode brincar no balanço ou em outro brinquedo no parque. Os colegas recitam os números até chegar ao tempo acertado. Quando isso acontecer, o pequeno dá lugar a outro da turma.

Se a turma se perder no recitado e pedir ajuda, o professor pode ajudá-la a retomar a contagem, falando alguns números e devolvendo a palavra de volta para os pequenos. Mas, caso eles recitem os números fora de ordem e o engano não for uma questão para eles, não é legal interromper. Aquilo é o que o grupo sabe no momento e, gradativamente, aprenderá mais.

Quando se trata de contar, focamos, primeiramente, nas situações cotidianas da sala de aula:

  • Contar quantas crianças vieram naquele dia para avisar a merendeira da escola ou para separar o material necessário para determinada atividade.
  • Contar as peças de um jogo para conferir se há a quantidade que está escrita no pote.
  • Propor jogos de preenchimento, de percurso ou que utilizem cartas com quantidades e números são excelentes situações lúdicas, nas quais faz sentido contar. Nelas, ainda existe a vantagem de a criança repetir inúmeras vezes os procedimentos, aperfeiçoando sua contagem.

Progressivamente, as crianças podem melhorar suas estratégias de contagem e compartilhar com os colegas como asseguraram que todos os objetos foram contados e como não se perderam na contagem.

E na escola em que você trabalha, as crianças têm oportunidade de recitar os números e de contar em situações que façam sentido para elas?

Um abraço, Leninha


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Prazer, sou Muriele, coordenadora pedagógica em plena mudança!

| Muriele Massucato
Muriele Salazar Massucato, blogueira convidado do

Muriele Salazar Massucato, blogueira convidada do “Coordenadoras em Ação” (Foto: Ricardo Toscani)

Olá, colegas! Meu nome é Muriele Salazar Massucato, tenho 30 anos e sou coordenadora pedagógica há seis anos na rede municipal de ensino de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Estou aqui porque inicio, neste mês, uma fase inédita na minha vida: fui convidada pela Secretaria de Educação a constituir a equipe de uma nova escola: o CEU Luíza Maria de Farias.

Por que isso é um desafio? Primeiro, é uma escola enorme! Quando estivermos operando na capacidade máxima, eu, a diretora Rosângela e a vice-diretora Ana Paula teremos sob nossa responsabilidade de oito a dez turmas de creche, 16 de pré-escola, 16 dos anos iniciais do Ensino Fundamental e previsão de turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Somando tudo, dá, mais ou menos, 1200 pessoas atendidas. Segundo, estamos começando do zero. Quando eu disse nova escola, é porque ela é nova mesmo! Nós e a comunidade vimos as obras acontecerem, a equipe foi formada recentemente e estamos em plena fase de elaboração do projeto político-pedagógico (PPP) e do planejamento e de criação de um ambiente acolhedor e de um sentimento de territorialidade e pertencimento.

É claro que estamos cheios de expectativas. A estrutura física impressiona e nos estimula a fazer um trabalho pedagógico tão notável quanto ela. O espaço sozinho não constitui aprendizagem, não é mesmo? Nesse sentido, o trio gestor assume o papel de articular as ações de organização e uso de todos os ambientes da instituição. Os profissionais que começaram a trabalhar no CEU agora precisam saber utilizar a biblioteca, o ateliê de Arte, a sala de música, a quadra coberta, o solário, a horta, as salas de aula, o laboratório de ciências (e tudo o mais) de forma intencional e qualificada.

Ser coordenadora pedagógica dessa unidade escolar é fazer parte do nascimento de uma nova equipe, de laços com a comunidade, da identidade de um grupo e da apropriação física e cultural de espaço. E são todos esses desafios que eu vou compartilhar com vocês nas próximas quatro semanas.

Além de contar minhas experiências, quero me apresentar melhor. Sou formada em Pedagogia e tenho duas pós-graduações, uma em Psicopedagogia e outra em Ensino da Matemática. Nos meus quase 13 anos de experiência, já trabalhei como professora de Educação Infantil e de Ensino Fundamental e fui coordenadora de professores de creche e pré-escola, de 1º ao 5º ano e de Educação de Jovens e Adultos. Me sinto privilegiada por ter passado por tantos lugares e por ter tantos olhares. Tudo isso ampliou meus conhecimentos e enriqueceu minha prática.

Acredito que a Educação ganha muito quando se estabelece uma relação profissional e humana com os colegas. É um vínculo estabelecido pela troca, pelo diálogo, pela identidade singular e coletiva. Por isso, tenho muito orgulho de atuar nesse campo. E é justamente por amor e encanto que continuo trilhando tantos caminhos profissionais e aceitando novos desafios. Um deles é ser blogueira convidada aqui, no blog “Coordenadoras em Ação”. Espero poder colaborar com o trabalho diário de vocês, como a Leninha Ruiz e a Eduarda Mayrink já contribuíram com o meu, e trazer aspectos relevantes da minha rotina e da minha prática que podem interessá-los.

Conto com a participação de todos, especialmente dos colegas que tiveram experiências semelhantes. Vamos compartilhar nossas práticas?

Até a próxima semana!

Um abraço, Muriele


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Organizei encontros com colegas para trocar experiências sobre coordenação pedagógica

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Resolvi procurar por conta própria parcerias com outras escolas, independentemente da política da secretaria municipal. Foto: Shutterstock

Às vezes, me sinto frustrada. Tenho a impressão de que acabo me deixando levar pela rotina e fico sem tempo para pensar em estratégias, olhar para frente e, principalmente, melhorar a formação de professores. Penso que essa sensação de impotência tem muito a ver com certa solidão que experimento, principalmente quando percebo que não tenho ninguém para compartilhar experiências e impressões sobre a minha função.

Faz falta poder dividir com outros coordenadores os problemas, as inquietações e as dúvidas que surgem na escola, inclusive na hora de planejar a formação da equipe.

Muitas secretarias de Educação oferecem encontros de formação de gestores, com palestras e seminários. Mas, em geral, eles acontecem de forma episódica, duas ou três vezes por ano. Outras redes conseguem organizar reuniões mensais, mas há pouco espaço para estudo, trocas e planejamento de estratégias para transformar a prática do professor.

Então, sempre achei que precisávamos de muito mais espaço para dialogar com os colegas.

Para suprir essa lacuna, resolvi procurar por conta própria parcerias com outras escolas, independentemente da política da secretaria municipal. Na semana passada, encontrei com uma colega coordenadora de um colégio próximo. Ela tinha a mesma angústia que eu. Decidimos organizar, nós mesmas, reuniões formais e periódicas.

O primeiro encontro já saiu. Foi na escola em que trabalho e ocorreu de maneira muito produtiva. Nós duas analisamos materiais de formação produzidos por cada uma nos últimos meses, colocamos em discussão as dificuldades que costumamos observar na prática do professor na sala de aula, trocamos informações e planejamos interlocuções entre docentes das duas instituições sobre o trabalho que realizam com os alunos.

Já levamos a ideia para alguns outros colegas da cidade e combinamos que faríamos encontros maiores, quinzenais, tendo como prioridade a nossa própria formação e a dos docentes.

Estou muito animada com a iniciativa e parece que os demais coordenadores também estão! Só essas primeiras conversas que tive já me ajudaram muito a direcionar as observações que devo fazer durante as próximas duas semanas para preparar o segundo encontro. Nossa meta é construir uma equipe de trabalho unida, em que cada um possa contribuir com a prática do outro.

E você coordenador, tem buscado estabelecer parcerias com outros colegas?

Abraços,

Eduarda


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Que tal auxiliar os professores na produção de relatórios e portfólios na Educação Infantil?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Professoras discutem relatórios de crianças da Educação Infantil em mesa quadrada (Foto: Gabriela Portilho)

Antes do início da escrita do documento, ajude os professores a pensar no melhor formato e nas informações que ele deve apresentar (Foto: Gabriela Portilho)

Está chegando a hora dos professores se dedicarem aos relatórios de avaliação da aprendizagem das crianças. Qual é o papel do coordenador pedagógico nesse processo? Podemos colaborar com a realização dessa árdua tarefa se planejarmos um ou dois encontros formativos para retomar, ou orientar os novatos pela primeira vez, por que e como devem ser feitos tais relatórios. Proponho abaixo algumas questões norteadoras para esses momentos.

  1. Qual é o formato de relatório que a escola produz? Disponibilize textos do ano anterior para os professores lerem. Peça que eles analisem e comparem dois ou três, identificando o que qualifica cada um deles. Na Educação Infantil, geralmente elaboramos um parecer descritivo para cada aluno.  Muitas escolas também fazem outro documento explicando quais foram os projetos, as sequências e as atividades permanentes propostos para a turma e anexa isso ao material individual. Há, ainda, quem utilize o formato de portfólio, em que se insere imagens da criança no dia a dia da escola assim como algumas atividades produzidas por ela (desenhos e escritas do nome, por exemplo). Analise qual é o formato utilizado por vocês e reflita, em conjunto com os professores, se ele pode ser aperfeiçoado, garantindo que todos tenham clareza de como o material será organizado e apresentado.
  2. Por que e para quem produzimos os relatórios? Deixe o grupo refletir, encontrar respostas e chegar num consenso. Os relatórios são para as famílias em primeiro lugar, mas não só. Também são uma avaliação para o próprio professor. Ter que elaborar um registro de cada um dos pequenos gera uma análise de seu trabalho e esse diagnóstico indicará quais serão os objetivos do segundo semestre. Além disso, também podem ser usados por outros profissionais como terapeutas e os docentes dos anos seguintes. Por isso, a escola precisa manter um arquivo digital com todos os registros e tem de garantir que o que está incluído ali será compreendido pelos pais e por outros colegas.
  3. O que deve ser registrado de cada criança? Para colocar essa questão para o grupo, organize duplas ou trios e peça que registrem suas ideias e depois compartilhem com os demais. No final, elabore um texto unindo todos os tópicos levantados pelo grupo e socialize com todos como uma sistematização após a reunião. É importante que o percurso de aprendizagem de cada criança seja explicitado no relatório. Aqui entram as pautas de observações utilizadas nos diferentes planejamentos, o registro das falas dos pequenos e as observações do professor. As aprendizagens são únicas, então é natural que o registro sobre um pequeno tenha um foco maior na oralidade e o de outro nas conquistas relativas ao eixo de movimento.

Depois de uma reunião onde se discutiu bastante sobre os relatórios, os professores estarão mais mobilizados para selecionar os registros e as atividades que serão contempladas e iniciar a escrita do material. Continue disponível para auxiliar cada um nessa etapa.

E agora, mãos à obra? Conte pra gente como a reflexão sobre os relatórios foi feita aí na sua escola.

Um abraço,

Leninha


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Como lidar com emergências de saúde?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Por mais simples que sejam, problemas que afetam a saúde e o bem-estar dos estudantes deixam professores e gestores apreensivos. Foto: Shutterstock

A cena é corriqueira: tudo parece tranquilo na aula quando, de repente, no meio da brincadeira, um aluno cai e se machuca. Também não é raro ver crianças sentindo dores de cabeça, de estômago ou sintomas de resfriado. Algumas já chegam à escola com algum problema e a mãe se encarrega de mandar um remédio na mochila.

Por mais simples que sejam, problemas que afetam a saúde e o bem-estar dos estudantes deixam professores e gestores apreensivos. A equipe sabe que há uma determinação do Ministério da Educação (MEC) que proíbe oferecer qualquer tipo de remédio sem receita médica, mas se sente impelida a fazer alguma coisa para amenizar os sintomas, dando aquele analgésico infalível ou mesmo um chazinho que é tiro e queda.

Diante desse dilema, nós, coordenadores pedagógicos, precisamos exercer nosso papel de orientadores da equipe e encontrar caminhos para lidar com essas situações clássicas na rotina escolar. Elas exigem informação prévia sobre como agir.

Aqui onde trabalho, o regimento interno já prevê o que fazer em cada caso, e os procedimentos são divulgados com a maior clareza possível, para que alunos, professores e a comunidade fiquem tranquilos. Essas são algumas das ações que costumo adotar, em parceria com a direção:

  • Na primeira reunião de pais do ano letivo, apresentamos um contrato especificando as regras sobre o uso de medicamentos e as ações adotadas em caso de emergência.
  • No caso dos remédios, os responsáveis devem evitar colocá-los na mochila e instruir o aluno a tomá-los sozinho, o que pode ser perigoso. O que fizemos foi deixar em aberto para que os responsáveis tenham liberdade de vir até a escola para medicar a criança ou levá-la para casa, se for necessário
  • Mantemos um kit de primeiros socorros para pequenos acidentes, com materiais básicos como gaze, soro fisiológico, esparadrapo, algodão, curativos e gelo.
  • Em situações mais graves e emergenciais, o combinado é que o estudante seja prontamente encaminhado ao posto de saúde próximo ou até mesmo a um hospital da região – sempre comunicando à família o quanto antes.
  • Ajuda muito manter um arquivo atualizado e bem organizado de fichas de saúde. Elas devem ser preenchidas e assinadas pelos responsáveis anualmente, e conter endereço, telefones para contato, alguns dados básicos sobre a saúde da criança etc. Essa ficha também deve incluir possíveis restrições à participação nas aulas de Educação Física.
  • Todas essas medidas são simples, mas precisam ser bem acertadas entre todas as partes envolvidas.

E você, coordenador, como orienta a equipe docente a agir nessas horas? Abraços, Eduarda.


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Como se organizar para atender imprevistos

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
(Foto: Shutterstock/wavebreakmedia)

Compartilhar as atribuições de cada um da equipe e criar protocolos sobre como identificar e agir num imprevisto ajuda a organizar a rotina (Foto: Shutterstock/wavebreakmedia)

Tem sido muito comum a queixa de coordenadores sobre o acúmulo de tarefas e a falta de tempo para se dedicar à formação dos professores. Os relatos, que apareceram em comentários aqui do blog e em conversas que tive com colegas, é que, diariamente, estouram muitas situações que precisam ser solucionadas rapidamente e que não são, necessariamente, responsabilidade do coordenador. Entre elas, estão o atendimento a pais que chegam com problemas pontuais e esperam ser atendidos imediatamente, professores que solicitam ajuda para lidar com conflitos entre as crianças, a abertura ou fechamento do portão da instituição, a falta de funcionários ou docentes que precisa ser coberta, a necessidade de tomar providências quando falta um material na sala da aula e por aí vai…

Quando essas demandas surgem ocasionalmente, seja porque a secretaria está sem funcionário ou porque o diretor está em reunião fora da escola, certamente é o coordenador que deve dar conta delas. Afinal, os professores precisam se responsabilizar pelas crianças. Mas o que fazer quando essas situações se tornam rotineiras e não sobre tempo para cuidar de outras tarefas?

Compartilhar as atribuições de cada um que atua no ambiente escolar é fundamental. Será que o diretor, os funcionários e os professores da sua escola têm clareza do que você faz? Eu já ouvi de uma auxiliar de sala que ela achava que o papel do coordenador era ajudar o diretor a resolver os problemas que aparecem.

Para que confusões assim não aconteçam, é bacana elaborar e divulgar seu cronograma de atividades semanais. Quando eu trabalhava como coordenadora numa escola, procurava garantir, junto com a diretora, que eu tivesse momentos de planejamento das formações, de acompanhamento da prática em sala de aula e de elaboração dos atendimentos individuais. A diretora também fazia o mesmo. Assim, aquela que estava mais disponível, atendia as demandas que surgiam, enquanto a outra dava andamento às suas atividades.

Mesmo com todo esse planejamento compartilhado que eu comentei acima, é comum aparecer pais a todo momento na escola. Em relação a isso, a forma que eu acredito ser mais interessante para contornar a situação é investir na comunicação escola-família, deixando claro o que acontece na instituição, e na formação dos funcionários da secretaria. A equipe precisa saber responder  questões básicas que os familiares costumam ter e avaliar se precisarão encaminhar a situação para um gestor tomar uma providência.

Também é interessante ter protocolos claros e compartilhados com todos sobre como identificar o que está interferindo na rotina da escola e quais são os procedimentos mais adequados. Claro que dá certo trabalho pensar em tudo isso e numa boa forma de divulgar para a equipe, mas certamente evitará que professores e funcionários levem tudo para ser resolvido pelo gestor. Para ajudá-los, compartilho um registro que um grupo de professores elaborou depois de refletir sobre como lidar com conflitos em sala de aula, demanda que, eventualmente, pode cair na mão do coordenador pedagógico.

O interessante é todo ano revisitar esses protocolos, principalmente com os profissionais novatos na escola, tanto para validá-lo como para atualizá-lo. Afinal, sempre podemos aperfeiçoar nossas práticas.

E você, como lida com essas demandas que surgem na rotina?

Um abraço, Leninha


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O que o coordenador pode fazer quando falta dinheiro na escola?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

A participação e o empenho da equipe e da comunidade foram essenciais para a escola conseguir montar uma sala de artes bem estruturada. Foto: Shutterstock

Apesar de o coordenador pedagógico ter uma função ligada basicamente ao ensino e à aprendizagem, lidar com questões financeiras é inevitável. Afinal, não é possível concretizar bons projetos e momentos intensos de formação da equipe sem considerar os recursos disponíveis na escola. Manter os dois pés no chão é fundamental, especialmente se a escola em que você atua tem verbas limitadas.

Já passei por uma experiência em que senti na pele como é difícil trabalhar com pouco dinheiro. Discutindo as práticas adotadas nas aulas de Arte, os professores contaram sobre a dificuldade que tinham para realizar atividades em sala. Num primeiro momento, achamos que o problema era a falta de uma rotina mais organizada e, por isso, dedicamos mais tempo à disciplina. Mas, depois de algumas semanas, vimos que havia outro empecilho: nos faltava um espaço adequado para as aulas e materiais diversos. Surgiu, então, a ideia aproveitar um local que estava sem uso para montar uma sala de Arte.

Mas como fazer isso sem recursos? A verba da escola até deu para comprar alguns itens básicos, como colas, pincéis, papéis, tesouras, tintas etc. Só que o espaço precisava mesmo era de uma boa reforma: faltava instalar um balcão, uma pia, reforçar a iluminação, pintar as paredes, comprar a mobília… Era um enorme desafio! Sem dinheiro, fizemos o que foi possível, mas não foi o suficiente. A sala ficou precária e acabou sendo pouco utilizada. Precisávamos de mais investimentos.

Resolvemos, então, arregaçar as mangas. Mobilizamos a equipe, os alunos e as famílias para arrecadar fundos. Aproveitamos a festa junina que já estava programada para vender rifas. Com o lucro que obtivemos, conseguimos pintar o espaço e colocar a pia e o balcão. Com caixas de feira e outros materiais que podiam ser reaproveitados, criamos prateleiras. Também conseguimos a doação de armários, que, com os devidos reparos, mobiliaram a sala. Depois de três semestres, o nosso espaço finalmente ficou pronto.

O esforço valeu a pena. A rotina das crianças se intensificou e foi possível ampliar muito o leque de atividades, com diferentes tipos de materiais.

Todo esse processo trouxe muitos aprendizados para mim. Percebi que, antes de tudo, a utilização e a mobilização de recursos financeiros dependem da nossa articulação com a direção e da participação efetiva de toda a comunidade. Vale realizar reuniões com o diretor e os responsáveis por outras áreas para avaliar as necessidades e conferir se elas efetivamente cabem no bolso da escola. Quanto maior for a participação de todos na elaboração dos orçamentos, mais acertada será a escolha de prioridades.

Antecipar-se, avaliando com antecedência o que precisa ser comprado para desenvolver cada conteúdo, também ajuda a manter um fluxo mais organizado e a prever o tamanho do orçamento que cada ação exigirá.

E você, como lida com as limitações financeiras? Já passou por dificuldades parecidas? Conte para gente!

Um abraço,

Eduarda


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Você conhece os livros e os materiais disponíveis na escola?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A blogueira Leninha Ruiz folheia livros disponíveis na escola (Foto: Gabriela Portilho)

Além de avaliar os materiais por conta própria, coordenador pode trocar informações com colegas de outras escolas e a equipe técnica da Secretaria (Foto: Gabriela Portilho)

O dia a dia de um coordenador pedagógico é intenso. São tantos afazeres e demandas que, muitas vezes, deixamos de reservar um tempo para nos debruçar sobre alguns aspectos. Um deles é conhecer e divulgar os materiais e os livros disponíveis na escola.

Recentemente, tive acesso a uma obra que chegou às escolas públicas através do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), em 2013-2014, chamada O trabalho do professor na Educação Infantil. O livro, organizado por Zilma Ramos Oliveira, tem textos muito preciosos sobre o histórico dessa etapa e oferece exemplos e sugestões bem claras de currículos elaborados para os pequenos. O capítulo “A construção de ambientes de convivência e aprendizagem nas instituições de Educação Infantil”, por exemplo, foca nosso olhar para os ambientes da escola e no quanto privilegiamos ou não o brincar.

Essa obra é o tipo de leitura que situa o profissional que atua no segmento e que pode ser utilizada para qualificar o fazer pedagógico na sala de aula. Por isso mesmo, achei que valia a pena indicá-la numa formação que eu estava fazendo com professores de escolas públicas da região do Vale do Paraíba. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a maioria dos docentes nem sabia que aquela obra fazia parte do acervo da instituição em que trabalhavam e que havia sido enviada justamente para eles?

Escrevendo esse texto, me lembrei também de outra situação que eu mesma vivi. Em 2012, chegou à escola em que eu era coordenadora uma caixa do projeto TRILHAS, do Instituto Natura, que tem o objetivo de trabalhar com leitura, escrita e oralidade. Inicialmente, não entendi muito bem a proposta e, por isso, deixei tudo guardado, sem uso, por algumas semanas. Só fui explorar o que havia recebido no recesso escolar. Foi então que ficou claro para mim como aquele material poderia ser colocado em uso de maneira significativa.

Pois é… Diante dessas histórias, pergunto: vocês sabem quais obras estão guardadas e deixando de ser utilizadas?

Apesar da rotina intensa de um gestor, seja ele coordenador ou diretor, sem dúvida cabe a ele estar atento aos materiais que já existem ou que chegam à escola. Quando se trata de livros de histórias, eles devem ser disponibilizados imediatamente para os professores, que os analisam e incorporam ou não no acervo que mantêm em sala de aula. Já no caso de materiais que se destinam à formação da equipe, o ideal é encontrar um tempo na rotina para avaliar se eles são bacanas, se podem ser usados na formação ou se devem ser divulgados como material de consulta para os docentes.

Um bom jeito de fazer essa avaliação é conversar com colegas coordenadores e com a equipe técnica da Secretaria de Educação para trocar informações a respeito das obras. Outra maneira interessante, e que eu já utilizei várias vezes, é pedir a um professor que analise um material e compartilhe o que foi percebido com todos. Quando eu fazia essa solicitação, orientava o docente a fazer um parecer profissional, elencando suas considerações.

Além de avaliar os materiais, outro ponto fundamental é deixar tudo o que existe na escola visível e disponível para a equipe. Nada de colocar em armários fechados ou em salas que o professor não tem acesso, combinado?

E você, está a par de todos os materiais que existem na escola? Você e a equipe estão fazendo bom uso dele?

Um abraço, Leninha


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Indisciplina: quando chamar a família para uma conversa séria?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Antes de chamar os pais, é importante entender as razões que podem levar ao mau comportamento. Foto: Shutterstock

Como todo coordenador pedagógico, meu cotidiano inclui lidar com problemas com alunos indisciplinados. São estudantes que, por alguma razão, quebram alguma regra de convívio, como xingar um colega, ou algum combinado, por exemplo, não usar o celular na sala. E, assim como deve acontecer na sua escola, alguns professores, sem saber como lidar com situações difíceis na classe, acabam mandando as crianças para uma conversa comigo.

Mas confesso que, muitas vezes, também não tenho a menor ideia do que fazer – principalmente se o aluno em questão é, digamos, um frequentador assíduo da sala da coordenação. Nesses casos, o que acaba acontecendo é que a única ação encontrada é convocar os pais ou responsáveis. Mas será que isso basta? E será que faz sentido?

Quando isso acontece comigo, antes de chamar a família para saber como podemos buscar soluções para a indisciplina, procuro ajudar o professor a traçar uma análise criteriosa do comportamento do aluno para compreender a origem do problema e preparar o diálogo com os responsáveis. Ao fazer isso, deve-se levar em conta a realidade da turma específica e da relação entre o aluno indisciplinado e o professor, os colegas e a família.

Geralmente, as manifestações de indisciplina ou rebeldia são uma tentativa do aluno de chamar a atenção e ser ouvido por alguém. Outra razão que pode explicar certas atitudes é uma rotina muito presa à sala de aula, sem tempo ou espaços apropriados para a prática de esportes, brincadeiras e outras atividades recreativas. A turma acaba acumulando energia e dissipando-a de forma inadequada.

Há também questões ligadas ao convívio social fora da escola e à ausência de um sentimento de pertencimento ao ambiente escolar, quando o aluno não se “enquadra”, não vê sentido naquilo que a instituição proporciona. E, por fim, existem ainda problemas psicológicos, neurológicos e sociais que impactam diretamente o rendimento escolar. Aqui no site, há uma reportagem que explica em detalhes quais atitudes podem ser tomadas diante do diagnóstico.

Só depois de ter clareza sobre quais desses fatores podem explicar a indisciplina e de adotar medidas dentro da escola é que se convida a família para uma reunião. A pauta que deve girar em torno das conclusões da análise e das estratégias pensadas para amenizar o problema. Essa também é a hora de ouvir da família se as atitudes do aluno se repetem em casa, se houve mudança de comportamento recentemente ou algum acontecimento que possa ter levado à indisciplina. Vale perguntar como os responsáveis lidam com isso e se costumam obter resultados positivos quando agem.

Ouvir os familiares é essencial não somente para a escola, mas para a própria família. Muitas vezes, nos damos conta de que é ela que precisa de ajuda, e não a escola. Com uma conversa franca, sem julgamentos ou agressividade, é possível estabelecer uma parceria em prol do aluno.

E com você, como age quando precisa envolver a família para tratar de um assunto delicado como a indisciplina?

Um abraço,

Eduarda.


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O professor não pode participar das formações. Como planejar um atendimento individualizado?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Homem e mulher conversam em sala de reunião (Foto: Shutterstock/Monkey Bussiness Images)

Sempre vale a pena encontrar uma brecha na rotina e planejar encontros formativos específicos para os professores que precisam (Foto: Shutterstock/Monkey Bussiness Images)

Nem sempre todos os professores da escola conseguem participar dos momentos de formação coletiva. Às vezes porque ele atua em outra instituição no contraturno e não pode participar do horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), outras vezes porque ele tem um contrato temporário que não prevê formação em serviço.

Seja por um motivo ou por outro, nós, coordenadores pedagógicos, precisamos nos organizar para incluir todos os profissionais, da maneira que for possível, na reflexão de aspectos pedagógicos indispensáveis para qualificar as práticas em sala de aula.

Mas não podemos apenas chamar o professor de canto, apontar o que deve ser mudado e dar um texto bacana para que ele leia. Essa atitude é ultrapassada e não cumpre o papel de impactar o ensino. Temos que pensar em algo que seja realmente formativo.

Está um pouco nebuloso o que eu quero dizer? Vou exemplificar com um caso real.

Valéria começou a trabalhar como professora eventual na escola em que eu atuava como coordenadora. Desde o início, eu já sabia que ela não conseguiria participar das formações, pois ensinava em outra instituição no período contrário. Então, para não a deixar por fora dos comunicados e instruções específicas, eu sempre ia à sala dela para informá-la. Nesses momentos, trocávamos algumas ideias enquanto as crianças estavam em atividade. E foi numa dessas conversas que ela comentou que estava querendo mais orientações sobre as propostas de Matemática. Passei a notar, então, que Valéria nunca colocava jogos de Matemática no momento de diversificado. Além disso, vi que ela executava algumas atividades que não faziam parte do planejamento elaborado no início do ano, tais como pedir aos alunos que circulassem os números ditados e fizessem atividades de ligar pontos com base em sequências de números, daquelas que formam desenhos no final.

Diante disso, fui conversar com ela para entender melhor quais eram os objetivos que ela tinha definido para a turma de 4 anos da qual era responsável. Foi nesse momento que ela compartilhou comigo que não compreendia como as crianças aprendiam qual era a sequência e a escrita dos números a partir dos jogos. Ela disse também que já tinha tentado ensinar como se jogava alguns deles, mas que os pequenos não gostavam muito. Percebi que ela tinha muitas dúvidas porque sua experiência maior era com crianças mais velhas, do 3º e 4º ano do Ensino Fundamental.

O que fiz nessa situação? Perguntei se ela toparia receber uma assessoria individual e ver algumas propostas de trabalho com Matemática na Educação Infantil. Ela topou e começamos a procurar algum tempo para nos encontrarmos. Como ela não podia chegar mais cedo à escola, o jeito foi viabilizar um horário no período de aula. Conversei muito com a diretora para acharmos um jeito de atender os pequenos na ausência da professora e a solução que nos pareceu mais adequada foi utilizar o horário de lanche e de parque às quartas e sextas e deixar as crianças sob responsabilidade de uma funcionária, uma estagiária e dos outros professores que estavam no local no momento. Assim, eu teria uma hora com Valéria em cada um desses dias.

Com encontros garantidos, separei duas filmagens de situações de sala de aula para discutirmos na primeira semana de atendimento. Na primeira, crianças de 3 anos se envolviam num jogo de percurso. Na segunda, a turma de 4 anos jogava coletivamente a guerra de dados na lousa, jogo que envolve registro de quantidades e contagem de pontos. A ideia era problematizar o que os pequenos que apareciam nos vídeos sabiam, o que estavam aprendendo e quais eram as intervenções das professoras, além de refletir sobre o quanto a criança faz e refaz procedimentos matemáticos com um propósito claro e lúdico no momento do jogo. Escolhi também alguns textos que embasariam discussões como a diferença entre recitar os números, contar e quantificar. A ideia era que Valéria pudesse consultá-los caso surgissem dúvidas pontuais ou quisesse se aprofundar ainda mais no assunto.

Aos poucos, a professora começou a compreender o papel dos jogos e das intervenções em sala de aula e passou a se preocupar se todos estavam participando das situações didáticas e de que maneira ela poderia propor novos desafios. Para os encontros seguintes, ela sugeriu que discutíssemos cada um dos jogos e atividades previstos no planejamento e pediu mais sugestões de leitura.

Com o tempo, percebi que Valéria começou a diversificar as propostas em sala. Quando as crianças não se interessavam tanto, ela ainda se desanimava, mas agora sabia que contava com meu apoio para qualificar sua prática. Ela podia socializar preocupações e ouvir os desafios dos colegas em situações muito parecidas de aprendizagem.

Todo esse processo foi muito estruturante para Valéria e ela conseguiu aprofundar muito os conhecimentos sobre a didática da Matemática. Valeu a pena insistir para encontrar uma brecha na rotina e planejar encontros formativos específicos para ela.

Você também se organiza para atender as demandas particulares dos professores? Compartilhe como você faz isso.

Um abraço, Leninha


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