Critérios de seleção dos alunos para o grupo de apoio

Ao definir, no plano de intervenção pedagógica, que é necessária a formação de grupos de apoio, torna-se primordial, também, organizar um plano de ação para o funcionamento deles. Esse plano precisa contemplar desde a seleção dos alunos integrantes e dos professores que trabalharão nos grupos, até as reuniões preparatórias e a seleção dos conteúdos e das atividades que serão desenvolvidas.

Hoje, proponho a reflexão sobre a seleção e a identificação de alunos que necessitam de ajuda para que continuem avançando e que, portanto, farão parte dos grupos de apoio. Já me deparei com seleções em que mais da metade da turma foi indicada para participar dos grupos e as justificativas para isso eram baseadas, geralmente, em relatos orais. Como resolver essa situação? Um das estratégias que podem e devem ser utilizadas é o estabelecimento de critérios para o encaminhamento dos estudantes, baseados em dados reais e em registros consolidados.

Dentre os critérios para esta seleção destaco:

  • análise das produções dos alunos;
  • análise de dados das séries, como gráficos e tabelas, sobre o índice de alfabetização;
  • análise dos resultados das crianças com base em registros das atividades realizadas em sala de aula;
  • identificação  dos conteúdos em que os alunos apresentam mais dificuldades, como problemas de leitura, de interpretação de texto, de produção de texto e ortografia, e também de resolução de problemas ou memorização de conteúdo dos fatos fundamentais.

Ao solicitar que os professores selecionem os alunos, devemos pedir também que justifiquem os motivos das indicações. Assim, podemos identificar os critérios utilizados por cada docente e comparar com as normas citadas acima, estabelecidas para todo o conjunto. Muitas vezes, são indicados alunos com problemas de disciplina, concentração e atenção ou alunos com necessidades educacionais especiais (NEE). Para muitos desses, o grupo de apoio pode não ser a estratégia mais indicada.

Após os professores finalizarem a seleção, cabe a nós, coordenadores, questionar: Como organizar esses alunos de forma a atender as necessidades de aprendizagem que eles possuem? Como saber se eles realmente precisam da ajuda do grupo de apoio?

Neste momento, novamente é preciso ouvir os professores e discutir com eles o nível de aprendizado de cada estudante, oferecendo condições para que os docentes percebam que se tratam de necessidades de aprendizagem diferentes e, por isso, os grupos deverão ser divididos de acordo com tais características e não por série ou faixa etária. Isso pode ser realizado, por exemplo, em grupos de alfabetização, de ampliação das práticas de leitura e escrita, de desenvolvimento e de resolução de problemas matemáticos.

É importante criar instrumentos de avaliação que colaborem com todo esse processo. Logo no início da organização dos grupos, é preciso realizar uma avaliação diagnóstica para detectar quais são, de fato, as necessidades de aprendizagens e, com base nisso, levantar as  habilidades e os conteúdos que serão trabalhados. Outro foco é identificar se os estudantes realmente apresentam as dificuldades que os docentes indicaram.

Todo esse processo deve ser discutido com o diretor e apresentado para os pais. Eles devem ser informados sobre os motivos da formação dos grupos, o processo de seleção dos alunos e o plano de trabalho do professor que trabalhará com as crianças, além de detalhes como periodicidade, carga horária, local e quantidade de estudantes. Com tudo organizado e todas as partes de acordo, é partir para a ação!

Aproveito o tema para fazer um convite: a partir de sexta-feira (22 de agosto) você pode acessar a nova edição da revista digital GESTÃO ESCOLAR em iba.com.br/ge. A matéria de capa trata dos grupos de apoio e a leitura certamente poderá contribuir com a reflexão que estamos fazendo aqui no blog!

E vocês, como organizam e definem a seleção dos alunos? Troque conosco sua experiência!

Até a próxima quinta-feira!

Eduarda


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Formação em Música? Sempre preciso estudar muito!

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Alunos do professor de música Roberto Schkolnick ouvindo Adoniran Barbosa, na Escola Jacarandá (Foto: Marina Piedade)

Alunos do professor de música Roberto Schkolnick ouvindo Adoniran Barbosa, na Escola Jacarandá (Foto: Marina Piedade)

O professor de escola de Educação Infantil e do primeiro ciclo do Ensino Fundamental é chamado de polivalente. Ou seja, esse profissional precisa conhecer os conteúdos de Língua Portuguesa, de Ciências, de História, de Geografia, de Matemática, de Artes Visuais, de Educação Física, de Movimento e de Música. Mas isso não é só. Além dos conteúdos, ele também precisa conhecer a didática de cada área para poder elaborar boas situações de aprendizagem e ser uma fonte para as crianças.

É claro que, com tanta coisa, sempre tem uma área que temos menos conhecimento e mais dificuldades para compreender. O meu desafio é a Música! Como é difícil quando eu preciso refletir, abordar e ajudar os professores nos planejamentos e encaminhamentos desse eixo. Por mais que eu tente, minha dificuldade é enorme e deixo muito a desejar!

E olha que eu adoro ouvir música quando estou no carro ou em casa. Estou sempre curtindo MPB , bossa nova, rock ou samba de raiz.  Meu marido é envolvido com essa área, meus filhos têm ótimo ouvido e entendem do assunto e, na minha casa, temos até um piano. Além disso, tenho formação em Arte e tive aula de Música na faculdade!

Quando eu atuava em sala de aula, cantava diariamente com as crianças. Eu tinha um amplo repertório infantil e os pequenos gostavam muito. Hoje, penso que outras professoras que me ouviam cantar deviam ficar preocupadas com tamanha desafinação. Ainda bem que as crianças, muito espertas e com muito mais ritmo do que eu, logo assumiam a cantoria. Eu também colocava músicas clássicas orquestradas nos momentos de arte ou de relaxamento para que pudessem apreciar outros estilos, bem diferentes dos que são mais veiculados na TV e no rádio.

Preciso fazer formação nesse eixo. E agora?

Já atuo há algum tempo como formadora de professores, mas, apesar da dificuldade, nunca me furtei a planejar as formações em Música. Sempre pedia ajuda para os professores com mais conhecimento nesse eixo, assumindo tranquilamente toda a minha dificuldade.  Ainda bem que, nos grupos de professores, sempre tem um ou dois que são dessa área e sempre me ajudaram.

Nos últimos anos, também participei de vários cursos e oficinas. Apreciei muito as aulas, mas, visivelmente, eu tinha mais dificuldade que outros colegas.

O último curso que fiz foi com uma profissional muito competente, chamada Gabriela Vasconcelos Abdalla. Ela é uma professora de Música com muita experiência na Educação Infantil. Aprendemos várias brincadeiras utilizando elementos constituintes do som (altura, duração, timbre e intensidade) com canções infantis do nosso folclore. Foi muito bom! É claro que anotei e gravei tudo para depois, junto com as professoras sabidas em Música, poder planejar as formações.

Outro material que vale a pena ter é o livro Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança (204 págs., Ed. Peirópolis tel. 11/3816-0699, 49 reais), da Teca Alencar de Brito. De uma maneira muito convidativa, a autora nos sugere várias atividades de interpretação e criação de canções, jogos que reúnem som, movimento e dança, jogos de improvisação e escuta sonora e musical, entre outros. O livro é repleto de boas orientações didáticas para o trabalho com o som na Educação Infantil, possibilitando a elaboração de sequências e projetos bem bacanas.

Enfim, com a ajuda do curso, do livro e principalmente de alguns professores, foi possível até eu fazer a formação nesse eixo!

Algum eixo também é desafio para você? Compartilhe!

Um abraço, Leninha


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Como viabilizar grupos de apoio

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Criar grupos de apoio para alunos com dificuldades os estimula a continuar aprendendo. (Foto: Manuela Novais)

Na escola em que trabalho, uma das estratégias para tentar sanar as necessidades de aprendizagens dos alunos é a participação deles em grupos de apoio. Esses encontros ora são realizados no mesmo turno de estudos das crianças, ora no contraturno. O objetivo dessa alternância é garantir a participação de todos, independentemente da disponibilidade de transporte ou dos locais onde moram.

Ao desenvolver essa estratégia, é preciso ter muito claro que o trabalho em sala de aula deve ser cada vez melhor, de modo que tenhamos cada vez menos esses grupos. Essa ação é uma das metas do plano de intervenção pedagógica e é avaliada a cada semestre letivo durante o replanejamento. Abaixo, explico a vocês como ela funciona.

Para que serve o grupo de apoio? Para que os alunos se sintam acolhidos nas suas dificuldades e não desistam de aprender. Também usamos o encontro para atender as necessidades específicas dos estudantes. Uma das metas é não gerar o fracasso escolar e estigmas relativos à “incapacidade” das crianças.

Por que ele é feito? Porque os alunos são diferentes uns dos outros, têm necessidades e tempos de aprendizagem distintos e podem ter dificuldades momentâneas, que precisam ser cuidadas para que não se tornem permanentes.

Para quem é? Para alunos que necessitam de um tempo maior e de intervenções diversificadas para a aprendizagem de determinados conteúdos. Por isso, fazemos a seleção dos alunos com critérios bem definidos.

Muitas vezes, é comum que os professores indiquem muitos estudantes para um mesmo grupo. Para evitar a superlotação, fazemos avaliações diagnósticas para selecionar as crianças, registramos os saberes delas e definimos como serão direcionadas as estratégias pedagógicas.

Como viabilizar os grupos de apoio? Para iniciar o trabalho com os grupos e manter a rotina de aprendizagem, algumas condições precisarão ser criadas na escola. Dessa forma, faz-se necessário pensar em alguns aspectos:

• Critérios de indicação dos alunos aos grupos de apoio da escola;

• Seleção e permanência (ou não) dos alunos dos grupos de apoio. A ideia é que essa não seja a única estratégia para sanar as dificuldades dos estudantes;

• Quantidade de grupos de apoio, considerando o número de alunos e de professores;

• Horário de funcionamento dos grupos de apoio (turno ou contraturno);

• Espaço para as aulas de apoio;

• Materiais necessários nessas salas, como letras móveis, cartazes com as letras do alfabeto e outros que sejam necessários;

• Formação de todos os professores da escola para evitar que compreendam este espaço de apoio como transferência de responsabilidades pela aprendizagem dos alunos;

• Intercâmbio entre os professores dos alunos. Para isso, reservamos um horário de reunião entre os professores para compartilhar impressões sobre a aprendizagem dos alunos;

• Relação das crianças com esse outro espaço de aprendizagem. A ideia é pensar em como convidar os alunos a participar desses grupos e como tratar do assunto com os familiares.

Organizar tudo isso requer tempo, dedicação e experiência dos professores envolvidos. O planejamento das estratégias, das atividades que serão aplicadas e os registros de avaliação precisam ser feitos para que todo o processo possa ser acompanhado e avaliado.

Vocês possuem ações como essa na escola que atuam? Compartilhem conosco!

Um abraço, Eduarda


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Os professores querem fazer projetos diferentes no eixo Natureza e Sociedade. E agora?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
No projeto

No projeto “Quem mora no castelo?”, as crianças comparam diferentes aspectos da vida cotidiana de reis, rainhas, cavaleiros e outros empregados de um castelo (Foto: Gabriela Portilho)

No primeiro semestre deste ano, fiz uma formação extensa sobre o eixo de Natureza e Sociedade na Educação Infantil em uma escola para a qual estou fazendo assessoria. Durante as reuniões, discutimos os critérios para definir um projeto bacana para promover o interesse das crianças pela pesquisa e para estabelecer conexões com os conhecimentos prévios dos pequenos. Na época, todos os professores acharam legal pesquisar sobre as aves e batizou o projeto de “Voa ou não voa?”. Com base em muitos livros bacanas, a turma pôde observar diferentes aves, ouvir o relato de experiências de algumas pessoas que entendiam do assunto e participar ativamente das diferentes situações didáticas. As atividades foram um sucesso entre todos os professores e todas as crianças.

Neste semestre, no entanto, isso não aconteceu. Logo no início do planejamento dos projetos dos últimos meses letivos, surgiu um impasse no trio de professoras das turmas de 4 anos: duas delas queriam propor a pesquisa sobre a vida na Idade Média com o projeto “Quem mora no Castelo?”, mas uma delas, a Dora, não queria realizá-lo de jeito nenhum!

Eu e as colegas da Dora apresentamos vários argumentos para convencê-la: as crianças já possuem alguns conhecimentos via histórias de contos de fada; existem vários filmes que mostram as vestimentas, o tipo de alimentação e os meios de transporte, como O Homem da Máscara de Ferro e Coração Cavaleiro (uma das professoras já havia selecionado algumas cenas!); um dos cantos de faz de conta da sala poderia ser um mini castelo com fantasias, trono, coroas, joias e espadas de plástico, entre outros acessórios. As duas professoras a favor do projeto acreditavam que seria muito bacana buscar e comparar os diferentes aspectos da vida cotidiana de reis, rainhas, cavaleiros e outros empregados de um castelo. Dessa forma, as crianças poderiam ir além de apenas se fantasiar de príncipes e princesas.

Nada disso fez a Dora mudar de ideia.

Por que a professora não queria realizar o projeto?

Dora tinha uma experiência de projeto com essa temática que não havia sido feliz.  Na ocasião, o tema lhe foi imposto e também havia muito pouco material de pesquisa para realizar o trabalho. Ela ainda guardava más lembranças e não havia meios de convencê-la de que agora seria diferente. Por isso, ela achava que existiam outros temas mais instigantes e menos chatos para pesquisar do que o modo de vida da Idade Média.

A contraproposta da professora era fazer um projeto sobre um tema relacionado aos fenômenos da natureza, como a influência dos planetas, do sol e da lua na vida das pessoas. O argumento dela era que já possuía materiais de pesquisa e que as crianças poderiam entrevistas algumas pessoas a respeito de conhecimentos empíricos e científicos. Além disso, os pequenos se interessariam mais sobre esse assunto. Na turma dela, inclusive, ela já havia observado que as crianças possuíam hipóteses interessantes sobre a Terra, o dia e a noite, a chuva e o sol, e outros aspectos.

O que fazer?

As duas propostas de projetos eram boas e passíveis de instigar as crianças a levantar hipóteses, se contagiar pela curiosidade no tema e investigar diferentes materiais de qualidade, como livros, vídeos, sites e entrevistas.

A direção da escola gostaria que as turmas fizessem o mesmo projeto. Algumas tentativas de consenso foram feitas, mas nenhuma parte cedia. Nesse caso, a solução mais prudente foi permitir que acontecessem dois projetos diferentes. A justificava para essa decisão foi que o interesse e disponibilidade de professor e das crianças precisavam estar em foco e, por isso, se levaria em consideração os temas que mestre e alunos demonstravam mais interesse – na sala da professora Dora, por exemplo, os pequenos já tinham várias curiosidades sobre os fenômenos da natureza, incentivados por ela. O objetivo das atividades seria estabelecer conexão com os conhecimentos prévios das crianças e lhes dar possibilidade de fazer boas pesquisas e perguntas e aprender de maneira lúdica e instigante. Dessa forma, as situações didáticas prevaleceriam sobre a temática.

A escola, por outro lado, também ganharia com a diversidade de projetos realizados, porque teria duas propostas escritas e testadas no seu portfólio de planejamentos.

E na sua escola, já aconteceu algo semelhante?

Um abraço, Leninha


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Trabalho de campo: como coletar e utilizar dados sobre o ensino

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

O foco da observação precisa ser planejado e organizado numa planilha para registro. (Foto: Manuela Novais)

Somente quando paramos para refletir sobre nossa própria rotina é que percebemos o quanto trabalhamos para melhorar a prática dos professores em sala de aula, vocês não acham? Já mencionei em um texto anterior que utilizo a análise de cadernos como ferramenta pedagógica para diagnosticar o que vem sendo desenvolvido pelo docente em sala de aula e identificar possíveis conteúdos que vão fazer parte do plano de formação. Na verdade, essa análise faz parte de um trabalho de campo um pouco mais amplo, realizado por mim e por muitos outros coordenadores na escola regularmente.

O que é o trabalho de campo?

Ele é uma ação que engloba a coleta e/ou registro de dados, obtém informações relativas ao fenômeno observado ou ao objeto de estudo. Na função de coordenador, esse mecanismo é utilizado quando surge a necessidade de observar, num período determinado de tempo, o cotidiano e a rotina da escola, a prática e a gestão da sala de aula, o planejamento do professor e a comparação entre o conteúdo que deve ser ensinado e o que está sendo ensinado. Enfim, são fatores que demonstram qual é o objeto de ensino e o que as crianças estão, de fato, aprendendo.

Ao observar tudo isso, posso diagnosticar como está sendo desenvolvido o trabalho pedagógico da escola, identificar o que está sendo trabalhado pelo professor, quais são as estratégias utilizadas e se o que está sendo discutido em reuniões pedagógicas está chegando à sala de aula.

O que é preciso para realizar o trabalho de campo?

  • Definir o espaço de tempo em que o trabalho de campo será realizado;
  • Listar os objetos de análise (cadernos, espaço da sala de aula, planejamento do professor,  o registro do docente em sala);
  • Levantar que aspectos serão observados (pauta de observação e tabulação)
  • Comunicar ao professor que o trabalho será realizado e que o resultado terá uma devolutiva individual. Caso mais de um profissional tenha a mesma necessidade, o conteúdo vira tema de formação;
  • Registrar o documento com fotos e reflexões;
  • Socializar com a gestão da escola o trabalho pronto;
  • Fazer uma devolutiva para o professor apresentado os tópicos observados;
  • Ouvir do docente o que ele pensa sobre o foco de análise e quais serão as possíveis ações de intervenção;
  • Elencar os indicadores de aprendizagens dos professores e ter clareza sobre quais intervenções podem ser realizadas de imediato e quais precisam estar num plano de formação.

O resultado desse trabalho me permite acompanhar e monitorar o percurso pessoal da prática de cada docente, de acordo com os conteúdos discutidos ao longo do processo de formação. Dessa forma, consigo levantar os indicadores de aprendizagem dos professores e planejar as intervenções.

Como exemplo, gostaria de compartilhar um trabalho de campo que foi realizado na escola que coordeno hoje, que pode ser acessado aqui.

E vocês, realizam registros de observações dos saberes e necessidades dos professores que coordenam?

Até a próxima quinta-feira!

Abraços, Eduarda


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A história de João e de sua integração na escola

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A adaptação e integração de crianças que entram pela primeira vez numa escola podem ser difíceis. (Foto: Shutterstock)

A adaptação e integração de crianças que entram pela primeira vez numa escola podem ser difíceis. (Foto: Shutterstock)

João (nome fictício) começou a frequentar a escola no início do segundo semestre. Aos 5 anos de idade, era a primeira vez que ele entrava numa instituição de ensino. O grupo de professores e os gestores já tinham lidado com casos como esse antes, no entanto, com João havia algumas especificidades que nunca haviam sido vivenciadas.

A adaptação do menino não foi nada fácil. Nos primeiros dias, ele ficava o período inteiro num canto e não brincava nem conversava com os colegas, por mais que a professora e algumas crianças o convidassem para jogar bola ou ir ao canto de faz de conta. João não se soltava e grudava no irmão mais velho, que lhe fez companhia o tempo todo. O irmão também não se comunicava muito, porque era bastante tímido e sempre abaixava a cabeça quando lhe perguntavam algo.

Foram quatro dias sem nenhum sucesso.

Na sexta-feira, quinto dia que João estava na escola, a mãe da Mariana (nome fictício), uma colega do menino, trouxe um par de tênis e dois agasalhos para o garotinho novo da sala a pedido de sua filha, que estava muito preocupada. Mariana havia dito à mãe que estava fazendo muito frio e o colega só usava chinelo e uma blusinha fininha. Outra coleguinha também havia lhe contado que João morava próximo a sua casa e que sua família era bem pobre e habitava uma casinha de madeira que não tinha banheiro. Sensibilizada, a mãe da menina pediu à filha que mostrasse o garoto para ter noção de seu tamanho e providenciou o tênis e os agasalhos.

Achamos uma graça a preocupação da Mariana e a atenção da mãe, mas também ficamos um pouco preocupadas, pois a turma parecia saber bastante sobre o João e a escola não. Até aquele momento, nem as professoras nem as gestoras tinham encontrado os familiares, porque a matrícula do menino foi efetuada pelo pai durante o recesso e ninguém compareceu à primeira reunião de pais do segundo semestre. Os convites para marcar um horário para conversar enviados para casa através do irmão também ficaram sem resposta.

Uma visita que fez toda diferença

O jeito foi ir até a casa da criança. E quantas foram as descobertas ao chegar lá! De fato, a moradia do João era um barraco feito de tábuas no quintal da casa de uma tia. Foi ela que recebeu a professora e contou um pouco sobre a história da família. Os pais eram analfabetos (por isso, de nada adiantava enviar bilhetes para a família), assim como o irmão mais velho, que sempre largava a escola para trabalhar nas colheitas. Os dois meninos passam os dias sozinhos e livros, papéis e lápis eram materiais inéditos ao caçula. Outra informação que nos chamou atenção foi que nenhum dos dois sabia utilizar o banheiro – eles corriam para o mato sempre que precisavam fazer suas necessidades, como era costume na região da qual vieram.

A história que a tia nos contou só contribuiu para que todos da equipe escolar tivessem um olhar diferenciado para o processo de adaptação de João. Por isso, elencamos algumas estratégias específicas para integrar o menino, como apresentar cada espaço da escola, ensiná-lo a usar o banheiro e talheres e convidar seu irmão para participar de algumas atividades com ele, como pedir que cuidasse do grupo que jogava bola no campinho – nessa hora, os professores apenas observavam de longe para não intimidar.

Na sala, a professora apresentou o material do dia a dia e, em vez de insistir para que João o utilizasse, preferiu dividir tudo em duas caixas: uma com giz de cera, canetinhas e papéis e outra com jogo de encaixe e alguns carrinhos. A ideia era que, a cada dia, o menino levasse uma caixa para casa e fosse se familiarizando aos poucos com os objetos utilizados nas aulas e também tivesse materiais para brincar junto com o irmão.

Como crianças são muito espertas e se adaptam muito mais rapidamente do que adultos, alguns dias já levaram João a se entrosar um pouco melhor com o grupo e se arriscar a jogar bola com os colegas. Foi na hora da história que o menino começou a se soltar mais. Ele ficava encantado e se permitia rir e se fascinar com o mundo mágico da literatura.

Agora, além de continuar o processo de adaptação e de conquista da autonomia na escola, temos o objetivo de ensiná-lo a escrever o nome próprio e incentivá-lo a participar das diferentes situações didáticas.

Você já passou por uma situação tão delicada assim? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


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Cronograma de ações do coordenador pedagógico

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O estabelecimento de um cronograma com metas objetivas, de curto e médio prazos, ajuda o coordenador a aproveitar melhor o tempo na escola (Foto: Manuela Novais)

O estabelecimento de um cronograma com metas objetivas, de curto e médio prazos, ajuda o coordenador a aproveitar melhor o tempo na escola (Foto: Manuela Novais)

No dia a dia da escola, vão surgindo inúmeras situações que acabam alterando o planejamento previsto. São pais que aparecem na escola sem marcar horário, problemas que o professor não conseguiu administrar sozinho na sala de aula, docentes que tiveram de se ausentar por algum motivo, materiais pedidos que não ficaram prontos… No fim da jornada, sempre tenho aquele sentimento de algo que ficou para trás.

Dentro da minha rotina, uma das minhas reflexões cotidianas é como eu poderia lidar melhor com o tempo para poder atender a todas as demandas.  O meu período de trabalho na escola é de 24 horas semanais e eu coordeno uma equipe de dez docentes, além de ter de cumprir outras funções, como fazer observação de sala de aula e fazer reuniões com a minha diretora. Como dar conta de todas essas responsabilidades em tão pouco tempo?

Uma das estratégias que utilizo é o estabelecimento de um cronograma com as ações semanais e mensais que devo realizar em busca das minhas metas estabelecidas no bimestre que estão  de acordo com o plano de intervenção pedagógica e o plano de formação dos professores. Em um dos textos que escrevi aqui no blog (clique aqui para ler), sobre esse último plano, mencionei que organizo um cronograma para cumpri-lo. Hoje, vou fornecer mais detalhes sobre ele.

Como organizo o cronograma

O meu cronograma é bem simples e construído depois de levantar os conteúdos e determinar o plano de formação. Nesse documento consta como e quando vou cumprir tudo, assim, evito me perder com as tarefas imprevistas.

Como exemplo, gostaria de compartilhar o meu cronograma do início deste bimestre (clique aqui para vê-lo). Ele possui as seguintes metas:  avaliação do primeiro semestre, replanejamento,  apoio aos professores no levantamento dos conteúdos do bimestre, cumprimento do  plano de formação,  organização da rotina dos docentes  e previsão de avaliações internas. Muita coisa para apenas dois meses, não? A saída é realmente a organização.

Como formato esse documento

  •  Organizo uma tabela e a preencho com as ações que devo realizar, quais serão as estratégias usadas, as funções dos envolvidos e quais materiais serão utilizados;
  • Coloco o que e quem deverá cumprir a ação/atividade naquela semana ou dia para que, no prazo estabelecido, eu consiga identificar o que eu devo fazer e o que os professores  precisam me entregar. Por exemplo, se tenho uma reunião de análise de dados da escola, começo a pensar na duração desse encontro e em quais condições deverão ser garantidas para conseguir chegar ao meu objetivo. Para isso, muitas vezes antecipo também o cronograma dos professores, que preparam os materiais que vamos usar com antecedência;
  • Costumo utilizar cores para poder identificar bem rapidamente o que é minha tarefa e qual é a dos professores;
  • Ao determinar um conteúdo no plano de formação dos docentes, planejo quais materiais vou utilizar e de que forma. Por exemplo, se vou discutir o conteúdo “pontuação” na formação dos professores, peço a eles que planejem uma atividade com o conteúdo e faço previsão de uma observação de sala. Tudo isso para colher subsídios e escrever adequadamente a pauta da reunião, também já determinada no cronograma;
  • Comunico e compartilho com os professores o documento, pois eles devem saber quais são as ações previstas para aquele bimestre e poder enxergar o processo formativo.

Ao comparecer na supervisão semanal comigo, após o conhecimento do cronograma, o professor já tem em mente o que vamos planejar ou qual será nossa reflexão para o período.

E vocês? Também organizam cronogramas mensais ou semanais?

Abraços, Eduarda


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Espaço: a organização também é uma intervenção pedagógica

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Na Educação Infantil, a conquista da autonomia é um dos principais objetivos. Por isso, a organização do espaço é determinante na aprendizagem das crianças (Foto: Gabriela Portilho)

Na Educação Infantil, a conquista da autonomia é um dos principais objetivos. Por isso, a organização do espaço é determinante na aprendizagem das crianças (Foto: Gabriela Portilho)

Nas salas de aula da Educação Infantil, a organização do espaço, dos materiais e dos brinquedos é determinante na aprendizagem das crianças. Nessa etapa da escolaridade, a progressiva conquista da autonomia é um dos principais objetivos.

É fundamental sempre reorganizar as salas de aula, com a renovação de cartazes, listas e jogos, o descarte de materiais e brinquedos quebrados ou sem peças, a arrumação do canto da leitura e a troca da temática do canto de faz de conta. Se no semestre passado era uma cozinha, agora pode ser um pet shop, um supermercado ou uma fazendinha. Assim, a turma pode inventar novas brincadeiras.

Para fazer tudo isso, o professor precisa de tempo e do apoio da equipe gestora. Vamos refletir sobre como você pode ajudar?

Formação com foco no espaço

Antes de partir para a organização, é interessante fazer uma formação coletiva sobre a importância do espaço na aprendizagem dos pequenos. A discussão deve tratar, inclusive, sobre a questão estética e a forma como um ambiente “clean” interfere no bem-estar de todos.

Acredito que não há nada melhor que refletir e discutir coletivamente para potencializar o olhar de cada professor.

Uma possibilidade bacana é visitar outra instituição com o olhar na organização do espaço.  É impressionante como existem soluções extraordinárias para os cantos de faz de conta, leitura e prateleiras de arte e jogos. Conheci um canto que era uma churrasqueira muito bacana e toda feita de caixas de papelão com direito a vários acessórios. A criançada curtia muito!

Se não for possível se deslocar, dentro da própria escola já será possível ampliar o olhar do professor se planejarmos uma reunião com esse foco.  Abaixo, compartilho com vocês uma proposta de pauta para esse encontro, que deve ser compartilhada previamente com os professores.

Pauta da formação sobre espaço

  1. Cada professor responde individualmente a questão: “Como a organização do espaço interfere na aprendizagem das crianças?”.
  2. As respostas são socializadas e ampliadas com base na leitura de um trecho do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – Volume 1 (clique aqui para acessar o documento ) que trata da acessibilidade dos materiais.

 Outro ponto importante a ser ressaltado diz respeito à disposição e organização dos materiais, uma vez que isso pode ser decisivo no uso que as crianças venham a fazer deles. Os brinquedos e demais materiais precisam estar dispostos de forma acessível às crianças, permitindo seu uso autônomo, sua visibilidade, bem como uma organização que possibilite identificar os critérios de ordenação.

É preciso que, em todas as salas, exista mobiliário adequado ao tamanho das crianças para que estas disponham permanentemente de materiais para seu uso espontâneo ou em atividades dirigidas. Este uso frequente ocasiona, inevitavelmente, desgaste em brinquedos, livros, canetas, pincéis, tesouras, jogos etc. Esta situação comum não deve ser pretexto para que os adultos guardem e tranquem os materiais em armários, dificultando seu uso pelas crianças. Usar, usufruir, cuidar e manter os materiais são aprendizagens importantes nessa faixa etária. A manutenção e reposição destes materiais devem fazer parte da rotina das instituições e não acontecer de forma esporádica. (RCNEI, Volume 1 – página 71)

  1. Os professores são convidados a visitar todas as salas de aula e preencher a seguinte tabela, com base na observação.
Número da sala ………………. ………………. ……………….
Boas soluções ………………. ………………. ……………….
Sugestões de melhoria ………………. ………………. ……………….

De volta à sala de reuniões, todos compartilham as anotações.Se houver mais de cinco professores na reunião, é pertinente que preencham os impressos em duplas. Diga a eles que a ideia é poder contar com o olhar de diferentes pessoas e que, coletivamente, podemos potencializar as organizações das diferentes salas.

  1. Por fim, cada professor vai à sua sala para começar o trabalho.

Como é a sala ideal de Educação Infantil

Abaixo, listei alguns detalhes que merecem atenção e que acredito fazer toda a diferença na sala de aula:

  • Salas com muitos enfeites ficam poluídas. Os materiais e brinquedos já são suficientemente coloridos para deixar o ambiente alegre;
  • Cartazes e listas devem ficar ao alcance dos olhos das crianças, afinal, a função é despertar o comportamento leitor, ainda que as crianças pequenas só o imitem no início da escolaridade;
  • O ato de forrar prateleiras com papel deve ser repensado. Em pouco tempo, ele rasga, descola ou desbota, deixando o ambiente mal arrumado;
  • Quando se tem muitos brinquedos ou jogos de encaixe é possível fazer um revezamento, guardando alguns e disponibilizando outros semanalmente;
  • Pintar, encapar e identificar latas para canetas e pincéis e caixas de jogos, para folhas de desenho ou objetos de pintura é uma boa alternativa para facilitar o acesso das crianças.

São muitas as possibilidades de melhoria no espaço e na organização dos materiais, inclusive nos ambientes de responsabilidade do coordenador, como a sala de formação e os materiais de uso coletivo dos professores. Por isso, que tal reservar um tempinho para cuidar dessa arrumação? Compartilhe conosco como você incentiva a organização do ambiente na sua escola.

Um abraço, Leninha.


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Análise dos cadernos dos alunos, uma ferramenta de trabalho

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo e são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos (Foto: Manuela Novais)

As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo e são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos (Foto: Manuela Novais)

Existem muitas formas possíveis de acompanhar o trabalho dos professores na escola, não é mesmo? Eu considero a análise dos cadernos das crianças uma das mais interessantes e reveladoras. As anotações feitas pelos alunos revelam as práticas de ensino dos docentes em um determinado tempo. E mais: são bons indícios de como andam as aprendizagens dos alunos, da estrutura das aulas e das sequências das práticas em sala de aula.

Para definir alguns dos temas que serão trabalhados nos encontros de formação, realizo periodicamente a análise do material das crianças e observo como os conteúdos foram trabalhados. Fazer isso regularmente, pelo menos quatro vezes no bimestre, é importante porque as estratégias pedagógicas utilizadas podem mudar de acordo com o conteúdo trabalhado pelos professores.

É interessante observar como um mesmo docente pode, por exemplo, considerar o uso de diferentes estratégias para uma mesma atividade de Matemática e, outras vezes, apresentar um novo conteúdo através de uma explicação primeiro para depois aplicar várias atividades de fixação. Em Língua Portuguesa, essas diferenças também acontecem. Muitas vezes, os professores conseguem identificar o tipo de habilidades de leitura que devem cobrar e trabalham com textos variados, mas não mantêm uma regularidade de um determinado gênero para que os alunos entendam a linguagem e os recursos que são comumente utilizados.

Como eu acompanho os cadernos?

Reservo datas em meu cronograma que serão dedicadas a essa análise mais aprofundada das anotações das crianças. Como ali existem muitas informações, é possível analisar diferentes aspectos. Para que eu não me perca e faça um trabalho bem focado, organizo uma pauta de observação, na qual escrevo os registros importantes que depois servirão de apoio para o planejamento do plano de intervenção pedagógica.

Não procuro dar conta de todos os aspectos em uma única leitura, por isso, escolho um deles para cada dia. Listei abaixo algumas sugestões de análise, baseada na minha própria experiência:

  • Análise geral do uso do caderno: sequência, cuidado, organização;
  • Análise de aspectos específicos do uso: referências para localização de temas/conteúdos estudados, cronologia, qualidade dos registros, existência de um roteiro diário para organização do dia e facilitar o acompanhamento dos pais;
  • Estratégias e propostas de ensino: se são diversificadas e diferenciadas de acordo com as necessidades de aprendizagens dos alunos;
  • Como são as anotações realizadas pelos alunos? Há registros do que estão aprendendo?
  • Quais e como os conteúdos foram trabalhados pelo professor? Estão de acordo com o planejamento curricular?
  • O caderno possui registro do professor? Como ele registra suas observações a respeito do processo do aluno e faz a devolutiva escrita para eles;
  • Qual é o objeto de ensino do professor? Qual é a concepção de ensino do professor?
  • Quais atividades foram oferecidas e o tempo destinado para desenvolvê-las? As atividades são desafiadoras?
  • Possui propostas de produção de texto?
  • Qual foi a base do planejamento do professor? Foi apenas o livro didático ou ele utiliza outro recurso?
  • O caderno tem uma relação com a rotina do professor?

E vocês, coordenadores, observam o caderno dos alunos? De quanto em quanto tempo? E de que forma?

Abraços e até quinta-feira


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Os afazeres de reinício na Educação Infantil

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
No meio do ano, o coordenador pedagógico já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos. (Foto: Gabriela Portilho)

No meio do ano, o coordenador pedagógico já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos. (Foto: Gabriela Portilho)

Existem algumas vantagens para o coordenador pedagógico no recomeço do ano letivo. Além de ter um olhar mais focado, ser capaz de fazer reflexões mais pontuais e ter maior clareza sobre as metas a ser atingidas devido ao distanciamento de algumas semanas do dia a dia escolar, ele já conhece o grupo de professores e sabe quais são os pontos fortes e fracos.

Abaixo, listei as ações que considero pertinentes para essa época do ano.

Planejar a reunião de retorno. Acho importante ter clareza do que cada turma deve aprender até o final do ano. É bom, então, retomar as expectativas de aprendizagem de cada eixo e, junto com o grupo de professores, marcar o que já foi assegurado e o que precisa ser alcançado nos próximos meses nos diferentes níveis. Vale a pena preparar o material com base nas análises efetuadas no final do primeiro semestre.

Se fizermos isso envolvendo todos os professores da escola, temos a possibilidade de compartilhar as responsabilidades e de fazer todos se comprometerem coletivamente. Uma coisa é saber da sua turma, outra é você se sentir parte de um projeto pedagógico, compreender que o que os seus alunos aprendem ou precisam aprender estará ancorado no fazer pedagógico de cada professor do nível anterior ou posterior.

Auxiliar a revisão e a adequação dos projetos e sequências. O coordenador é o parceiro mais experiente e tem um olhar longitudinal sobre as aprendizagens. Por isso, ele será o apoiador e orientador dos professores. É na prática e com muito estudo que se aprende a fazer intervenções pertinentes e a ajudar o grupo. Por isso, antes da reunião de retorno, é preciso reler todos os planejamentos, compará-los e retomar conteúdos através de cursos, pesquisas com colegas ou na internet. De qualquer maneira, é necessário estar preparado para poder contribuir com sugestões de encaminhamentos.

Revisar e adequar o planejamento de formação dos professores. Nesta época, em geral, já temos um planejamento em mãos, feito no início do ano. Entretanto, é bom rever o que não foi alcançado no primeiro semestre e ajustar o projeto conforme as necessidades de aprendizagem e aperfeiçoamento dos professores.  É preciso ter um foco claro, definir o que precisa ser aprendido e quais estratégias formativas podem favorecer a reflexão e o impacto na prática pedagógica dos professores. O melhor a fazer sempre será refletir sobre aquilo que está acontecendo na prática da sala de aula, ler sobre o assunto, discutir encaminhamentos, combinar de levar a teoria para a prática e retomar a discussão com base em filmagens. A tematização da prática é o que, de fato, permite ao professor um olhar mais refinado nas didáticas de cada eixo.

Atendimentos individuais. A essa altura, o coordenador já sabe quais professores precisam de mais ajuda e é por eles que o agendamento de reuniões deve começar. Em geral, é muito difícil conseguir um horário para fazer orientação individual, portanto, é preciso privilegiar os que mais têm dificuldade. A ideia desse encontro é ajudar o docente, discutindo a gestão de sala de aula e os encaminhamentos pontuais com algumas crianças.

Recomeçar bem o ano letivo pode fazer toda diferença para um semestre de muitas conquistas para cada professor e cada criança. Os primeiros passos para isso são o planejamento e o profissionalismo do coordenador pedagógico.

Compartilhe conosco o que você faz nessa época do ano!

Um abraço, Leninha


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