Como elaborar projetos institucionais em parceria com a equipe docente

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A elaboração de um projeto institucional surge a partir da necessidade de resolver uma situação que incomoda, e, por isso, precisa ser compartilhada e discutida com todos em busca de soluções. (Foto: Manuela Novais)

A elaboração de um projeto institucional surge a partir da necessidade de resolver uma situação que incomoda e precisa ser discutida com todos em busca de soluções. (Foto: Manuela Novais)

Uma das funções do coordenador, em parceria com a gestão, é envolver os professores nas diversas propostas que a escola desenvolve com base no projeto político-pedagógico (PPP). Ao observar o cotidiano e a prática da sala de aula, ele precisa refletir e estudar sobre os problemas encontrados com base em um planejamento aprofundado.

A elaboração de um projeto institucional surge a partir da necessidade de resolver uma situação que incomoda, e, por isso, precisa ser compartilhada e discutida com todos em busca de soluções. Por isso, é importante socializar as dificuldades da escola com toda a equipe e a comunidade, organizando reuniões e planejando ações para que os docentes reflitam sobre a importância do trabalho coletivo. Nesse processo, o coordenador deve assumir o papel de articulador, garantindo o compromisso de todos com a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem.

Para resolver um problema diagnosticado, a equipe gestora tem a função de traçar metas e definir objetivos a ser alcançados. Após o diagnóstico, é o momento de analisar a realidade da escola, refletindo sobre os conteúdos envolvidos e como desenvolvê-los. A questão deve ser discutida com toda a equipe docente para que, em seguida, sejam elaboradas as etapas do processo e definidas as funções de cada um. Quando a equipe escolar está envolvida no planejamento e execução desse plano, os docentes se sentem responsáveis pelas mudanças a serem alcançadas e o projeto se transforma em uma metodologia de trabalho.

Na instituição em que trabalho, percebemos certa vez que, por falta de um profissional que atendesse a biblioteca no turno vespertino, os alunos estavam lendo muito pouco. Além disso, cada docente realizava atividades isoladas que não contribuíam para desenvolver a prática de leitura da escola. Preocupadas com essa situação, a diretora e eu levantamos alguns dados e decidimos retomar um projeto já realizado, chamado “Comunidade de leitores”. Para colocá-lo em prática, revimos algumas ações e traçamos objetivos junto com a equipe.

A proposta de resolução da situação-problema foi um desafio institucional que possibilitou encurtar a distância entre a biblioteca e a sala de aula. Mesmo sem um profissional responsável, as estratégias levaram à criação de bibliotecas ambulantes dentro da própria sala de aula, o que contribuiu com o desenvolvimento de habilidades leitoras nas crianças. Entre as ações que realizamos estão a maleta literária, que levava livros para a casa dos alunos; a leitura constante pelo professor; o estabelecimento de uma rotina de atividades sobre gêneros textuais variados; a seleção de livros que circulavam em caixas nas salas de aulas; visitas a outras bibliotecas da comunidade e as leituras em outros ambientes, como praças e jardins. Para possibilitar essa mudança, adquirimos livros e nosso acervo foi ampliado.

Esse projeto institucional permitiu instalar na escola um clima de cooperação que foi além dos muros da instituição, possibilitando trocas de saberes entre os pais, as turmas, os funcionários, os professores e os gestores. Como outro benefício, destaco a colaboração do projeto para a formação dos professores. Os encontros sistemáticos, individuais ou coletivos, permitiram a troca de experiências e a reflexão sobre a prática, ampliando os conhecimentos do grupo. No final de um semestre de trabalho, realizamos a primeira análise e percebemos a melhora nos hábitos de leitura, o que colaborou também com outras atividades realizadas na sala de aula e com o resultado das avaliações.

E vocês, coordenadores, já desenvolveram projetos institucionais com a equipe?

Um abraço, Eduarda.


TAGS: , , ,

Deixe um comentário

Quem se responsabiliza pela formação do coordenador?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Com ou sem apoio da rede ou sustento num grupo de coordenadores, cada profissional precisa investir na autoformação (Foto: Shutterstock/Amy Johansson)

Com ou sem apoio da rede ou sustento num grupo de coordenadores, cada profissional precisa investir na autoformação (Foto: Shutterstock/Amy Johansson)

Dentro de uma escola, o coordenador pedagógico é o profissional que colabora e incentiva com a melhoria da qualidade do trabalho do professor. Ele incentiva o estudo, a pesquisa, a participação em formações, a discussão entre os pares, a reflexão, a observação, a experimentação e a realização de diferentes abordagens. Mas como ele pode se aperfeiçoar constantemente? Quem se responsabiliza pela formação do coordenador?

Quando se trata de redes de ensino, existe – ou pelo menos deveria existir – um projeto de formação específico para esse profissional, no qual se prevê discussões, tematizações e estudos sobre os conteúdos relacionados à atuação dele durante a formação dos professores, sua principal função. Isso significa que é fundamental dar oportunidade aos coordenadores de conhecer a fundo cada eixo da Educação Infantil e suas didáticas. Mas não é só isso… As pessoas que ocupam esse cargo precisam refletir sobre como os adultos aprendem, como qualificar as intervenções dos docentes, como valorizar a participação de cada membro do grupo e, principalmente, de que maneira é possível estabelecer um clima de cooperação e disposição de agir coletivamente.

Na minha trajetória na Educação, estive em formações específicas para discutir projetos de formação dos professores, tematização das propostas que estavam acontecendo e reflexão sobre o papel do coordenador dentro da escola. Além disso, tive a oportunidade de participar de cursos cujo foco era as relações interpessoais, a liderança, o trabalho com equipe cooperativa, entre outros. Geralmente, eles eram oferecidos em empresas ou por instituições como o Senac. Toda essa bagagem me ajudou muito!

Algumas escolas, no entanto, não fazem parte de uma rede ou estão passando por um momento em que não há formação na rede em que atuam. Nesses casos, uma alternativa é criar um grupo de estudos e de boas práticas com outros coordenadores da região. Nele, os gestores de diferentes instituições se reúnem periodicamente para estudar alguns tópicos que são relevantes para todos, trocar informações sobre as práticas que estão desenvolvendo e colaborar com os colegas durante a busca da solução de um problema. Esse trabalho também é bastante produtivo e enriquecedor! O desafio é manter o compromisso e o foco nas discussões.

Com ou sem apoio da rede ou sustento num grupo de coordenadores, cada profissional precisa investir na autoformação, ou seja, ler muito, procurar novas referências e observar as diferentes turmas em ação para ter subsídios de como professores e crianças lidam com as aprendizagens. Eu, por exemplo, já me apoiei em várias matérias e projetos disponibilizados nos sites de GESTÃO ESCOLAR e de NOVA ESCOLA para elaborar projetos de formação. Entre os que eu mais gosto, estão os vídeos da série Grandes Diálogos, nos quais grandes nomes da Educação como Emília Ferreiro (veja aqui), Délia Lerner (assista aqui) e Yves de La Taylle (assista aqui) e outros falam de questões essenciais do dia a dia na sala de aula.

E você, como se atualiza e se mantém em contínua formação?

Um abraço, Leninha


TAGS: ,

7 Comentários

O papel do coordenador na construção do PPP

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
As estratégias utilizadas em sala de aula devem estar afinadas com as metas de aprendizagem estabelecidas pelo PPP. (Foto: Manuela Novais)

As estratégias utilizadas em sala de aula devem estar afinadas com as metas de aprendizagem estabelecidas pelo PPP. (Foto: Manuela Novais)

O coordenador pedagógico tem uma função essencial no planejamento escolar como articulador do diálogo e mediador das práticas pedagógicas. Por isso, ele deve estar atento às transformações que ocorrem no dia a dia, estabelecendo vínculos com a equipe. A ação educativa precisa envolver os demais sujeitos escolares e ser acompanhada pelo coordenador de forma interativa, por meio da observação da prática e dos momentos de estudo e reflexão.

Na escola em que coordeno, as relações interpessoais são estreitadas durante o processo de elaboração, implementação e avaliação do projeto político pedagógico (PPP). Considerando que a instituição de ensino é um espaço de cultura e interação social, procuro envolver nesse processo valores e atitudes de justiça, tolerância e democracia, o que contribui com a qualidade do diálogo e da parceria entre os educadores.

Para trazer segurança e qualidade para o ensino, os professores precisam ser envolvidos na construção coletiva do PPP, já que os planos de trabalho docente e as estratégias utilizadas em sala de aula devem estar afinados com as metas de aprendizagem estabelecidas pelo projeto.

Para incentivar, investigar e viabilizar a participação docente em todas as etapas da elaboração, procuro estar sempre aberta ao diálogo. Isso sem deixar de exercer a liderança para garantir, ao mesmo tempo, espaço para criatividade e para o cumprimento das diretrizes estabelecidas pela escola. Ao promover a articulação da equipe em torno do PPP e estabelecer conexões com a prática, o coordenador assume um papel central no planejamento escolar.

Além de definir os princípios da escola, também é muito importante planejar as atividades junto com os docentes. Aqui, faço isso numa periodicidade bimestral. Dessa forma, refletimos sobre os objetivos gerais e definimos a maneira de articular os planos de ensino com a sala de aula. Paralelamente, elaboro o meu plano de trabalho para a formação dos professores com base nas necessidades da equipe. Meu foco é o desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem e a sistematização de demandas específicas, levando em conta a diversidade cultural, a concepção pedagógica da escola e a sua identidade institucional.

Com base nesse acompanhamento, procuro dar retorno aos professores e à gestão, contribuindo para a transformação da escola numa organização que aprende. Como educadora, devo estar atenta ao caráter pedagógico das relações e, para isso, necessito criar um espaço para a ressignificação do conhecimento e o resgate da autonomia docente, sem distanciá-lo assim do trabalho coletivo.

E vocês, como participam da construção do projeto político pedagógico da escola?

Abraços,


TAGS: , , ,

1 Comentário

Meio do ano: um momento especial na escola

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Nessa época, os coordenadores pedagógicos já têm conhecimento dos pontos fortes e dos desafios dos professores e uma boa noção das necessidades dos alunos (Imagem: corund/Shutterstock)

Nessa época, os coordenadores pedagógicos já têm conhecimento dos pontos fortes e dos desafios dos professores e uma boa noção das necessidades dos alunos (Imagem: corund/Shutterstock)

Na escola, temos dois grandes marcos para o planejamento e a implantação de novos projetos. O primeiro é o início do ano, quando as crianças estão se adaptando e os professores estão conhecendo e diagnosticando as turmas. O segundo é o início do segundo semestre, momento em que temos um período de recesso e ainda vislumbramos cerca de quatro meses de trabalho pela frente. Em minha opinião, esse período é ainda mais especial!

A principal razão para eu considerar esse momento o “filé mignon” do trabalho pedagógico é porque nós, coordenadores pedagógicos, já sabemos quais são os pontos fortes, as fragilidades e os desafios dos professores e temos uma ideia melhor de quais são as necessidades das crianças. Dessa forma, temos como pensar em diversas ações para assegurar as aprendizagens, retomar alguns combinados, rever os planejamentos e avaliar se os projetos institucionais colocados em prática no primeiro semestre estão dando resultados. Além disso, sempre voltamos com mais energia depois de alguns dias de recesso. Resumidamente, é como se ganhássemos uma nova chance para atingir os nossos objetivos, mas com mais conhecimento do processo do que tínhamos no início.

Abaixo, listei algumas ações que podem ser feitas antes do recomeço das aulas. Não se esqueça de que é muito importante envolver cada professor e cada funcionário nessas tarefas.

Planejar reuniões por nível: marcar encontros apenas com os educadores que atuam nas mesmas turmas é importante para rever os planejamentos e identificar as aprendizagens conquistadas e aquelas que precisam ser retomadas ou asseguradas no segundo semestre. Os professores precisam ser informados com antecedência sobre a pauta e a meta dessas reuniões, pois, assim, poderão rever os registros, analisar algumas produções e visualizar os dados sobre o que cada turma aprendeu e o que precisa aprender, considerando o tempo até o final do ano. O trabalho do coordenador é fazer a mediação desse trabalho.

Elaborar um projeto de formação dos professores: a leitura dos relatórios de avaliação feito pelos professores ao final do primeiro semestre sempre foi uma grande oportunidade para conhecer melhor os saberes deles e quais conteúdos eu precisava investir mais. Com esses dados, é possível elaborar um mapa de trabalho para segundo semestre, considerando o grupo como um todo e as particularidades de cada docente. Digo isso porque houve um ano que, só após ler o relatório de uma professora, me dei conta de que ela confundia as fases de escrita, mesmo depois já ter tido uma formação sobre o processo de alfabetização, o que certamente comprometia suas intervenções junto às crianças.

Reorganizar as salas: é claro que a organização e o investimento em materiais e jogos devem ser constantes nas salas de Educação Infantil, afinal, a interação das crianças nesse local é um indicador da qualidade pedagógica. No entanto, dar uma bela revitalizada no espaço cai muito bem na metade do ano, pois, certamente, os materiais já estão muito usado. Alguns jogos e materiais podem ser trocados entre as salas, os cantos de faz de conta devem ser renovados, os lápis podem ser apontados, as caixas reorganizadas com diferentes papéis e os objetos que não estão em um bom estado de conservação precisam ser descartados. Para organizar esse trabalho, o coordenador pedagógico pode se reunir para formação com um nível de professores, enquanto os outros se empenham na arrumação das salas.

Avaliar os projetos institucionais: projeto institucional é o nome que recebem os documentos que preveem ações para resolver um problema identificado e que envolvem toda a comunidade escolar no trabalho (saiba mais sobre aqui). Nessa época do ano, é interessante avaliar e replanejar as ações previstas nas etapas dos projetos com todos os envolvidos, solicitando que eles apontem o que está bom, o que deve continuar e o que pode ser melhorado.  É surpreendente como, na análise coletiva, conseguimos ótimas sugestões. Se coubesse apenas à equipe gestora fazer isso, talvez não fosse tão produtivo.

E você, o que faz no início do segundo semestre? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


TAGS: ,

2 Comentários

Como conciliar as tarefas burocráticas com as ações formativas

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Algumas tarefas administrativas podem fazer parte da rotina, contanto que sejam planejadas e não atrapalhem os momentos formativos. (Foto: Shutterstock)

Algumas tarefas administrativas podem fazer parte da rotina, contanto que sejam planejadas e não atrapalhem os momentos formativos. (Foto: Shutterstock)

Na escola em que trabalho, compartilho a função de coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental com outra colega, que atua com os docentes do 6º ao 9º ano. Como dividimos a mesma sala, costumamos conversar sobre o dia a dia e trocamos ideias e experiências.

Certo dia, enquanto discutíamos sobre as atividades do coordenador, nossas reflexões trouxeram à tona algumas questões: qual era o nosso papel na escola? O que a equipe pensava sobre o nosso trabalho? O que estávamos deixando de fazer para resolver questões burocráticas?

Decidimos, então, voltar o olhar para a nossa própria sala e refletir sobre o que esse espaço revelava sobre o nosso trabalho. Com essa análise, identificamos que se tratava de um local de atendimento aos docentes, pais e alunos, assim como um ambiente voltado para atividades como impressão de cartazes e depósito de materiais, livros didáticos e tudo que não tivesse para onde ir. Nos momentos em que não estávamos resolvendo problemas, a sala também servia como um espaço de estudo e planejamento.

Fizemos um levantamento das nossas tarefas burocráticas e percebemos que realizávamos muitas atividades que não estão relacionadas com a parte pedagógica, como o acompanhamento dos diários escolares, a organização dos horários de aulas, datas e demandas do bimestre, o cronograma de atendimento na biblioteca e na sala de vídeo, a impressão de materiais, as substituições de docentes e as atividades extracurriculares. Ou seja, estávamos agindo mais como supervisoras do que como articuladoras do processo educacional. Com isso, fugíamos da nossa função mais importante: cuidar da formação do professor. Vale destacar que algumas dessas tarefas podem fazer parte da rotina, contanto que sejam planejadas e não atrapalhem os momentos formativos.

Após essas observações, chegamos à conclusão de que precisávamos nos centrar no acompanhamento da prática em sala de aula para identificar as necessidades dos professores. Também estabelecemos algumas ações importantes que amenizaram o excesso de tarefas: a organização de uma rotina de trabalho socializada com toda a equipe; a definição de calendários semanais com atividades e a identificação de processos administrativos que não deveriam ser feitos por nós.

Reconhecer a importância da formação não é uma obrigação apenas da coordenação, mas também da gestão e da equipe docente. Quando o gestor tem uma visão equivocada sobre o papel do coordenador pedagógico, a divisão de tarefas fica ainda mais desconectada das necessidades dos professores. Para que o trabalho pedagógico tenha qualidade, a equipe gestora precisa estabelecer uma parceria para conciliar as funções administrativas com as pedagógicas, dando prioridade para a melhoria do ensino e da aprendizagem na sala de aula. A parceria também deve ser estabelecida com os docentes, transformando a escola em um espaço de conhecimento por meio da formação permanente. Quando esse passa ser o foco do coordenador, as atividades burocráticas vão aos poucos perdendo espaço.

Para que isso fique bem claro, os cursos para o coordenador precisam levar em conta a reflexão sobre o seu papel na escola, garantindo que ele aprenda a organizar a rotina sem prejudicar as reuniões de formação. Algumas secretarias de Educação oferecem orientações desse tipo, em que um supervisor mais experiente compartilha sua experiência com aqueles que têm mais dificuldade.

E vocês, como conciliam as tarefas administrativas com as formações?

Abraços,

Eduarda


TAGS: , , , ,

1 Comentário

Quais conteúdos trabalhar na formação dos professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
O plano de formação dos professores deve ser elaborado com base nas necessidades identificadas no dia a dia de sala de aula (Foto: Gabriela Portilho)

O plano de formação dos professores deve ser elaborado com base nas necessidades identificadas no dia a dia de sala de aula (Foto: Gabriela Portilho)

São inúmeras as possibilidades e necessidades de reflexão e melhoria dos encaminhamentos em sala de aula quando pensamos nas práticas de um coletivo de professores de Educação Infantil. Mas quais devem ser os conteúdos prioritários para trabalhar com os educadores?

Foi essa pergunta que me fiz quando uma escola me pediu para elaborar um projeto de formação para os professores das turmas de 4 e 5 anos. Até o momento, não havia um consenso sobre qual deveria ser o foco da discussão. Enquanto a diretora achava que era preciso discutir e tematizar os conflitos que havia entre as crianças e refletir sobre disciplina e limites, alguns docentes queriam saber mais sobre projetos no eixo de Artes Visuais. Por outro lado, outros profissionais gostariam de discutir sobre conteúdos e intervenções em Matemática.

E agora? Bem, todas as propostas pareciam muito pertinentes e, o melhor, partiam das necessidades que sentiam as pessoas que estão diretamente envolvidas na prática pedagógica diária. E posso dizer que faz toda a diferença trabalhar com um grupo de professores que tem consciência de quais são as carências deles, querem saber mais e estão dispostos a fazer um trabalho cada dia melhor.

Como definir o foco

No caso dessa escola, eu fui chamada para atuar somente num projeto específico de formação. Portanto, eu não conhecia a prática do grupo de professores de perto. Por isso, me propus a ir à instituição para conhecer melhor as turmas e os planejamentos dos profissionais. Não é possível elaborar um projeto de formação apenas com informações verbais sobre a prática pedagógica. É imprescindível saber o que acontece no dia a dia, seja com base em documentos como os planos, os registros e as produções das crianças ou por meio da observação das interações que acontecem nos diferentes espaços.

Após conversar com a equipe gestora e observar o dia a dia nas salas de aula, percebi que a formação deveria priorizar a Matemática. Cheguei a essa conclusão porque as propostas em Artes Visuais estavam acontecendo sem muitos equívocos e os professores não tinham grandes problemas na hora de estabelecer um clima de respeito e limites claros. Já as propostas do eixo de Matemática estavam muito centradas em atividades no papel, sem explorar o potencial dos jogos e as situações cotidianas.

Elaborando o projeto de formação

Ainda estou escrevendo o projeto, mas já tomei algumas decisões. Baseada em pesquisas didáticas que respaldam a prática pedagógica no eixo de Matemática, planejei vários encontros para aprofundar a reflexão sobre como as crianças aprendem a recitar, contar, quantificar e operar (leia mais aqui), discutir quais são as melhores intervenções do professor em determinadas situações, explicitar o papel das brincadeiras e jogos no processo de aprendizagem dos pequenos e de que maneira é possível acompanhar os avanços de cada criança, elaborando sequências e projetos adequados aos saberes da turma.

Também previ duas reuniões para atender a solicitação de abordar o eixo de Artes Visuais. A ideia é uma oficina para analisar alguns bons projetos que já tenho nesse eixo e vivenciar atividades utilizando suportes e materiais que os professores dessa escola ainda não utilizam. Acredito que, assim, eles terão um repertório maior para elaborar um bom planejamento.

Quando ao pedido da diretora de trabalhar limites e disciplina, propus disponibilizar alguns textos sobre o assunto e marcar um dia para eu e ela discutirmos o conteúdo. A intenção é instrumentalizá-la para que ela própria faça a reflexão com o grupo num momento que achar oportuno.

Essas foram as minhas escolhas. E na escola onde você trabalha, como você seleciona qual será o foco da formação?

Um abraço, Leninha


TAGS: ,

1 Comentário

Fim de semestre é o momento para replanejar ações

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O mês de julho serve para repensar as estratégias utilizadas e propor mudanças que contribuam com a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. (Foto: Manuela Novais)

O recesso escolar serve para repensar as estratégias utilizadas e propor mudanças que contribuam com a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. (Foto: Manuela Novais)

O mês de julho representa o término do primeiro semestre e um intervalo para o trabalho em sala de aula. Esse período, porém, pode ser aproveitado para reavaliar as ações para o semestre seguinte e elaborar um cronograma de formação continuada. Para isso, o coordenador pedagógico deve estar atento às transformações da comunidade escolar, refletindo sobre as relações escolares e as práticas pedagógicas.

Em primeiro lugar, é necessário avaliar como foram os seis primeiros meses em relação às metas previstas no início do ano. Essa análise deve ser feita com base nas condições de ensino, nos resultados das avaliações, nas aprendizagens alcançadas e no processo formativo dos professores. Além disso, é preciso fazer uma reflexão junto com os docentes sobre as práticas e as metodologias desenvolvidas em sala de aula.

Organizar o trabalho pedagógico neste período é mais simples do que o planejamento feito no início do ano, uma vez que a equipe está entrosada. Como os conteúdos e as necessidades das turmas estão definidos e os docentes já participaram de algumas formações, o mês de julho serve para repensar as estratégias e intervenções utilizadas e propor mudanças que contribuam com a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.

Esse planejamento requer tempo e dedicação, tanto da equipe docente quanto do coordenador, que precisa conciliar outras tarefas da escola com a função de formador. Para que o cronograma fique mais organizado, é interessante definir temas prioritários que precisam ser desenvolvidos no segundo semestre. Na escola em que trabalho, por exemplo, elegemos dois assuntos primordiais para destacar nas formações: a escolha dos livros didáticos e as avaliações externas.

A escolha do livro didático marcará o início do semestre. Em parceria com os docentes, planejaremos como será feita essa análise e quais critérios serão considerados. No caso das avaliações externas, discutiremos sobre como garantir que os alunos tenham bons resultados. Esse preparo não está ligado ao treinamento para provas específicas, mas à familiaridade dos alunos com os conteúdos de cada série. O coordenador deve elaborar, junto com os professores, um plano de intervenção para sanar as dificuldades das turmas. Isso porque o objetivo de um exame não é a nota em si, mas ter um diagnóstico do que o aluno aprendeu.

Esses conteúdos farão parte do meu planejamento e das minhas ações para o segundo semestre. E vocês, coordenadores, quais ações pretendem desencadear para o trabalho nos demais meses do ano? Compartilhe!

Abraços,

Eduarda


TAGS: , , , ,

1 Comentário

O que é fundamental em uma sala de Educação Infantil

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Espaços organizados e bem cuidados podem indicar que a escola acredita na criança como protagonista do processo de aprendizagem (Foto: Gabriela Portilho)

Espaços organizados e bem cuidados podem indicar que a escola acredita na criança como protagonista do processo de aprendizagem (Foto: Gabriela Portilho)

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer algumas escolas de um município vizinho enquanto ajudava minha sobrinha a escolher uma instituição para matricular a filha dela. Nas visitas que fizemos, o que me chamou muito a atenção foi o contraste em relação à organização das salas de aula e dos materiais. Em algumas instituições, era visível o cuidado com a estética, a disposição dos objetos e com a construção de um local que incentivava crianças e adolescentes a interagir e a querer estar ali.  Em outras, o ambiente tinha um excesso de mesas, de prateleiras e de materiais – basicamente, havia muita poluição visual e pouco espaço para movimento.

Conversando com os gestores, percebi que esses diferentes tipos de organização não tinham nenhuma relação com os recursos financeiros, uma vez que todas eram escolas particulares da mesma cidade e cobravam mensalidades semelhantes. A conclusão a que eu cheguei foi que se tratava de uma questão de concepção pedagógica de cada instituição. As que apresentavam espaços organizados e bem cuidados davam indícios de seguir uma concepção sócio-interacionista da Educação, acreditando que o protagonismo da aprendizagem é da criança. As outras evidenciavam que o foco era o ensino por transmissão e que não havia uma lógica para favorecer a autonomia dos pequenos, uma vez que nenhum material ficava ao alcance deles.

Diante disso, resolvi fazer uma lista com minha sobrinha elencando o que era essencial observar. A ideia era que isso nos auxiliasse na difícil decisão de escolher a instituição que acolhe diariamente uma criança. Abaixo, compartilho o que pensamos.

Acesso a livros, jogos e materiais. Ter livros em bom estado de conservação e organizados em prateleiras, caixas ou nichos onde possam ser facilmente selecionados é um convite à leitura e à exploração. Os jogos também precisam ficar visíveis e acessíveis – só vale guardá-los se houver um rodízio entre eles. Também é importante deixar papéis, lápis, tintas e os mais variados instrumentos organizados e localizáveis.

Interação. Mesmo em ambientes pequenos, é preciso assegurar que as crianças possam se movimentar, sentar juntas para brincar, ter espaços bem definidos como canto da leitura, espaços para os jogos de montar, brinquedos e acessórios para o faz de conta.

As paredes. O que está nos murais e cartazes são os maiores indicativos do trabalho pedagógico que ocorre na sala. Por isso, as produções de Arte, as pesquisas dos diferentes eixos e as listas que são referências para as crianças precisam estar sempre atualizadas.

E você, o que considera fundamental numa sala da Educação Infantil? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


TAGS:

4 Comentários

Como ajudar os professores a trabalhar com Arte na sala de aula?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Foto: Shutterstock

As atividades artísticas são tão importantes quanto as outras disciplinas curriculares e não podem ser vistas apenas como um passatempo. É papel dos educadores desenvolver nos alunos o conhecimento de mundo através das artes, conduzindo cada um deles a conhecer as suas limitações e a explorar as suas potencialidades.

Ao lado da leitura e da escrita, o desenvolvimento da expressão visual é uma necessidade e um direito porque prepara a criança para as práticas sociais. Desenvolver capacidades com base no olhar e refletir sobre as imagens deve ser um compromisso da escola, dando possibilidade para que os estudantes se apropriem de procedimentos, criem e reconheçam significados nas suas produções e na arte das mais diversas culturas.

Para que isso aconteça, o educador precisa garantir condições para que os alunos apreciem obras variadas e tenham experiências significativas com diferentes tipos de materiais. No entanto, muitos docentes possuem dificuldades em planejar sequências didáticas nessa área e justificam que não conseguem organizar as atividades sozinhos.

Nessa perspectiva, ajudar o professor na organização da rotina de Arte é o nosso papel como coordenadores pedagógicos. Ao mesmo tempo, é importante elaborar junto com ele um plano de formação dos conteúdos e propostas que envolvem esse tema. Proponho, então, algumas ações que podem ser desenvolvidas para superar esses desafios:

- Identificar a rotina de Arte de cada professor e verificar se todas as modalidades estão sendo contempladas;

- Observar como cada docente desenvolve o trabalho nessa área, com qual regularidade e quais materiais utiliza para diversificar as atividades;

- Diagnosticar o que os professores sabem sobre os conteúdos envolvidos e, assim, propor planos de formação e momentos de estudo para suprir essas necessidades e garantir um trabalho com autonomia;

- Ajudar o docente a planejar atividades semanais de Arte, que podem estar organizadas em sequências didáticas ou em uma atividade pontual;

- Selecionar bons artistas e propor atividades e releituras com base na apreciação de suas obras. Com isso, o professor poderá ampliar as referências apresentadas aos alunos;

- Organizar uma exposição dos materiais criados pelos alunos para valorizar as produções;

- Realizar oficinas para que os educadores experimentem materiais diversificados e ampliem seus horizontes.

O coordenador precisa estimular a equipe docente a refletir sobre as suas práticas, planejar em parceria e vivenciar atividades que podem ser aplicadas em sala. Isso é importante para que o educador tenha segurança na escolha dos conteúdos e trace objetivos definidos para suas aulas. Mesmo que não tenhamos muita experiência com as atividades artísticas, é nosso papel como parceiro do professor ajudá-lo a experimentar, planejar, selecionar materiais, apreciar e ousar em suas propostas didáticas.

E vocês, como ajudam os docentes a planejar as atividades de Arte em sala de aula?

 

Um abraço,

Eduarda


TAGS:

Deixe um comentário

Que atividades realizar numa escola que não para nas férias?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Numa escola que não para no mês de julho, propus aos gestores e aos funcionários que elaborássemos uma programa com atividades diferenciadas da rotina normal (Foto: Shutterstock/Robert Kneschke)

Numa escola que não para no mês de julho, propus aos gestores e aos funcionários que elaborássemos uma programa com atividades diferenciadas da rotina normal (Foto: Shutterstock/Robert Kneschke)

Sempre atuei em escolas com férias ou recesso no mês de julho, mesmo que por apenas duas semanas. Esse período era o suficiente para organizar as salas, para todos descansarem e recomeçarem o ano letivo revigorados. Neste ano, estou desenvolvendo um trabalho numa instituição recém-inaugurada de Educação Infantil que não prevê férias para as crianças de 6 meses a 5 anos de idade no meio do ano. No entanto, por conta de acordos trabalhistas, os professores regentes, que acompanham os pequenos durante toda a jornada integral, têm o direito de parar. Apenas os auxiliares continuam.

É claro que diante dessa situação as gestoras ficaram bastante preocupadas. Elas não sabiam como organizariam uma rotina contando com um número reduzido de funcionários e quais atividades poderiam propor para se diferenciar da rotina normal de aula.

Para ajudá-las, propus que elaborássemos um planejamento diferenciado para julho, levando em consideração as respostas para as seguintes questões:

  • Quantas crianças continuariam frequentando a instituição durante esse período? Sabíamos que, em várias creches, o número de crianças se reduz drasticamente nessa época, pois os pequenos ficam com os irmãos mais velhos, são enviados para a casa de algum parente ou os pais tiram férias.
  • Que tipos de atividades seriam bacanas realizar, considerando os monitores, os espaços e os materiais disponíveis?
  • Quais eram os saberes e as experiências dos adultos que ficarão responsáveis pelas crianças?  Como o grupo de profissionais tinha se constituído ao longo dos últimos quatro meses, as gestoras ainda não tinham isso muito claro.
  • Quais eram as expectativas das crianças?

Logo nos demos conta de que era fundamental envolver os auxiliares no planejamento. Mesmo com o pouco tempo de funcionamento da instituição (eram menos de seis meses), são eles que estão diariamente com as crianças, conhecem os hábitos e as preferências, as famílias e a comunidade, visto que a maioria mora no bairro.

Compartilhando a proposta com o grupo

Para conseguir falar com todos os funcionários, foi preciso agendar duas reuniões. Nelas, compartilhamos a proposta de elaborar um projeto em que eles seriam os autores da programação de atividades diferenciadas do dia a dia e da rotina normal – nossa ideia era que as crianças sentissem que se tratava de um período especial. Apenas os bebês continuariam na mesma rotina, pois, nessa faixa etária, precisamos respeitar as necessidades biológicas, como sono, alimentação e higiene.

O grupo de auxiliares se sentiu importante e logo apareceram os líderes naturais e surgiram várias ideias. Algumas delas foram entrar em contato com organizações que possam fazer parceria para oferecer alguma atividade diferenciada para os pequenos com mais de 3 anos; convidar voluntários para fazer oficinas de contação de história, artesanato e culinária com as crianças de 4 e 5 anos; organizar agrupamentos diferentes do rotineiro, misturando idades e criando equipes com um nome escolhido por eles; e fazer uma pesquisa para saber que tipo de brincadeiras, jogos ou vivências os pequenos gostariam de realizar nesse período.

As tarefas foram divididas e o trabalho começou! O grupo voltará a se reunir nesta semana para socializar os encaminhamentos e finalizar o projeto Férias de Inverno, como foi batizado.

Dessa experiência, posso tirar que, quando várias pessoas se reúnem para construir um projeto coletivo, ele é muito mais elaborado e bem acabado.

E aí na instituição em que você trabalha, as crianças frequentam a escola no mês de julho? Quais são as atividades propostas?

Abraços, Leninha


TAGS: ,

1 Comentário