Indisciplina: quando chamar a família para uma conversa séria?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Antes de chamar os pais, é importante entender as razões que podem levar ao mau comportamento. Foto: Shutterstock

Como todo coordenador pedagógico, meu cotidiano inclui lidar com problemas com alunos indisciplinados. São estudantes que, por alguma razão, quebram alguma regra de convívio, como xingar um colega, ou algum combinado, por exemplo, não usar o celular na sala. E, assim como deve acontecer na sua escola, alguns professores, sem saber como lidar com situações difíceis na classe, acabam mandando as crianças para uma conversa comigo.

Mas confesso que, muitas vezes, também não tenho a menor ideia do que fazer – principalmente se o aluno em questão é, digamos, um frequentador assíduo da sala da coordenação. Nesses casos, o que acaba acontecendo é que a única ação encontrada é convocar os pais ou responsáveis. Mas será que isso basta? E será que faz sentido?

Quando isso acontece comigo, antes de chamar a família para saber como podemos buscar soluções para a indisciplina, procuro ajudar o professor a traçar uma análise criteriosa do comportamento do aluno para compreender a origem do problema e preparar o diálogo com os responsáveis. Ao fazer isso, deve-se levar em conta a realidade da turma específica e da relação entre o aluno indisciplinado e o professor, os colegas e a família.

Geralmente, as manifestações de indisciplina ou rebeldia são uma tentativa do aluno de chamar a atenção e ser ouvido por alguém. Outra razão que pode explicar certas atitudes é uma rotina muito presa à sala de aula, sem tempo ou espaços apropriados para a prática de esportes, brincadeiras e outras atividades recreativas. A turma acaba acumulando energia e dissipando-a de forma inadequada.

Há também questões ligadas ao convívio social fora da escola e à ausência de um sentimento de pertencimento ao ambiente escolar, quando o aluno não se “enquadra”, não vê sentido naquilo que a instituição proporciona. E, por fim, existem ainda problemas psicológicos, neurológicos e sociais que impactam diretamente o rendimento escolar. Aqui no site, há uma reportagem que explica em detalhes quais atitudes podem ser tomadas diante do diagnóstico.

Só depois de ter clareza sobre quais desses fatores podem explicar a indisciplina e de adotar medidas dentro da escola é que se convida a família para uma reunião. A pauta que deve girar em torno das conclusões da análise e das estratégias pensadas para amenizar o problema. Essa também é a hora de ouvir da família se as atitudes do aluno se repetem em casa, se houve mudança de comportamento recentemente ou algum acontecimento que possa ter levado à indisciplina. Vale perguntar como os responsáveis lidam com isso e se costumam obter resultados positivos quando agem.

Ouvir os familiares é essencial não somente para a escola, mas para a própria família. Muitas vezes, nos damos conta de que é ela que precisa de ajuda, e não a escola. Com uma conversa franca, sem julgamentos ou agressividade, é possível estabelecer uma parceria em prol do aluno.

E com você, como age quando precisa envolver a família para tratar de um assunto delicado como a indisciplina?

Um abraço,

Eduarda.


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O professor não pode participar das formações. Como planejar um atendimento individualizado?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Homem e mulher conversam em sala de reunião (Foto: Shutterstock/Monkey Bussiness Images)

Sempre vale a pena encontrar uma brecha na rotina e planejar encontros formativos específicos para os professores que precisam (Foto: Shutterstock/Monkey Bussiness Images)

Nem sempre todos os professores da escola conseguem participar dos momentos de formação coletiva. Às vezes porque ele atua em outra instituição no contraturno e não pode participar do horário de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), outras vezes porque ele tem um contrato temporário que não prevê formação em serviço.

Seja por um motivo ou por outro, nós, coordenadores pedagógicos, precisamos nos organizar para incluir todos os profissionais, da maneira que for possível, na reflexão de aspectos pedagógicos indispensáveis para qualificar as práticas em sala de aula.

Mas não podemos apenas chamar o professor de canto, apontar o que deve ser mudado e dar um texto bacana para que ele leia. Essa atitude é ultrapassada e não cumpre o papel de impactar o ensino. Temos que pensar em algo que seja realmente formativo.

Está um pouco nebuloso o que eu quero dizer? Vou exemplificar com um caso real.

Valéria começou a trabalhar como professora eventual na escola em que eu atuava como coordenadora. Desde o início, eu já sabia que ela não conseguiria participar das formações, pois ensinava em outra instituição no período contrário. Então, para não a deixar por fora dos comunicados e instruções específicas, eu sempre ia à sala dela para informá-la. Nesses momentos, trocávamos algumas ideias enquanto as crianças estavam em atividade. E foi numa dessas conversas que ela comentou que estava querendo mais orientações sobre as propostas de Matemática. Passei a notar, então, que Valéria nunca colocava jogos de Matemática no momento de diversificado. Além disso, vi que ela executava algumas atividades que não faziam parte do planejamento elaborado no início do ano, tais como pedir aos alunos que circulassem os números ditados e fizessem atividades de ligar pontos com base em sequências de números, daquelas que formam desenhos no final.

Diante disso, fui conversar com ela para entender melhor quais eram os objetivos que ela tinha definido para a turma de 4 anos da qual era responsável. Foi nesse momento que ela compartilhou comigo que não compreendia como as crianças aprendiam qual era a sequência e a escrita dos números a partir dos jogos. Ela disse também que já tinha tentado ensinar como se jogava alguns deles, mas que os pequenos não gostavam muito. Percebi que ela tinha muitas dúvidas porque sua experiência maior era com crianças mais velhas, do 3º e 4º ano do Ensino Fundamental.

O que fiz nessa situação? Perguntei se ela toparia receber uma assessoria individual e ver algumas propostas de trabalho com Matemática na Educação Infantil. Ela topou e começamos a procurar algum tempo para nos encontrarmos. Como ela não podia chegar mais cedo à escola, o jeito foi viabilizar um horário no período de aula. Conversei muito com a diretora para acharmos um jeito de atender os pequenos na ausência da professora e a solução que nos pareceu mais adequada foi utilizar o horário de lanche e de parque às quartas e sextas e deixar as crianças sob responsabilidade de uma funcionária, uma estagiária e dos outros professores que estavam no local no momento. Assim, eu teria uma hora com Valéria em cada um desses dias.

Com encontros garantidos, separei duas filmagens de situações de sala de aula para discutirmos na primeira semana de atendimento. Na primeira, crianças de 3 anos se envolviam num jogo de percurso. Na segunda, a turma de 4 anos jogava coletivamente a guerra de dados na lousa, jogo que envolve registro de quantidades e contagem de pontos. A ideia era problematizar o que os pequenos que apareciam nos vídeos sabiam, o que estavam aprendendo e quais eram as intervenções das professoras, além de refletir sobre o quanto a criança faz e refaz procedimentos matemáticos com um propósito claro e lúdico no momento do jogo. Escolhi também alguns textos que embasariam discussões como a diferença entre recitar os números, contar e quantificar. A ideia era que Valéria pudesse consultá-los caso surgissem dúvidas pontuais ou quisesse se aprofundar ainda mais no assunto.

Aos poucos, a professora começou a compreender o papel dos jogos e das intervenções em sala de aula e passou a se preocupar se todos estavam participando das situações didáticas e de que maneira ela poderia propor novos desafios. Para os encontros seguintes, ela sugeriu que discutíssemos cada um dos jogos e atividades previstos no planejamento e pediu mais sugestões de leitura.

Com o tempo, percebi que Valéria começou a diversificar as propostas em sala. Quando as crianças não se interessavam tanto, ela ainda se desanimava, mas agora sabia que contava com meu apoio para qualificar sua prática. Ela podia socializar preocupações e ouvir os desafios dos colegas em situações muito parecidas de aprendizagem.

Todo esse processo foi muito estruturante para Valéria e ela conseguiu aprofundar muito os conhecimentos sobre a didática da Matemática. Valeu a pena insistir para encontrar uma brecha na rotina e planejar encontros formativos específicos para ela.

Você também se organiza para atender as demandas particulares dos professores? Compartilhe como você faz isso.

Um abraço, Leninha


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Escutar as crianças para qualificar as ações em sala de aula

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Professor conversa com crianças sentado no chão (Foto: Shutterstock/Monkey Bussiness Images)

Quantas vezes propostas bacanas não acontecem porque os professores não estavam abertos a flexibilizar o planejamento de acordo com os interesses das crianças? (Foto: Shutterstock/ Monkey Bussiness Images)

Desde de que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi colocada em consulta pública, tenho pensado muito no quanto o professor de Educação Infantil precisa ser mais autor e mais autônomo, ler, ampliar seu conhecimento cultural e ser um observador atento das diversas linguagens da criança. Além disso, ele precisa saber ouvir, propor diferentes encaminhamentos e considerar o entorno e as peculiaridades das turmas.

Minhas reflexões estão pautadas nos trabalhos que desenvolvo com professores e coordenadores de escola em diferentes municípios de São Paulo e foram disparadas pela proposta do BNCC de organizar a aprendizagem dessa etapa em “campos de experiências”. Abaixo, copio um trecho do documento para vocês entenderem um pouco melhor o que é isso.

Os Campos de Experiência colocam, no centro do projeto educativo, as interações, as brincadeiras, de onde emergem as observações, os questionamentos, as investigações e outras ações das crianças articuladas com as proposições trazidas pelos/as professores/as. Cada um deles oferece às crianças a oportunidade de interagir com pessoas, com objetos, com situações, atribuindo-lhes um sentido pessoal. Os conhecimentos aí elaborados, reconhecidos pelo/a  professor/a como fruto das experiências das crianças, são por ele/a mediados para qualificar e para aprofundar as aprendizagens feitas.

Com base nesse trecho, gostaria de ilustrar o que tenho pensado a respeito desse assunto com duas situações que presenciei há alguns anos na escola que eu coordenava e que me mostraram como a escuta atenta do professor pode impactar positivamente em novas propostas na sala de aula.

Do interesse pelas formigas, nasceu um projeto

No segundo semestre, as turmas de 4 anos sempre desenvolviam o projeto “Na época dos Castelos”, que costuma chamar a atenção das crianças facilmente, pois elas se divertem com as fantasias, os adereços e os contos de fada. No entanto, os pequenos da sala da professora Andréa também estavam fascinados com as formigas que viviam por todo o parque da escola. Elas sempre faziam perguntas sobre os insetos, queriam ficar seguindo as formigas para descobrir para onde ia aquela fila indiana, mexiam nelas com gravetos e, na sala de aula, era um tal de desenhar e fazer formigas com massa de modelar.

Muita atenta a essa movimentação, a professora resolveu elaborar um projeto sobre o inseto e propôs às crianças a construção de um formigueiro com vaso plástico. Ela conseguiu alguns tipos de formiga de brinquedo, criou um jardim de faz de conta e montou um canto sobre o tema na sala. O grupo ainda fez uma pesquisa nos livros e assistiu a vídeos sobre o inseto e, daí, elaborou um portfólio com as descobertas e produções artísticas. Foi um projeto que só aconteceu naquela sala.

Da escuta, a transformação de um canto de faz de conta

Num canto de faz de conta da sala da professora Maristela, foi montada uma cozinha com fogão, utensílios e vários ingredientes que simulavam os alimentos. Lá, as crianças se divertiam elaborando pratos diferentes. Mas, todos os dias, muitos itens da cozinha eram levados para o canto da leitura, que parecia ter se tornado uma extensão do primeiro. Inicialmente, a professora pedia para os pequenos brincarem de cozinhar apenas no espaço que era destinado para isso, pois, assim, não atrapalhariam os outros colegas que queriam se sentar e folhear os livros. Mas de nada adiantava e, no dia seguinte, vários utensílios gastronômicos estavam lá de novo.

Até que alguns dias depois Maristela se sentou com as crianças para conversar e entender porque elas estavam levando os objetos para o canto da leitura. Mateus disse: “Prô, as pessoas têm que comer o que a gente cozinha. Na cozinha, não tem mesa, então a gente leva a comida para onde tem lugar para sentar”. A professora compreendeu que só o espaço da leitura tinha almofadas e um tapete para se sentar confortavelmente. Era preciso transformar a cozinha num restaurante, com lugares para servir os clientes! Com as crianças, Maristela procurou uma mesa e cadeiras, reorganizou os espaços e continuou a brincadeira.

Essas duas situações são especiais e só aconteceram porque as professoras estavam muito atentas e escutaram as crianças. Hoje, me pergunto quantas vezes não aconteceram propostas bacanas desse jeito, não porque os professores não observaram a turma, mas porque já existia um planejamento e não houve abertura para flexibilizá-lo, levando em consideração o que encanta os pequenos.

Agora, pergunto a você: precisamos ou não de um professor cada vez mais autor e autônomo? Defendo que, mais uma vez, é na formação contínua que podemos qualificar a prática docente. O que você acha?

Um abraço, Leninha


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Coordenador, é hora de quebrar o gelo entre você e os alunos

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Na medida do possível, o coordenador deve participar das atividades com a classe e dialogar com as crianças. Foto: Manuela Novais

O trabalho de um coordenador pedagógico é repleto de tarefas e responsabilidades. A minha rotina – certamente muito parecida com a sua – inclui auxiliar os professores na elaboração e diversificação das aulas, oferecer meios de formação, incentivar a reflexão sobre a prática, melhorando o processo de ensino e aprendizagem, e mediar diálogos e até conflitos.

Mas, em meio à correria do dia a dia, não podemos esquecer que todo esse esforço só tem um objetivo: atender bem o aluno. Afinal, é para ele que a escola existe, é ele quem deve ser o protagonista e ocupar o centro das nossas preocupações. Por isso, não basta apenas manter boas relações com a equipe docente, com a direção ou com alguns pais. Sem conhecer os estudantes e estabelecer uma relação positiva com eles, não é possível desenvolver um bom trabalho. Por exemplo: como pensar em estratégias didáticas ignorando as dificuldades que os alunos possuem? Como lidar com a indisciplina de uma criança sem compreender os motivos que a levam ter um mau comportamento?

Infelizmente, o coordenador aparece para os alunos, muitas vezes, como uma figura temível e distante. Embora esse distanciamento seja mais comum nos anos finais do Ensino Fundamental, ele também pode ocorrer nos ciclos iniciais. E é necessário quebrar esse gelo e criar meios para se aproximar das crianças!

Além de acompanhar a rotina do professor de perto, observando a sala de aula e a relação entre o docente e o estudante, como falei na semana passada no texto sobre observação de sala, é importante manter uma conversa direta com as crianças e suas famílias, convidando os responsáveis para reuniões sobre o trabalho pedagógico que será desenvolvido. O coordenador deve, na medida do possível, saber chamar cada aluno pelo nome e participar das atividades com a classe, analisando as produções, os registros e os cadernos.

Alguém poderia discordar, dizendo que essas funções pertencem ao orientador educacional. Em tese, esse gestor seria o mais próximo dos alunos, o responsável por ajudar nos estudos, buscar a cooperação das famílias, realizar observações e entrevistas e participar do processo de avaliação escolar e recuperação. Mas, dada a realidade da nossa Educação, muitas instituições não podem contar com esse profissional, e o coordenador tem que suprir a lacuna – o que não vejo necessariamente como um problema. Não estou, de modo algum, diminuindo a importância do orientador, que é enorme. Mas o coordenador pode tirar proveito dessa carência para alimentar a própria prática como gestor.

Seja como for, não há como prescindir de uma relação próxima com os alunos, sob o risco de transformar a coordenação pedagógica em um cargo burocrático e isolado. Nós, gestores, precisamos estar no chão de sala e mostrar que somos parceiros dos estudantes, assim como ajudamos o docente a desenvolver suas potencialidades.

E você coordenador, o que pensa sobre o assunto? Como procura estabelecer uma proximidade com as crianças da sua escola? Conte para nós!

Um abraço,

Eduarda.


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Mural de boas práticas: uma ação que faz diferença

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Mulher prega informes em mural na escola (Foto: Divulgação)

Compartilhar com o grupo os bons encaminhamentos realizados por cada professor é uma boa forma de valorizar o trabalho docente (Foto: Divulgação)

Durante um curso de formação para coordenadores pedagógicos, uma das participantes deu o seguinte depoimento a respeito dos desafios da função:

“Há dois meses, iniciei como coordenadora numa creche que já desenvolvia um trabalho bem estruturado. Então, minha preocupação tem sido dar continuidade ao que já vinha sendo feito e ter atitudes que façam a diferença no dia a dia dos professores. E uma das ações que quero instituir na minha rotina é reconhecer publicamente o trabalho de cada um dos membros da equipe, para que eles se sintam valorizados. Me lembro de como um mural de reconhecimento foi importante na minha inserção como professora novata numa escola, porque isso fazia com que eu me sentisse considerada e me deixava com mais vontade de partilhar e de aprender com os colegas.”

O tal mural que a coordenadora comentou era um quadro ao lado do livro de ponto dos professores, no qual se compartilhava iniciativas observadas em sala de aula. Os docentes costumam pensar em pequenas soluções ou encaminhamentos no dia a dia que qualificam muito o trabalho pedagógico, mas que nem todos conhecem. Por exemplo: a música que canta antes do momento da história e que convida as crianças a se aproximarem; o cantinho que montou no corredor para trabalhar com melecas e que encantou os pequenos; o jogo que criou para trabalhar com os nomes da turma; a organização do mural da sala que favoreceu as crianças apreciarem como utilizar pincéis, entre outros.

A divulgação dessas boas ideias tem dois objetivos. O primeiro é possibilitar que outros professores possam utilizar, aprender ou aperfeiçoar uma proposta a partir das práticas de um colega. O segundo é valorizar cada profissional e mostrar a ele que enxergamos seu trabalho e que estamos atentos a suas especificidades.

No entanto, é preciso ter alguns cuidados na hora de criar esse tipo de mural. Um deles é a frequência com que ele é atualizado, pois manter a mesma informação por muitos dias o torna ultrapassado e cansativo. Outro é garantir que todos os professores apareçam no quadro, o que é bem tranquilo quando se está próximo deles e se acompanha suas práticas. Para evitar constrangimentos, é legal pedir autorização do docente antes de divulgar um encaminhamento dele e cuidar para que ninguém apareça muito mais do que outra pessoa.

Quando eu era coordenadora, eu criei um mural como esse na escola em que trabalhava e posso afirmar que os resultados são ótimos e imediatos. Eu via que os membros da equipe sempre ficavam de olho nele, pediam para os colegas os ajudarem a realizar ações parecidas e até mesmo levavam os alunos para conhecerem as práticas da escola.

Todos gostam de ser incentivados e elogiados e, quando isso acontece com uma pessoa, ela tende a se empenhar cada vez mais no trabalho. Outro aspecto fundamental é a possibilidade de circulação de saberes e fazeres. Essa interação é muito potente para o aprendizado, tanto do professor e do coordenador como das crianças.

E na escola em que você atua como coordenador pedagógico, os saberes estão circulando? Como?

Um abraço, Leninha



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Um exemplo real de observação de sala de aula

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

O coordenador precisa adotar uma posição de colaborador, e não de fiscal, junto ao docente. Foto: Manuela Novais

Um dos recursos mais valiosos que o coordenador pedagógico pode utilizar no processo de formação continuada é a observação de sala de aula. Assistir à interação entre professor e alunos no momento em que ela acontece é uma excelente maneira de coletar dados reais e, a partir deles, ter subsídios para discutir com o docente as possibilidades de intervenção. Para o coordenador, é também ocasião para verificar se a formação oferecida tem impactado efetivamente no dia-a-dia da escola e corrigir falhas.

O problema é que nem sempre o professor se sente confortável com a presença do coordenador dentro da sala. Em muitos casos, o profissional se sente “fiscalizado pelo chefe”, o que pode criar situações de insegurança que atrapalham o andamento da aula e contaminam a avaliação, cujos objetivos devem ser estritamente formativos e pedagógicos.

Esse desconforto é fruto, principalmente, da ausência de clareza sobre o que será observado e das reais motivações da observação. Por isso, o coordenador precisa adotar uma posição de colaborador, e não de fiscal, junto ao docente.

Gostaria de compartilhar com você uma observação que realizei na escola em que atuo, como parte de uma formação sobre cálculo mental. A ideia era pensar em como o professor pode propor exercícios matemáticos e como deve agir quando as crianças apresentam dúvidas.

A professora Edna das Graças Miranda, do 5º ano, foi a escolhida. Juntas, Edna e eu desenvolvemos duas atividades sobre frações, em que os alunos deveriam lidar com divisões e multiplicações.

Antes da observação, organizei uma pauta com três tópicos para orientar meu olhar sobre a ação da professora:

  • Qual foi a atividade proposta aos alunos?
  • Como a professora colocou o problema para os alunos? Quais comentários feitos por ela considero positivos e quais podem ser melhorados?
  • Como a professora atuou em relação às dúvidas da turma? Relatar uma atitude da docente que considerei positiva a esse respeito e registrar os motivos da escolha.

Você baixar essa pauta aqui e utilizá-la nas suas próprias observações.

Para ganhar a confiança da professora, mostrei a ela a minha pauta de observação, procurando tranquilizá-la. Outra ação importante foi repassar as etapas da atividade, antecipando os objetivos de cada uma delas, a consigna, as intervenções possíveis, a socialização com as crianças, o tempo gasto para cada exercício, o material a ser utilizado, a atuação da professora e o meu papel durante a aula.

No dia da observação, escolhi um local discreto, no fundo da sala, de forma que a minha presença interferisse o menos possível no ambiente. Ao acompanhar o desenrolar das atividades, só fiz registros dentro do que foi estritamente combinado. Para agilizar as anotações e não perder nenhum detalhe, costumo anotar tudo em tópicos.

Só após a observação fiz meu registro reflexivo: retomei as anotações e selecionei as questões mais relevantes para discutir com a professora. Além de chamar a atenção para o que precisa ser melhorado, é muito importante ressaltar o que houve de positivo, inclusive como forma de reconhecimento e motivação. Para ver e baixar o registro que elaborei, clique aqui.

Por fim, marquei um encontro com a professora Edna para a devolutiva. Comecei ouvindo as impressões da própria docente sobre a aula. E, para guiar essa conversa, elaborei perguntas que ajudaram a esmiuçar detalhes da aula observada e verificar o que precisaria ser feito para dar continuidade à sequência proposta.

Não foi este o caso, mas em algumas oportunidades, além da conversa, gosto de fazer uma sugestão de leitura que traga embasamento teórico relacionado à prática observada. Isso ajuda a aprofundar o assunto e enfatiza o caráter formativo do processo.

 

E você, coordenador, considera a prática de observação como uma boa estratégia? Como conduz esse momento junto do professor?

Um abraço,

Eduarda


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Fraldas e chupetas: uma questão da escola e da família

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Menina sorri usando chupeta (Foto: Shutterstock/Aude proyect)

O docente deve ajudar as famílias a pensar sobre a importância da criança conquistar gradualmente sua autonomia (Foto: Shutterstock/Aude proyect)

Quando os pequenos de 2 e 3 anos começam a frequentar a escola pela primeira vez, a família se surpreende como eles, rapidamente, passam a falar com mais propriedade, a conhecer muitas brincadeiras e músicas e aprendem alguns comportamentos. No entanto, mesmo depois de algum tempo participando de momentos de aprendizado no coletivo, é um desafio fazer com que algumas crianças se apropriem de alguns hábitos, como usar o banheiro ou deixar a chupeta (ou outros objetos de transição, como paninho e fraldinha) de lado. Nesses casos, se não houver parceria com os familiares, fica muito difícil de avançar.

Trabalhando com turmas da Educação Infantil, percebi que os motivos que levam os pais ou responsáveis a perpetuar o uso de fraldas e chupetas são muitos. Um deles é acreditar que o pequeno ainda é um bebê para ter tanta autonomia. Outro é que, depois de algumas tentativas de tirar um objeto de transição, a criança chora tanto que os pais resolvem devolvê-lo.

Quando eu atuava como coordenadora pedagógica e percebia que eram esses os motivos, agendava uma reunião no final do bimestre para fazer uma dinâmica com os responsáveis. A atividade consistia no seguinte: o professor solicitava aos pais que elencassem o que seus filhos já conseguiam fazer sozinhos e o que precisavam de ajuda e, no quadro, anotava as respostas em colunas separadas. Tanto em uma quanto em outra, apareciam ações como comer, ir ao banheiro, tirar e colocar a roupa, calçar sapatos e beber água. O papel do docente era, então, ajudar o grupo a refletir sobre o porquê de os itens aparecerem nas duas colunas e, com tranquilidade e muito respeito, conduzir os presentes a pensar sobre a importância da criança conquistar gradualmente sua autonomia.

Acredito muito em momentos como esse, nos quais se pondera sobre algumas questões junto com alguém, se aprende com quem já fez, se troca experiências. Eu mesma, por exemplo só me dei conta de como eu não incentivava a autonomia da minha própria filha quando vi minha cunhada, mãe de três crianças, fazendo isso. Uma vez, percebi que meu sobrinho andava de bicicleta sem rodinha desde antes dos 3 anos, enquanto minha filha já tinha 4 e não sabia andar. Bastou uma semana sem rodinhas e bastante incentivo para ela aprender.

E essa é a chave: compartilhar com a criança que ela é capaz, deixar claro o que se espera dela, incentivar e insistir, sempre num clima gostoso. É claro que alguns pais precisam ser convencidos de que seu filho também é capaz e compreender como a autonomia pode impactar nas atuações e interações dos pequenos nos diferentes ambientes. Feito isso, é só alinhar que escola e família terão os mesmos procedimentos, como deixar a criança sem fraldas e convidá-la para ir ao banheiro várias vezes e combinar que o uso de chupeta e paninho será apenas na hora do repouso. Se estiver muito difícil largar, dá para acertar com o pequeno alguns momentos em que não é possível usar esses objetos, como no parque ou na roda de conversa.

Ainda é tempo de dizer que é preciso respeitar aquela criança que está passando por alguma situação diferente, como a chegada de um irmão, um processo de adaptação ou outra razão que a deixe mais sensível. Também vale uma reunião só com a família que está tendo mais dificuldades. Assim, é possível fazer orientações pontuais, considerando as particularidades.

E na escola em que você trabalha, como esse trabalho é feito? Compartilhe!

Um abraço, Leninha


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Qual é o papel do coordenador no conselho de classe?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

Em uma gestão democrática, o conselho deve ser um espaço de discussão, revisão e autocrítica, no qual se estabeleça um diálogo autêntico e respeitoso. Foto: Manuela Novais

Com o final do primeiro bimestre, chega a hora de realizar o conselho de classe com toda a equipe. Há uma ideia cristalizada em muitas escolas de que os conselhos servem apenas para avaliar notas e comportamento disciplinar. No entanto, eles podem ir muito além.

O conselho de classe é, sim, uma instância que reúne coordenadores, diretores, professores e, em algumas instituições, também alunos, para tomar decisões a respeito do processo de ensino e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Em uma gestão democrática, o conselho deve ser um espaço de discussão, revisão e autocrítica, no qual se estabeleça um diálogo autêntico e respeitoso, com vistas à melhora de processos pedagógicos, aproveitamento de recursos etc. É uma oportunidade de verificar se o planejamento e as estratégias utilizadas em sala de aula têm impactado positivamente no aprendizado e no desenvolvimento dos alunos.

Alcançar esses objetivos requer do coordenador e da equipe uma preparação prévia, em que se possa refletir sobre tudo o que pesa nas tomadas de decisão. Abaixo, destaco alguns pontos que fazem parte da organização desse momento:

A equipe deve resgatar o histórico de cada aluno para comparar o desenvolvimento dele durante o bimestre em relação aos anos anteriores. O coordenador pode ajudar montando fichas de análise para que os professores registrem avanços e dificuldades de aprendizado. Um portfólio da turma bem organizado ajuda bastante.

A escola pode, ainda, preparar questionários sobre o andamento das aulas e das atividades propostas para que os alunos manifestem sua opinião. O objetivo é saber como os estudantes interagem com a escola, quais dificuldades encontram, quanto tempo dedicam ao estudo e à lição de casa etc. O envolvimento dos responsáveis nessa etapa é imprescindível, pois são eles que acompanham mais de perto os desdobramentos do trabalho feito na escola. Mas, atenção: para que o questionário tenha êxito, é preciso sensibilizar a comunidade e explicar que a intenção é a melhoria da qualidade do ensino, e não fiscalizar, punir ou constranger ninguém.

Com o material reunido, cabe ao coordenador tabular os registros e resultados do questionário. A tabulação favorece a análise comparativa e organiza os dados de forma prática, poupando tempo na hora da reunião.

O conselho de classe é um trabalho que ganha muito mais sentido quando não se limita a classificar os alunos, mas se propõe a avaliar a própria escola, de forma democrática e participativa.

E na sua escola, como a equipe encara o conselho de classe? Conte sua experiência!

Um abraço,

Eduarda


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Amplie o universo cultural dos professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Homem lê um livro em cima de uma mesa de madeira. (Foto: Shutterstock/thodonal88)

Crie momentos em que os professores entrem em contato com diferentes livros, músicas e obras de Arte (Foto: Shutterstock/thodonal88)

Aumentar o contato dos alunos com a cultura em todas as etapas é uma das responsabilidades da escola. Na Educação Infantil, por exemplo, o mundo literário, as linguagens artísticas, as brincadeiras e as conversas fazem parte do dia a dia e trazer tudo isso para a sala de aula é uma premissa para ser professor.

Infelizmente, nos últimos anos, tenha percebido que muitos profissionais têm apresentado cada vez menos conhecimento sobre diversos aspectos culturais, da literatura à brincadeira popular. E claro que isso se reflete na qualidade das propostas que eles fazem para as crianças em sala de aula.

A primeira vez que tomei consciência disso foi durante um projeto de formação sobre literatura. Num grupo de 16 professores, apenas quatro tinham lido algum livro nos últimos meses. Muitos nunca tinham ouvido falar de autores da nossa literatura, como Clarice Lispector, e de livros clássicos de literatura infantil, como Flicts, de Ziraldo. Em outra ocasião, numa oficina de brincadeiras infantis, os professores não sabiam brincar de queimada, pula elástico e mãe da rua e disseram que só estudaram essas brincadeiras na faculdade.

O que fazer?

Assim como a escola se responsabiliza por ampliar o universo cultural dos alunos, ela também deve fazer isso por sua equipe. Por isso, o coordenador pedagógico pode prever momentos e ações de imersão na cultura nos projetos de formação. Nem que esses momentos durem poucos minutos no início dos encontros, com a leitura de um poema, a escuta de uma música ou a divulgação de um evento cultural da cidade.

No projeto de formação sobre literatura, por exemplo, eu propus momentos de leitura compartilhada nas reuniões e a presença permanente de uma caixa com crônicas, romances e resenhas desses livros na sala dos professores. Assim, o grupo se sentiria incentivado a ler mais, já que estaria com tudo ali, pertinho e disponível.

Quanto às brincadeiras, elas foram vivenciadas na própria oficina e ficou de tarefa para os professores aprenderem algumas com as próprias crianças. E os pequenos conhecem muitas!

Para o segundo semestre, quero ampliar ainda mais os horizontes e, nas reuniões já previstas sobre Arte com foco em projetos didático, incluir pautas sobre história da Arte e apreciação de pinturas nacionais e internacionais. Afinal, essa é – ou deveria ser – uma prática bem recorrente com as turmas de Educação Infantil. Além disso, quero organizar algumas visitas culturais a espaços da cidade, como galerias de exposição e museus. Mas lembre-se: tudo isso deve ser feito no horário destinado à formação.

Vale também dizer que o próprio coordenador pedagógico deve buscar aumentar seu contato com os diferentes aspectos da cultura. Então, eu sempre leio muito e, como tenho muito interesse por Artes Visuais, programo visitas a exposições em São Paulo com minhas amigas. As próximas que quero ir são “Mondrian e o movimento Stijl” (clique aqui para saber mais), sobre o pintor holandês Piet Mondrian –inclusive, ele é uma boa referência para trabalhos com os pequenos (leia mais aqui) – e “O mundo de Tim Burton”, sobre o cineasta americano (saiba mais aqui).

E, por experiência própria, posso dizer que, quando ficamos encantados com uma boa história ou deslumbrados com algum artista, facilmente contagiamos quem está ao nosso redor.

E você, investe na ampliação cultural contínua dos professores? Como?

Um abraço, Leninha


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Ajude a equipe docente a usar melhor o livro didático

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink

O livro didático é um recurso, e não uma amarra. Ele precisa servir ao currículo escolar e se adequar à realidade das turmas. Foto: Manuela Novais

Os livros didáticos se tornaram, ao longo da história da Educação no Brasil, um importante recurso – muitas vezes, o único – à disposição de professores e alunos. Além do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), muitos municípios compram sistemas de ensino apostilados. Por esta razão, os conteúdos e propostas didáticas dessas obras têm um grande impacto nas práticas de sala de aula.

Diante disso, o coordenador pedagógico precisa dar atenção especial à questão, a fim de que a equipe docente tire o máximo de proveito dos materiais disponíveis. Aqui na escola em que trabalho, tenho feito com os professores algumas reflexões a esse respeito, desde que os livros que escolhemos no ano passado chegaram, e quero compartilhar com você alguns pontos importantes.

O primeiro desafio é, justamente, escolher os livros. Para isso, é importante observar critérios como adequação da obra ao projeto político-pedagógico (PPP) da escola, o ajuste dos conteúdos para cada ciclo, entre outros. No site GESTÃO ESCOLAR, você encontra mais dicas de como fazer uma boa escolha.

Mas bons livros didáticos não bastam. Sem formação adequada, os docentes acabam transformando a obra em um guia, seguindo-o à risca, ou ignorando quase que totalmente o livro, que se torna só um peso a mais na mochila dos alunos. Percebi que havia essas duas tendência na escola, e me propus a encontrar com a equipe um meio-termo.

Destinei um tempo da rotina da equipe para esmiuçar bem as características do livro, os tópicos que aparecem em cada capítulo, o estilo das atividades, a lógica utilizada pelo autor, as sugestões do manual do professor, a evolução do conteúdo ao longo da obra, as ideias de avaliação etc. Meu objetivo era que temas, atividades e estratégias não surgissem como “surpresas” para os professores ao longo do ano, à medida que se avança nos capítulos. Antecipar-se no planejamento evita erros ou repetições.

Lembre-se: o livro didático é um recurso, e não uma amarra. Ele precisa servir a um currículo escolar bem estruturado, que tenha identidade própria e adequado à realidade das turmas.

E na sua escola, como os livros didáticos são aproveitados? Compartilhe suas ideias com a gente!

Um abraço,

Eduarda


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