O que determina uma boa situação de aprendizagem na alfabetização?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
É preciso adequar as situações didáticas às possibilidades de aprendizagem dos alunos. (Foto: Manuela Novais)

É preciso adequar as situações didáticas às possibilidades de aprendizagem dos alunos. (Foto: Manuela Novais)

Na semana passada, conversamos sobre a elaboração de um plano de formação para professores alfabetizadores. Nesta, gostaria de compartilhar com vocês uma experiência que tive relacionada a esse tema e cujo foco são os aspectos que determinam uma boa situação de aprendizagem.

Ao lado de outros colegas coordenadores, realizamos alguns estudos sobre processos de aprendizagem. Após termos discutido conteúdos que envolvem a construção da escrita e hipóteses de leitura com os docentes, vimos a necessidade de partir para a prática e colocar a mão na massa no planejamento de atividades de alfabetização.

Analisamos uma série de situações didáticas de alfabetização em sala de aula e refletimos sobre quais aspectos determinavam uma boa situação de aprendizagem, utilizando o planejamento do professor como referência. Considero aqui o termo “situação de aprendizagem” como algo que resulta da atividade planejada pelo docente e as intervenções pedagógicas que realiza para incidir na aprendizagem nos alunos.

Após avaliarmos os materiais que os docentes produziam e as intervenções que realizavam, diagnosticamos, por meio das observações e registros feitos, que eles planejavam sempre as mesmas atividades em sala. Percebemos também dificuldade por parte deles em diferenciar atividades de leitura e de escrita. Além disso, não planejavam intervenções que fizessem o aluno refletir e avançar nas hipóteses de leitura e escrita. As propostas planejadas muitas vezes não estavam ajustadas às possibilidades de aprendizagens dos alunos.

O nosso desafio era elaborar com os docentes um plano de formação que trabalhasse esses pontos. A meta era que percebessem que podem ampliar seu repertório de atividades e identificar quais são os objetivos e as intervenções possíveis para cada uma delas.

Para isso, incluímos no plano tematizações de vídeos, análises de bons planejamentos e intervenções realizadas e a proposta de ampliação das atividades de alfabetização. Os professores puderam aplicar algumas dessas ações em sala e registrar o que observaram em relação à participação das crianças. Foi um momento de reflexão e ação.

Registramos, então, algumas conclusões dos docentes sobre o que define uma boa situação de aprendizagem:

- As atividades possuem focos e objetivos diferentes dependendo da hipótese de leitura e escrita que o aluno apresenta;
- Durante a rotina devemos dosar atividades de leitura e escrita;
- Devemos levar em conta o conhecimento dos alunos para planejar intervenções que possibilitem avanços;
- A organização da tarefa deve garantir a circulação de informações entre as crianças;
- Os alunos podem ser agrupados, mas o professor deve fazer intervenções para que interajam;
- Os alunos não devem ficar passivos, mas participar e se expressar sobre os conteúdos e a atividades propostas;
- O objeto de ensino na alfabetização deve ser a linguagem. Bons textos devem circular na sala de aula, como poesias, parlendas e cantigas.

A reflexão realizada teve como pano de fundo a capacidade intelectual dos alunos e a necessidade do professor de planejar situações adequadas dentro de cada contexto, pois temos sempre alunos com níveis de compreensão e saberes diferentes. Cabe ao docente conhecer, analisar e acompanhar o que eles produzem, para poder planejar atividades e agrupamentos considerando os ritmos e possibilidades.

Após essa experiência, percebemos avanços consideráveis na prática da sala de aula e um maior envolvimento dos professores nas reuniões de planejamento de boas situações de aprendizagem.

E vocês como intervêm quando percebem dificuldades dos professores em planejar?

Abraços,
Eduarda


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Relacionamento entre coordenador e professor exige respeito e cumplicidade

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A coordenadora Leninha Ruiz conversa com professora e sorri.

O trabalho do coordenador será mais eficiente se a relação com os professores for boa (Foto: Gabriela Portilho)

Trabalhar diretamente com pessoas, em qualquer profissão, exige saber se relacionar. Ao longo desses anos atuando em escola, percebi que, nesse local, existem muitas pessoas que exercem diferentes papéis e que, cada uma que participa dessa cadeia de relacionamentos, tem características, valores e expectativas próprias. Cabe aos gestores conduzir, liderar e agir de maneira que a convivência de todos aconteça da melhor maneira possível.

O coordenador pedagógico lida diretamente com os professores. Ele se ocupa da formação docente, da orientação nos planejamentos, da discussão sobre encaminhamentos da prática, do acompanhamento das aprendizagens dos pequenos e muitas outras atividades. É bastante trabalho, não é? E ele será muito mais eficiente se a relação com os professores for de respeito, apoio, reconhecimento e cumplicidade.

Mas como garantir essa boa conexão no dia a dia? Fiz uma lista de ações que acredito ser importante para qualquer coordenador.

Saber o papel de cada um. Ser coordenador nos coloca na posição de ser mais responsável, de ter atitudes que acolhem e incluem todos os professores. No relacionamento com esse profissional, é preciso ceder e buscar o entendimento. Fazendo uma referência a Sigmund Freud (1856-1939), o coordenador atua como o adulto nessa relação.

Valorizar o professor. Reconhecer o trabalho, distinguir uma atividade efetuada e parabenizar pela organização da sala são algumas das atitudes que precisamos assegurar. Elogios podem e devem ser feitos publicamente, ao contrário de algumas críticas ou orientações pontuais, que devem ser feitas no particular. É preciso ter muito cuidado para equilibrar os elogios e não os fazer muito a um docente e nunca ao outro. Se há uma coisa que aprendi é que todo mundo faz algo muito bem e sempre podemos aprender com o outro. Será o olhar atento e respeitoso do coordenador que notará o que cada um tem de especial.

Ser um condutor e um facilitador. Muitas vezes, no dia a dia da escola, temos que liderar tomadas de decisões nas quais os professores estão divididos. Em algumas ocasiões, até surgem atritos e mal entendidos entre o grupo da manhã e da tarde, entre novatos e veteranos. Decidir sozinho, sem conversar com ninguém, ou apenas falar com a direção, nunca é uma boa solução.  São nesses momentos que o papel do coordenador precisa incluir todos na decisão, ouvir os que são a favor e os que são contra a questão, balizar os argumentos, tendo sempre bem claro qual é o papel da escola e o que é melhor para os alunos.

Aprender sempre e assumir que não sabe. Ser coordenador de um grupo não significa saber tudo. Muito pelo contrário, a cada dia que passa tenho mais clareza de que sei muito pouco e que sempre aprendo com o professor. Assumir o não saber e falar que refletirá e pesquisará melhor quando um docente traz uma pergunta ou apresenta uma situação mais complexa são atitudes que já tive várias vezes ao longo da minha carreira. Inclusive, já compartilhei aqui que meu maior desafio é o eixo de Música. Sempre peço ajuda aos meus colegas que entendem mais desse eixo do que eu, seja para entender melhor um conteúdo ou para procurar auxílio durante o planejamento de uma formação.

Respeitar e acolher o ser humano. Ações como cumprimentar o professor diariamente, conhecer as particularidades dele, saber a hora de falar e a hora de ouvir e perguntar se ele precisa de ajuda quando ele está visivelmente abatido com alguma situação que está vivenciando ajudam a cultivar um bom relacionamento com a equipe.

Bom, essas são algumas das atitudes que acredito serem capazes de melhorar a convivência e assegurar o respeito e a valorização do professor. Certamente, existem outras que também fazem a diferença. Você tem alguma sugestão?

Um abraço, Leninha


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Dê atenção especial ao professor alfabetizador

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Para que possa produzir mudanças, o educador precisa buscar novos conhecimentos e saber como aplicá-los em sala de aula, contando com o auxílio da formação continuada. (Foto: Manuela Novais)

Para produzir mudanças, o educador precisa buscar novos conhecimentos e saber aplicá-los em sala de aula, contando com o auxílio da formação continuada. (Foto: Manuela Novais)

O professor alfabetizador é o profissional responsável por planejar e implementar ações pedagógicas que propiciem aos alunos o desenvolvimento das habilidades para ler e escrever com compreensão. É importante considerar que a alfabetização vai muito além da determinação de conteúdos a serem ensinados, e a sua complexidade exige que o docente conheça a estrutura e o funcionamento da língua. Sendo assim, é indispensável que ele esteja familiarizado com as características e as implicações das etapas do desenvolvimento de uma criança, as competências que os alunos deverão adquirir ao final de um ano letivo, os métodos de alfabetização existentes e as abordagens de avaliação da aprendizagem.

Para que possa produzir mudanças, o educador precisa buscar novos conhecimentos e saber como aplicá-los em sala de aula, contando com o auxílio da formação continuada. Alfabetizar é uma das maiores dificuldades dos professores e, por isso, o tema precisa ser trabalhado constantemente pelo coordenador pedagógico. Os conteúdos da formação são muitos, e a definição de quais assuntos priorizar e por onde começar deve favorecer a construção das competências necessárias para garantir a evolução dos alunos.

Portanto, o processo de formação precisa ser menos idealizado e mais próximo da realidade, levando em conta a experiência cotidiana e os saberes adquiridos na prática. Para que garanta a alfabetização, o docente precisa estar qualificado em relação ao domínio dos conceitos e teorias de aprendizagens no processo de construção da escrita, assim como às estratégias de leitura. Mas como ajudar os professores a construir tais competências?

Ao elaborar um plano de formação sobre alfabetização, destaco alguns conteúdos e ações essenciais que podem ajudar no processo:

- A concepção de alfabetização, os métodos de ensino e as teorias de aprendizagem;
- A construção da escrita: hipóteses de escrita e de leitura;
- A análise de adequação das situações didáticas de alfabetização com base no conhecimento dos alunos;
- A análise da produção escrita dos alunos, identificando o que ela revela sobre o conhecimento linguístico de cada um;
- A produção de instrumentos de avaliação da aprendizagem;
- A identificação das variáveis que interferem na assimilação do conteúdo;
- A formação de agrupamentos produtivos e o favorecimento da cooperação entre as crianças;
- A seleção de diferentes materiais apropriados para o trabalho pedagógico;
- A gestão adequada da sala de aula e a organização do espaço, especialmente quando há níveis heterogêneos de conhecimento em relação ao sistema de escrita;

Minha sugestão é olhar para a prática do professor, os materiais que ele produz, os conteúdos que trabalha e como organiza e planeja as atividades. É muito importante acompanhar a rotina de toda a equipe, fazendo observação de aula e analisando o caderno dos estudantes. Isso não deve ser feito para vigiá-los e fazer cobranças, mas sim como um trabalho de parceria e um diagnóstico para levantamento das necessidades de aprendizagem.

E vocês, como organizam a formação dos professores alfabetizadores? Compartilhem!

Abraços,
Eduarda


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O que as crianças devem aprender na Educação Infantil?

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Crianças fazem pinturas no papel com pincel durante a aula (Foto: Gabriela Portilho)

A expressão artística, a apreciação das obras de arte e a experimentação de novos materiais são vivências essenciais na Educação Infantil (Foto: Gabriela Portilho)

Um grupo de especialistas está preparando um documento para definir as diretrizes curriculares para a Educação Infantil. Quando ficar pronto, entre setembro e dezembro, ele será colocado em consulta pública pelo Ministério da Educação (MEC) antes de ser aprovado.

Considero essa discussão importantíssima, porque sabemos que muitas pessoas ainda não enxergam essa etapa do ensino como um momento de aprendizagem. Além disso, há muita polêmica sobre o que e como ensinar os pequenos. Devemos ter um currículo?  Todos devem aprender os mesmos assuntos ou vivenciar as mesmas experiências numa mesma turma? As crianças devem ser alfabetizadas já na pré-escola? Como vocês podem ver, são muitas as perguntas que não possuem respostas definitivas ou objetivas.

Eu, particularmente, tenho algumas convicções em relação a esse assunto, todas alicerçadas na minha formação, experiência e estudos. Com base nelas, fiz uma lista de aprendizagens e vivências que considero fundamentais para pequenos na faixa etária de 0 a 5 anos. Ressalto que não me proponho a esgotar todas as possibilidades, pelo contrário, inicio essa listagem e peço que cada um de vocês adicione um ou mais itens e opine sobre a pertinência do que eu destaquei.

  1. Jogar e brincar. Essas duas atividades devem acontecer diariamente na rotina de todas as crianças, com momentos de faz de conta, roda, jogos coletivos com regras, jogos de encaixe, quebra-cabeça, jogos verbais, brincadeiras no parquinho, na sala e em todo e qualquer lugar. Brincar é a linguagem por excelência da criança e variadas experiências e vivências diárias possibilitam inúmeras aprendizagens, além da superação dos desafios, da interação com o outro e muito mais!
  2. Ouvir histórias. Toda criança tem o direito de ouvir pelo menos uma boa história a cada dia. Pode ser um causo, um conto de fadas, uma aventura… O mais importante é assegurar a qualidade da literatura com a qual os pequenos entram em contato. Por isso, uma história da tradição oral da região certamente tem muito mais a acrescentar do que um livro infantil mal escrito.
  3. Construir a identidade e a autonomia. Proporcionar situações nas quais as crianças tenham a oportunidade de se perceber como indivíduo, de aprender a conviver e respeitar o outro e de, gradualmente, ser capaz de cuidar de si e tomar decisões é uma meta da Educação Infantil.
  4. Falar, perguntar, argumentar. Aprender a se comunicar cada vez com mais desenvoltura e clareza, saber se posicionar e explicitar os desejos, necessidades ou ponto de vista é fundamental durante toda a vida. No entanto, o planejamento do eixo de Oralidade nessa etapa é um dos mais esquecidos.
  5. Pesquisar. Observar, perguntar e comparar são atitudes comuns entre as crianças. Cabe à escola propiciar situações para que elas possam pesquisar temas e assuntos de interesse. Se o planejamento for bem elaborado, os pequenos farão grandes descobertas, aprenderão a analisar e compartilhar o conhecimento e, o mais importante, visualizar as próprias aprendizagens.
  6. Desenhar, pintar e colar em Artes Visuais. A presença da expressão artística, da apreciação das obras de arte, da experimentação de novos suportes, dos meios e materiais é essencial na Educação Infantil, pois a Arte Visual é uma linguagem vital na expressão e comunicação humana. Infelizmente, ainda existem escolas em que o estereótipo e os desenhos para colorir são a tônica.
  7. Ler e escrever. Situações de leitura e escrita acontecem na vida de uma criança desde que ela é bebê e interage com o mundo que a cerca. Estamos rodeados desse código de registro e comunicação e, desde muito novas, as crianças tentam compreendê-lo. É papel da escola propor situações reais de leitura e de escrita, oportunizar e valorizar as inúmeras tentativas dos pequenos de atuar como leitores e escritores. É preciso, então, considerar sempre os saberes e o próprio jeito deles de ler e de escrever.
  8. Recitar, contar e quantificar. São inúmeras as situações de uso real ou de brincadeiras em que recitar os números, contar os objetos ou estimar a quantidade se faz necessário. Claro que é fundamental que essas atividades tenham um objetivo explícito para as crianças, pois só assim elas farão sentido e proporcionarão aprendizagens.
  9. Cantar ou apreciar músicas. O canto, a apreciação de obras musicais, a participação em brincadeiras de dança e a experimentação de ritmos são essenciais, pois possibilitam muitas aprendizagens para as crianças.

Deixo os próximos itens por sua conta! O que você acha que deve ser assegurado na creche ou na pré-escola? Você concorda com os itens que eu coloquei?

Um abraço, Leninha


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Como trabalhar a avaliação na formação dos professores

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Construir boas avaliações requer um preparo técnico e uma capacidade de observação dos profissionais envolvidos. (Foto: Manuela Novais)

Construir boas avaliações requer um preparo técnico e uma capacidade de observação dos profissionais envolvidos. (Foto: Manuela Novais)

A avaliação é definida como a análise da relação entre as condições oferecidas pelo ensino e as aprendizagens adquiridas pelos alunos. Como parte integrante do processo educacional, ela deve estar presente na rotina de formação continuada elaborada pelo coordenador.

Segundo Philippe Perrenoud (1999), a avaliação é um processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente relacionada à gestão da aprendizagem dos alunos, seja ela pontual, diagnóstica ou contínua. Já que o ensino é um trabalho cooperativo entre coordenador e professor, a avaliação precisa ser pensada em conjunto, garantindo que os objetivos e as metas propostos para cada série sejam cumpridos. Esse processo se realiza com base na análise do que ocorreu nas séries anteriores e nas situações de sala de aula.

Mas o que está por trás do termo avaliar? A avaliação é um processo natural para que o professor identifique os conteúdos que foram assimilados pelos alunos, assim como diagnosticar se as metodologias de ensino adotadas estão colaborando com a aprendizagem deles. Há muito tempo, avaliar significava apenas aplicar provas, dar notas e classificar os estudantes em aprovados e reprovados. Essa visão está sendo modificada aos poucos, e é papel do coordenador colocar esse tema em discussão na formação dos educadores. As conversas precisam contribuir com o entendimento de que avaliar é um processo pedagógico contínuo, portanto, que ocorre dia após dia, buscando corrigir erros e construir novos conhecimentos.

Para isso, os docentes precisam conhecer diferentes maneiras de avaliação que podem ser incorporadas na rotina como métodos de observação, instrumentos de registros dos conhecimentos dos alunos em diversas situações, análise de produções das crianças e jovens e vídeos de situações didáticas para verificar as interações entre as crianças. Outro aspecto importante é aprender a aprimorar as provas, tanto na compreensão mais ampla do que elas representam, como na própria elaboração desse instrumento.

Construir boas avaliações requer um preparo técnico e uma capacidade de observação dos profissionais envolvidos. Portanto, para organizar um plano de formação sobre o assunto, levo em conta alguns aspectos importantes que podem ser diagnosticados observando a prática do docente: O que sabem os professores sobre o processo de avaliação? Como identificam as necessidades de aprendizagem dos alunos? Que instrumentos utilizam para avaliar o que acontece na rotina da sala? Eles conhecem o conteúdo da série que atuam e as metas estabelecidas pela escola?

Com base nessas questões, é possível elaborar um estudo com os professores considerando os seus conhecimentos prévios e os seus instrumentos de avaliação. Também é essencial avaliar os registros de acompanhamento dos alunos e, a partir deles, identificar estratégias que podem ajudar as crianças a superar as suas necessidades. Ao final da formação, um bom caminho é construir junto com os docentes alguns modelos de referência.

Multiplicar os espaços de diálogo na escola e pensar sobre como os resultados das avaliações podem gerar novas e criativas práticas pedagógicas é uma ação importante que deve ser planejada pelo coordenador. E vocês, que ações realizam para aprimorar as avaliações na sua escola?

Um abraço,

Eduarda


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Diversificar as estratégias formativas ajuda a engajar os professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Professoras da EMEI Maria Alice Pasquarelli, em São José do Campos (SP), participam de reunião de formação.

Um dos princípios que precisa ser assegurado na escolha das estratégias formativas é o trabalho coletivo (Foto: Gabriela Portilho)

Selecionar de que maneira será abordado o conteúdo que se quer discutir, introduzir, repensar ou aperfeiçoar faz toda a diferença para alcançar os objetivos definidos no projeto de formação (leia mais aqui), pois garante a receptividade e o engajamento dos professores.

Acredito que um dos mais importantes princípios que precisa ser assegurado na escolha das estratégias formativas é o trabalho coletivo, o pensar junto, a dialética do grupo de professores. Quando temos um debate e precisamos argumentar com coerência e respaldo teórico, mais nos aprofundamos no objeto de conhecimento.

Com base nesse princípio, listo as principais estratégias que adoto quando planejo uma formação na escola.

Analisar informações ou afirmações. Uma ótima maneira de iniciar uma formação é, logo de cara, pedir para os professores, em duplas, lerem uma lista de afirmações ou informações vinculadas ao conteúdo escolhido e dizerem se as consideram verdadeiras ou falsas, argumentando a escolha. Costumo escolher cuidadosamente de seis a dez itens, elaborando-os de tal forma que as respostas não sejam tão óbvias (clique aqui para ver um exemplo). A ideia é gerar reflexão e até certa polêmica. Assim, o grupo se mobilizará na hora de discutir.

Estudo de caso. Elaborar uma história que explicite determinado encaminhamento pedagógico ou apresentar uma situação-problema que necessite de uma intervenção como se estivéssemos na sala de aula também é uma boa estratégia. Nesses casos, cada professor lê a história, anota qual seria a ação dele e, na sequência, discute com um parceiro definido pelo coordenador. Depois, cada dupla apresenta a reflexão para debater com o grupo. A intenção é abrir uma grande roda de conversa cujo tema é a discussão pedagógica do caso apresentado.

Durante todas essas etapas, o papel do coordenador é ativo. Quando os professores estão em dupla, por exemplo, ele deve fazer intervenções pontuais para contribuir com a reflexão. Na hora em que a discussão é aberta, é ele quem deve conduzi-la, dando voz aos profissionais, validando os argumentos, fazendo perguntas que retomem o foco. Por fim, também cabe ao coordenador elencar, com o auxílio de todos, quais são os principais pontos que merecem destaque.

Leitura de referência. Depois de começar a refletir sobre o conteúdo em questão, é hora de buscar referências teóricas, ler pesquisas e artigos especializados. Sempre que possível entrego o material selecionado antecipadamente para cada professor. Dessa forma, ele terá a oportunidade de ler antes da discussão coletiva. Se não for possível antecipar a leitura, ela deve acontecer individualmente no próprio horário de formação, com a consigna de marcar os pontos que mais chamaram a atenção. Na sequência, comentamos o texto conforme as anotações que cada um efetuou. Nada como ouvir o comentário do colega e o contraponto do outro para potencializar a compreensão!

Análise de produção das crianças. Podemos utilizar produções impressas (desenhos, pinturas e escritas) ou gravações em áudio ou vídeo para explicitar o conteúdo abordado. A produção escolhida para análise deve ser sempre a melhor possível, pois são os bons modelos que nos ajudam a enxergar as possibilidades de intervenção pedagógica mais adequada. Nunca utilizamos um exemplo de situação que não foi boa para mostrar o que não fazer, porque isso não ajuda o professor a construir referências para aprimorar o trabalho dele.

Essas são algumas estratégias que, certamente, você já utilizou com os professores. Que tal compartilhar conosco outras que você também acha interessantes?

Um abraço, Leninha



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Estimule a troca de experiências entre professores novatos e experientes

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
É imprescindível estabelecer vínculos na equipe, potencializar os talentos e conhecimentos do grupo e favorecer o diálogo. (Foto: Shutterstock)

É imprescindível estabelecer vínculos na equipe, potencializar os talentos e conhecimentos do grupo e favorecer o diálogo. (Foto: Shutterstock)

Articulador do projeto pedagógico, formador do corpo docente, transformador do ambiente escolar. O coordenador pedagógico se assemelha a um regente: conduz a orquestra com gestos claros e promove um sentimento de união entre os membros do grupo. Esse trabalho está baseado na interlocução entre as necessidades da comunidade que a escola atende, as necessidades formativas dos professores e as exigências do currículo.

No início de cada semestre letivo, muitos coordenadores se deparam com uma equipe de docentes com diferentes níveis de conhecimentos em relação ao conteúdo e às estratégias metodológicas. É preciso lidar muitas vezes com professores novatos, tanto aqueles iniciantes na carreira quanto aqueles que vieram de outra instituição ou série.  No post da semana passada, tratei sobre como fazer a recepção a esses profissionais. Hoje vamos avançar mais um pouco: como garantir uma formação que atenda a todos?

Desconsiderar os iniciantes e pensar somente nos professores experientes, dando continuidade ao plano de formação estabelecido no ano anterior, pode trazer um desequilíbrio na equipe e prejudicar a aprendizagem dos alunos.

Ao perceber esse desafio com alguns colegas da rede em que atuo, resolvemos colocar o tema em discussão. Sabíamos que precisávamos dar continuidade ao processo formativo da rede e, portanto, nosso foco foi pensar nas estratégias que deveriam ser utilizadas para não prejudicar a aprendizagem e as metas estabelecidas no PPP. Definimos que era imprescindível estabelecer vínculos na equipe, potencializar os talentos e conhecimentos do grupo e favorecer o diálogo. Além disso, elaboramos algumas ações que poderiam ajudar nessa integração:

Formação de grupos de estudos: para incentivar a troca de ideias e o compartilhamento de saberes, organizamos grupos de estudos com os experientes e os iniciantes que atuavam na mesma série.

Tematização de boas práticas: durante as reuniões de formação, tematizamos situações didáticas aplicadas em sala de aula por um professor. Buscar ideias na prática do outro com base na análise de aulas documentadas em vídeo é um importante instrumento de reflexão para quem está começando.

Planejamento em parceria: alguns trabalhos e atividades podem ser planejados em parceria, em que os docentes poderão compartilhar dúvidas, ideias e dificuldades. Esse tipo de trabalho diminui a insegurança do novato, potencializa suas habilidades e permite a ampliação dos conhecimentos.

Observação na sala de aula: após um planejamento coletivo, o iniciante pode atuar como observador da atuação de um parceiro experiente para criar referências. Nesse processo, o papel do professor mais antigo é determinante para o domínio dos procedimentos, já que seu trabalho será visto como modelo de referência e reflexão para o aprendiz.

Banco de experiências:  com base em uma documentação organizada de boas práticas, elaborada pelo coordenador ou até por um professor, o iniciante poderá ter boas referências de planejamento, projetos realizados e formas de avaliação que servirão como apoio neste momento inicial.

Na escola em que trabalho, essas estratégias contribuíram muito com a formação da equipe e garantiram avanços consideráveis na aprendizagem de todos os docentes. E vocês, como estabelecem o diálogo entre professores novatos e experientes?

Abraços,

Eduarda


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Atue junto ao professor e mapeie os que precisam de ajuda individualizada

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Leninha Ruiz conversa com professora (Foto: Gabriela Portilho)

Nessa época do ano, mapeie quais professores e quais crianças precisam de uma ajuda pontual (Foto: Gabriela Portilho)

Já escrevi inúmeras vezes que o papel do coordenador pedagógico é auxiliar e apoiar os professores nos encaminhamentos da sala de aula a fim de assegurar a qualidade pedagógica das diferentes situações de aprendizagem. Esse trabalho deve acontecer o ano inteiro, mas considero que o início do segundo semestre é um dos momentos chave para isso, porque muito já foi feito e ainda há bastante tempo até o final do ano para melhorar. Essa época também é boa para mapear quais professores e quais crianças precisam de uma ajuda pontual.

Acredito que uma boa estratégia para qualificar a prática dos professores, seja porque as abordagens feitas não estão surtindo efeito, porque eles estão se adaptando à proposta pedagógica da escola ou simplesmente porque querem trocar ideias sobre seus encaminhamentos, é realizar atendimentos individuais. Nessas conversas, o objetivo é saber sobre o andamento das turmas e focar nos alunos que, por algum motivo, estão gerando preocupação.

Antes da reunião, oriento o profissional a eleger sobre o quais aspectos do trabalho ele quer conversar, a separar os registros sobre as ações dele e sobre os pequenos e, se for necessário, algumas produções feitas por eles. Reservo um local tranquilo para que nada nem ninguém nos atrapalhe durante o momento de escuta atenta de suas preocupações e observações.

Percebo que, só de eleger quais casos serão tratados e de relatar para outra pessoa algum ponto que pareceu problemático, os professores já fazem uma reflexão sobre suas conquistas e interação com a turma e conseguem encontrar bons encaminhamentos. Isso acontece porque a mudança de perspectiva permite o profissional se distanciar do cotidiano e olhar mais criticamente para o próprio fazer. No entanto, às vezes o desafio é mais complexo. Nesses casos, procuro dar sugestões e dizer quais serão os encaminhamentos, entre eles ajudar o professor a planejar situações didáticas específicas para a turma ou para uma criança, ir mais vezes observar a sala de aula e conversar com a família para ter mais informações. Quando estou em dúvida sobre a melhor abordagem, anoto tudo para refletir e dar um retorno posteriormente. Muitas vezes, busco ajuda de docentes de outros anos ou mesmo de colegas coordenadoras para discutir o assunto.

Depois de conversar com todos os membros da equipe, abro uma pasta para cada professor no meu computador e registro num arquivo tudo o que eles me disseram e os encaminhamentos tirados daí. Envio esse documento para o docente com uma coluna para que ele anote de que forma as ações estão sendo postas em prática em sala. Conforme a necessidade, retomamos a conversa dentro de alguns dias ou semanas. Quando são casos mais desafiadores, acompanho mais de perto todo o processo.

E vocês, como apoiam os professores em suas dificuldades particulares?

Um abraço, Leninha


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Cuidado na recepção aos professores novatos

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Nas reuniões de formação, é importante escutar o recém-chegado e saber quais foram suas experiências passadas, dando espaço para que ele se sinta valorizado. (Foto: Manuela Novais)

Nas reuniões de formação, é importante escutar o recém-chegado e saber quais foram suas experiências passadas, dando espaço para que ele se sinta valorizado. (Foto: Manuela Novais)

O papel do coordenador é unir o projeto político-pedagógico, os conteúdos programáticos e as pessoas envolvidas na construção do trabalho da escola: professores, gestores, pais e alunos. Não é possível harmonizar esses três fatores sem considerar questões importantes que envolvem a nossa função: O que fazer para apoiar o professor e contribuir com a sua formação? Como cumprir as propostas e ações previstas no PPP? Como lidar com uma equipe formada por professores efetivos e outros novatos?

Esses questionamentos direcionam as nossas atividades e apresentam desafios que testam as nossas habilidades. Hoje, uma das tarefas que mais exige atenção especial é a recepção dos professores novatos, seja um docente iniciante na carreira ou na série que vai atuar, seja um que veio de outra instituição. Integrá-lo ao grupo, apresentar a proposta pedagógica, orientá-lo sobre a sua função, analisar e conhecer sua prática e promover a troca de experiências entre novos e antigos são alguma das ações que desenvolvo cuidadosamente.

Em primeiro lugar, é importante apresentá-lo aos futuros colegas e levá-lo para conhecer os espaços da instituição. Além disso, o coordenador deve fazer uma reunião para mostrar qual é a concepção de aprendizagem que norteia o trabalho da escola, apresentando o projeto político-pedagógico (PPP). Uma dica é entregar uma cópia do documento ao novato e fazer a seleção de algumas partes essenciais para que ele reflita e estabeleça relações com a sua prática. Nessa leitura prévia, ele identifica quais são as propostas e metas a ser alcançadas, percebe qual será o seu papel dentro dessa nova instituição e, por fim, quais são as estratégias que norteiam a prática pedagógica e os projetos que são desenvolvidos. Esse é bom começo para a adaptação dele ao ambiente escolar e contribui para que ele se sinta como um membro da equipe.

Há ainda outras ações importantes que oferecem subsídios ao recém-chegado. Nas reuniões de formação, é importante escutá-lo e saber quais foram suas experiências passadas, dando espaço para que ele se sinta valorizado. Também é essencial compartilhar quem são os alunos, os dados das turmas e as características da comunidade, além de estabelecer parcerias com os educadores mais experientes que podem ajudá-lo no planejamento e na adaptação.

Se o professor é recebido sem qualquer cuidado, é mais provável que ele se sinta desmotivado e despreparado para entrar em sala de aula. Uma boa recepção reflete na sua prática, na sua maneira de planejar e, principalmente, na sua relação com o coordenador e com os demais membros da comunidade escolar.

E vocês, como recebem os professores novatos? Compartilhem!

Abraços,
Eduarda


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Como elaboro um projeto de formação de professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Para planejar uma formação, precisamos pensar nas particularidades do processo de ensino e aprendizagem dos adultos (Foto: Gabriela Portilho)

Para planejar uma formação, penso nas particularidades do processo de ensino e aprendizagem dos adultos (Foto: Gabriela Portilho)

Estudamos e pesquisamos bastante sobre como as crianças aprendem, quais atividades são mais adequadas para mobilizar os saberes delas e quais devem ser as intervenções dos professores em determinadas situações. Será que, no caso dos adultos, os processos de ensino e de aprendizagem são semelhantes? Qual será a melhor maneira de tematizar e discutir um conteúdo com os docentes para que a prática deles seja mais acertada e eficiente?

Com base nessas perguntas, penso um projeto de formação de professores em três níveis:

  1. Como envolver os profissionais numa reflexão que explicite a necessidade de estudar um conteúdo;
  2. Quais atividades serão mais adequadas para focar ou tomar a prática como objeto de estudo;
  3. Como o conhecimento gerado será sistematizado.

No primeiro nível, minha preocupação é que fique muito claro o quê e o porquê iremos discutir determinado conteúdo. Vou dar um exemplo para ficar mais fácil. Numa das formações, escolhi trabalhar o reconto. Tomei essa decisão após receber algumas solicitações de professores para falar sobre isso, observar algumas salas de aula e ler os relatórios de avaliação do primeiro semestre. Percebi, então, que estavam acontecendo poucas situações em que as crianças faziam o reconto, além de, algumas vezes, os textos literários escolhidos para essa atividade não serem os mais adequados. Foi justamente com essas constatações que comecei o primeiro encontro. Minha primeira proposta foi que cada profissional fizesse um pequeno texto reflexivo sobre como estava o trabalho com reconto na turma dele, analisasse os registros e explicitasse os resultados, as dificuldades e as conquistas.

O próximo passo foi aprofundar o conhecimento sobre o conteúdo. Algumas perguntas que eu gostaria de responder com o grupo ao longo de alguns encontros (previamente estipulados) eram: por que é fundamental que o reconto aconteça em todas as salas e o que se espera que as crianças aprendam. A estratégia formativa que adotei foi, considerando a reflexão feita anteriormente, destacar leituras de referências e analisar o planejamento e a execução de ações em sala. Para isso, planejamos juntos uma atividade de reconto e combinamos que todos os professores a fariam em determinado período e a filmariam. Deixei livre para que cada pessoa analisasse o vídeo sozinha, comigo ou tematizando com o grupo. Essa etapa do projeto é a mais longa, mas também a essência da formação, pois visa aperfeiçoar a prática dos participantes. É importante que todos saibam que serão respeitados e que toda e qualquer dúvida ou equívoco serão vistos como oportunidade de melhoria. E quem garante esse acolhimento é o coordenador pedagógico.

Por fim, o último encontro foi destinado à sistematização e registro de tudo o que havíamos discutido e a formulação de quais seriam os encaminhamentos que tiraríamos daí. Geralmente, proponho a elaboração de um documento com orientações didáticas, que é datado, copiado e distribuído para cada um dos professores. Essas orientações podem estar relacionadas ao planejamento, à seleção de materiais, à sugestão de atividades, às intervenções, ao que é necessário observar e registrar sobre a aprendizagem das crianças, entre outros aspectos que possam ajudar o docente a qualificar o fazer pedagógico.

Como o contexto da escola e das turmas podem mudar com o tempo, deixei claro que poderíamos voltar ao mesmo conteúdo no futuro para aperfeiçoá-lo novamente.

E você, como planeja o projeto de formação dos professores?

Abraços, Leninha


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