Quando um professor falta, a rotina deve continuar

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
A rotina orienta os pequenos e lhes dá segurança a respeito do que farão no dia (Foto: Gabriela Portilho)

A rotina orienta os pequenos e lhes dá segurança a respeito do que farão no dia (Foto: Gabriela Portilho)

Na creche ou na pré-escola, a rotina das turmas é fundamental para nortear os pequenos e dar a eles a segurança necessária para saber o quê, quando e como acontecerão as atividades cotidianas. Às vezes, no entanto, o professor da turma falta. E a normalidade precisa ser mantida!

Quando a ausência é programada, o profissional pode deixar tudo preparado e elaborar um planejamento para que a pessoa que vai substituí-lo saiba o que fazer. Em salas com mais de um educador, como no caso de berçários, também é tranquilo, porque já existe alguém que conhece o dia a dia dos alunos.

O problema maior é quando acontece um imprevisto com o único professor da turma. Isso já aconteceu várias vezes na escola onde eu trabalhava. Nesses casos, eu sempre tentava orientar a educadora que ficaria com a turma a seguir uma rotina básica: momento do diversificado, atividade de Arte, lanche, parque, brincadeiras na grama, jogos no final do período. Entretanto, esse plano não incluía informações sobre como cada educadora da instituição encaminhava as diferentes situações e, por isso, eu não conseguia assegurar a qualidade do ensino.

Outro entrave comum era a perda de um tempo enorme na procura de materiais quando a substituta planejava uma atividade diferente, por exemplo, uso de tintas e pincéis. Nesse período, as crianças se dispersavam e a rotina inteira se atrasava, inclusive o momento do lanche, que dificilmente pode acontecer em outro horário uma vez que existem várias outras turmas para utilizar o refeitório.

Uma alternativa para planos de aula emergenciais

Depois de várias situações como essa que descrevi acima, surgiu uma alternativa mais eficiente pensada pela Secretaria Municipal de Educação. Ela lançou o projeto “Sequência Máxima”, cujo objetivo era evitar a descontinuidade das atividades e da rotina nas salas de aula durante a ausência dos professores.

O projeto teve duas frentes. A primeira era que todos os professores da escola elaborassem um planejamento muito detalhado com os horários e orientações sobre cada momento da rotina, a localização do material usado em aula, a lista de nomes das crianças e o responsável por buscá-las. Enfim, todos tinham de escrever esse documento considerando que seria utilizado por uma educadora que não conhece o dia a dia da turma nem as crianças, além de, muitas vezes, nunca ter trabalhado na instituição. A segunda frente do projeto foi convocar todos os professores que se inscreveram para substitutos e fazer uma formação sobre a importância da rotina e os combinados da escola, como as regras de funcionamento do cronograma de rodízio nos brinquedos do parque.

Houve algumas professoras que não quiseram fazer o planejamento proposto pelo projeto, alegando que, em mais de 10 anos de trabalho, nunca haviam faltado sem deixar um plano para o substituto. Insisti que era preciso que todos o fizessem, pois nunca saberíamos se alguma emergência poderia acontecer. De fato, poucos dias depois, ocorreu um falecimento na família de uma das educadoras e precisamos colocar em prática o plano emergencial.

Caso você queira conhecer um exemplo de planejamento, veja aqui o documento elaborado pela professora Liliane, que está muito bem construído, esclarece e orienta detalhadamente o educador que, eventualmente, precisará substitui-la.

Essas mudanças simples reforçam a importância do planejamento e asseguram a rotina das crianças, vocês concordam?

Um abraço, Leninha


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Saiba como orientar os professores a preparar boas provas

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
As questões das provas devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula (Foto: Manuela Novais)

As questões das provas devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula (Foto: Manuela Novais)

Com um currículo estruturado e com a ajuda do coordenador pedagógico, o professor é capaz de pensar em estratégias de ensino e, com base nisso, planejar avaliações para diagnosticar a aprendizagem dos alunos. Sabemos que o docente tem vários instrumentos para fazer isso: provas escritas, atividades diagnósticas, observações de atividades, registros dos cadernos, trabalhos, pesquisas, apresentações orais, entre outros. Hoje, gostaria de refletir sobre as provas.

Quando construo minha rotina, já prevejo um momento em que terei que orientar os professores sobre a elaboração das avaliações. Nas nossas reuniões formativas, costumo refletir com a equipe sobre os aspectos necessários para fazer boas provas, que analisem apenas aquilo que foi ensinado. A seguir, listo alguns deles, definidos por mim e pelos educadores da escola em que trabalho:

Currículo e estratégias. A cada início de bimestre, seleciono com os professores os conteúdos que farão parte do currículo das séries e quais serão as estratégias de ensino adotadas. Isso vai permear toda a reflexão sobre as avaliações posteriormente.

Objetivos. Tabulamos os objetivos definidos para o bimestre numa planilha (clique aqui para ver um exemplo). Ela será utilizada para prever o tempo necessário para a realização da prova e o número de questões para dar conta de avaliar todo o conteúdo ensinado. Além disso, servirá para acompanhar os resultados dos alunos e pensar replanejamentos futuros.

Questões. Para construir uma boa prova, é preciso garantir uma conexão entre o que é avaliado e as atividades que o aluno costuma fazer em sala de aula. Portanto, as questões devem abordar apenas aquilo que foi trabalhado em sala de aula, além de ser claras e objetivas, para que os estudantes compreendam o que está sendo pedido.

Pontuação. O valor total da prova deve ser distribuído adequadamente por todas as questões, de acordo com o nível de dificuldade, por exemplo.

Análise da prova elaborada pelo docente

Sempre peço para que os professores me entreguem os documentos elaborados com antecedência, para que eu tenha tempo de analisá-los e dar uma devolutiva. Gosto de fazer observações pessoalmente, ponderando sobre as questões junto com eles.

Na maioria das vezes, minhas intervenções focam numa comparação entre a forma que determinado conteúdo foi trabalhado em sala de aula e como ele está sendo cobrado na prova. Com base nas respostas dos docentes e na análise do caderno das crianças (leia mais sobre isso aqui), sei se uma pergunta está adequada ou não àquela turma. Se não estiver, proponho que pensemos em outra alternativa.

Vale lembrar que cabe a cada professor utilizar outros instrumentos de avaliação ao longo de todo o processo de ensino e aprendizagem. Isso permitirá ao profissional considerar o potencial do aluno em vários momentos da rotina escolar e analisar o envolvimento dele nas atividades propostas e nas tarefas de casa. O resultado de tudo isso deve ser somado para compor a média do bimestre.

E vocês, coordenadores, como orientam os professores na elaboração das provas?

Abraços, Eduarda


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A visita à sala de aula inspira uma formação pontual

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
É muito importante elaborar atividades relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tenham um propósito para as crianças (Foto: Gabriela Portilho)

É muito importante elaborar atividades relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tenham um propósito para as crianças (Foto: Gabriela Portilho)

Um dia desses, fui à sala da turma de 5 anos, para entregar um material para a professora. Na lousa, havia seis contas para a criançada copiar e resolver no caderno. Respirei fundo e, num exercício de autocontrole, fiz cara de paisagem e não falei nada na hora. Há alguns anos, talvez eu chamasse a docente para conversar no mesmo dia e tentaria explicitar por que esse tipo de atividade não é nem um pouco adequada.

Ela é novata na escola, mas é uma professora bem experiente, que sempre demonstrou interesse e comprometimento. Como a maior vivência dela é no Ensino Fundamental, no começo do ano, costumava procurar por mim e pelas colegas para trocar ideias sobre encaminhamentos interessantes para fazer a turma avançar.

De fato, eu não havia abordado a Matemática nas formações deste ano. No entanto, já havíamos refletido inúmeras vezes sobre a importância de elaborar atividades que fossem relacionadas às práticas sociais, ou seja, que tivessem um propósito para a criança. Vou explicar melhor onde quero chegar com isso. Sempre que discutimos um conteúdo, ele se torna passível de ser transferido para outras situações. Por exemplo, já tínhamos tematizado a importância das atividades de escrita terem um propósito. Como em geral os professores transferem tal conhecimento para outras áreas, era de se esperar que, também para trabalhar os conteúdos de Matemática, eles elaborassem situações que podem acontecer na vida real ou façam parte de um jogo, o que, por si só, já faz a criança aprender muitas coisas para poder brincar.

Isso não aconteceu. Por isso, planejei uma formação pontual para discutir um pouco a aprendizagem das crianças em Matemática. Digo que ela foi pontual porque o foco dos demais encontros com os professores era Natureza e Sociedade naquele momento.

A discussão foi centrada em jogos que utilizamos nos diferentes níveis para tratar de conteúdos de Matemática. Combinei com os educadores que, em uma das nossas reuniões, traríamos todos os que eram usados. Fiz uma lista (clique aqui para ver) para que cada um marcasse qual traria – isso assegurou a diversidade e evitou a repetição.

A proposta foi bem simples: cada professor relataria como introduziu tal jogo na sua turma. Aqueles que não eram conhecidos seriam jogados por todos. Depois desse momento, desenhei a seguinte tabela na lousa e, coletivamente, a preenchemos:

Jogo ………………. ………………. ……………….
O que se pode aprender ………………. ………………. ……………….
O que a criança precisa saber para poder jogar ………………. ………………. ……………….

Essa atividade acabou sendo muito produtiva não só para a professora da turma de 5 anos, mas para as outras que ainda não tinham clareza sobre o quanto as crianças podem aprender com cada um dos jogos. Toda vez que elas jogam, precisam realizar vários procedimentos que envolvem contar, utilizar estratégias de cálculo e recitar a série numérica. Tudo isso sempre brincando, o que é muito importante!

E você, coordenadora ou coordenador, já precisou planejar uma formação pontual por conta da observação da prática?

Um abraço,

Leninha Ruiz


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Como incentivar a prática de leitura

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
 Para incentivar a leitura na comunidade, os pais foram convidados a ler para os filhos em sala de aula  (Foto: Manuela Novais)

Para incentivar a leitura na comunidade, os pais foram convidados a ler para os filhos em sala de aula (Foto: Manuela Novais)

A sala de aula e a casa são os locais onde as crianças mais ouvem histórias lidas por adultos, sejam eles professores ou familiares. Quando essa atividade não acontece em nenhum dos dois lugares, os pequenos deixam de ter um modelo de leitor experiente e o contato deles com o mundo escrito fica limitado. Percebo também que isso pode ter consequência na aprendizagem da leitura, da escrita e de outros conteúdos na escola.

Para resolver esse problema, a gestora e a equipe da EM Sebastião Araújo, onde trabalho como professora desde o ano passado, elaboraram o projeto Maleta Literária. Numa reunião pedagógica, a diretora me explicou que, há alguns anos, a instituição tem desenvolvido essa atividade como uma das ações de um projeto institucional que visa à formação de uma comunidade leitora. A ideia é incentivar a prática investindo em bons livros e numa rotina intensa de leitura pelos professores, pelos alunos e por todos os funcionários.

O projeto funciona da seguinte maneira: logo no início do ano letivo, a escola manda um comunicado aos pais, convidando-os a comparecer à instituição em uma data oportuna para realizar a leitura de um livro na classe da filha ou do filho. Assim que o convite é aceito, o professor, o coordenador ou o diretor organiza uma maleta com alguns livros de gêneros diversos e envia para o familiar. No dia marcado, a mãe ou o pai escolhe um dos exemplares ou seleciona um livro que tenha em casa e goste muito e lê para os alunos. A cada leitura, percebi que as crianças ficam mais animadas para que uma pessoa da família participe e se dispõem eles mesmos a pegar mais livros literários para ler.

Como levei o projeto para a escola onde sou coordenadora

Com a autorização da diretora, levei esse projeto para a escola em que sou coordenadora e apresentei aos professores, que gostaram da ideia. Juntos, definimos que a ação seria apresentada aos pais na reunião seguinte, na hora da leitura em voz alta que sempre acontece nesses encontros.

A recepção à ideia foi um sucesso e os familiares se envolveram muito nas atividades. É claro que, no começo, alguns ficaram receosos de participar, mas, com os relatos de outros pais, eles se animaram. Para ilustrar como a ideia deu certo, pedi a alguns familiares que me dessem depoimentos da experiência:

“O momento de leitura na classe foi muito interessante. Fiquei feliz em ver a alegria e a atenção dos alunos e a forma como eles participaram. Quando as crianças percebem nosso interesse pela leitura, elas também se interessam instantaneamente. Nossa participação também as incentiva a serem mais participativas nas atividades propostas pela escola”, Emiliane, mãe  de um aluno do 2º ano.

“A maleta literária mostra não só para as crianças, mas também para os adultos, como a leitura é importante. Depois que a inventaram, passamos a ler em família toda semana”, Jaqueline, mãede um aluno do 3º ano.

Encaminhamentos além do projeto

Com base no que o projeto rendeu, pensei em implantar as seguintes ações ao longo dos próximos meses:

  • Orientar as famílias na compra de títulos literários e nas estratégias de leitura em casa;
  • Planejar com os professores tarefas de casa envolvendo a leitura que possam ser feitas em parceria com os pais;
  • Promover visitas a bibliotecas externas à escola com os alunos;
  • Incentivar a participação dos professores em rodas de conversas com autores de livros;
  • Organizar saraus e contação de histórias;
  • Adquirir mais livros para a biblioteca da escola com o apoio da família;
  • Fazer leituras literárias durante as reuniões de módulo com os professores de forma a incentivá-los a ler para os alunos;
  • Apresentar títulos e gêneros variados para os professores, buscando diversificar o repertório deles;
  • Discutir e orientar os docentes na abordagem e na avaliação da leitura das obras literárias e nas estratégias para estimular o comportamento leitor nas crianças.

Ainda tenho um longo caminho pela frente nesse trabalho, mas, aos poucos, pretendo percorrê-lo.

E vocês, quais ações de incentivo à leitura realizam na escola?

Abraços, Eduarda


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Como dizer ao professor que algo precisa mudar na sala de aula

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Alfabeto na parede na sala da turma de 4 e 5 anos na EM Jandira Caetano Ribeiro, em São José do Rio Preto (Foto: Eick Mem)

Alfabeto na parede na sala da turma de 4 e 5 anos na EM Jandira Caetano Ribeiro, em São José do Rio Preto (Foto: Eick Mem)

Neste ano, estou fazendo formações mensais com um grupo de professores. Desde o início, os encontros acontecem numa mesma escola, que é a única com uma sala de reuniões. Por essa razão, eu tinha conhecido apenas as salas de aula dessa instituição sede.

Há pouco tempo, fui conhecer as outras três escolas que fazem parte do grupo. Logo na primeira, um dos professores me chamou para mostrar a sua sala. Todo orgulhoso, ele me disse que o local estava bem bonito e todo enfeitado, pois sua esposa tinha ajudado na decoração. Fiquei sem saber como agir diante da empolgação dele em me apresentar os materiais, os cartazes e os enfeites. Em todos os murais havia ilustrações de personagens de desenhos infantis, florezinhas, sol e nuvens sorridentes sem qualquer conexão com o que estava exposto. Acima da lousa, existia um alfabeto ilustrado com desenhos estereotipados e com diferentes tipos de letras (bastão e cursiva, maiúscula e minúscula). As letras iniciais das palavras das listas estavam em vermelho e o restante em preto.

Eu quase perdi a fala diante daquilo… Nos encontros de formação, já havíamos discutido e analisado vídeos e fotos de bons modelos de organização do espaço e atividades para fazer com as crianças, conversado sobre quais materiais são bacanas para estar expostos e ao alcance dos pequenos e refletido sobre a importância das listas (de nomes, histórias ou brincadeiras preferidas) para que os alunos tivessem escritas de referência. Enfim, havíamos lido e discutido bastante sobre o ambiente alfabetizador. Seria possível que tudo tinha sido em vão?

Esse professor era comprometido, mas tinha muitos vícios “escolarizados” – utilizo essa palavra para situações, encaminhamentos e atividades que só acontecem na escola e não fazem parte de nossa prática social. Por outro lado, me recordo bem das participações dele e de alguns comentários que efetuou dizendo que fazia muito sentido propor atividades de leitura e de escrita sempre privilegiando as práticas sociais.  A cada encontro de formação ele parecia estar compreendendo melhor que as atividades tinham que ser contextualizadas, ou seja, ter um propósito real.

E agora?

Claro que não falei nada durante a visita, mas desde então estou pensando em como vou abordar os aspectos inadequados na sala desse professor.  Nosso próximo encontro será só em outubro, por isso, tenho tempo para planejar uma forma bem bacana.

Até o momento, estou pensando em levar o grupo de professores para visitar algumas salas de aula com o objetivo de observar o ambiente alfabetizador (precisarei visitar todas antes para encontrar bons modelos) e, depois, fazer uma reflexão coletiva sobre os diferentes tipos de materiais, cartazes e listagens das salas com ênfase na função social real de cada um.

E você, o que faria no meu lugar?

Um abraço, Leninha


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Como acompanhar os avanços dos alunos indicados aos grupos de apoio?

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Os instrumentos de avaliação devem ser planejados de acordo com os conteúdos selecionados para o grupo de apoio (Foto: Manuela Novais)

Os instrumentos de avaliação devem ser planejados de acordo com os conteúdos selecionados para o grupo de apoio (Foto: Manuela Novais)

Para finalizar a sequência de reflexões sobre os grupos de apoio, gostaria de compartilhar com vocês como oriento os professores a fazer o acompanhamento dos alunos que são selecionados para esse espaço. A seleção, o planejamento e a avaliação são sempre realizados por mim em parceria com o docente de apoio e, depois, costumo deixar que ele desenvolva as atividades com autonomia. Mas o processo formativo desses profissionais continua e o diagnóstico e o acompanhamento dos estudantes são temas que merecem atenção constante.

Diferentes instrumentos podem ser utilizados para o acompanhamento dos alunos. A escolha da melhor opção depende do que queremos avaliar e das necessidades de aprendizagem diagnosticadas para aquelas crianças. Na escola em que trabalho, por exemplo, há grupos focados em trabalhar com os alunos que precisam avançar nas hipóteses de escrita e leitura, grupos de práticas de leitura e escrita e grupos de resolução de problemas matemáticos. Os instrumentos de avaliação, por sua vez, deverão ser planejados de acordo com os conteúdos prioritários selecionados para o grupo e devem fornecer dados precisos sobre a evolução da aprendizagem.

Descrevo, abaixo, alguns instrumentos que utilizamos:

Para grupos de apoio de alfabetização: solicitamos que escrevam uma lista de palavras ditadas pelo professor ou um texto memorizado, como a parlenda. Organizamos uma ficha de acompanhamento das hipóteses de escrita apresentadas pelos alunos e registramos os avanços em gráficos.

Para os grupos de apoio de práticas de escrita: pedimos que produzam um texto narrativo sobre as histórias e os contos que estão estudando. Após a escrita, tabulamos em uma planilha os aspectos que queremos analisar e, com base nisso, planejamos novas intervenções. A análise das produções escritas da turma não pode ser considerada o único recurso para avaliar o que os alunos estão aprendendo e o que é preciso planejar para que continuem avançando. As observações feitas pelo professor ao longo do desenvolvimento das atividades também precisam ser consideradas.

Para os grupos de apoio de práticas de leitura: selecionamos descritores e habilidades de leitura e elaboramos atividades de leitura e interpretação de texto, fazendo a tabulação dessas habilidades.Também registramos em planilhas o tipo de texto, a frequência da leitura dos alunos e outros registros observados em aula.

Para os grupos de apoio de resolução de problemas matemáticos: registramos o avanço e a evolução dos conhecimentos matemáticos dos alunos na resolução de problemas. Organizamos planilhas com possíveis estratégias com as quais os alunos poderão resolver os problemas e acompanhamos a evolução deles em relação ao cálculo.

De maneira geral, também podemos acompanhar os alunos através do rendimento ao longo do ano letivo nas aulas regulares, bem como pelos resultados que obtém em avaliações internas e externas. Sugiro, ainda, que os professores tenham um caderno com um bom espaço para anotações das observações individuais sobre cada estudante e mantenham aí registros das produções realizadas.

Para nós, coordenadores, o mais importante é orientar os professores sobre a elaboração de atividades, a aplicação delas, a avaliação constante e a manutenção dos registros. Para poder exemplificar esse processo, veja aqui alguns modelos de instrumentos e orientações que podem ser realizadas na seleção e acompanhamento dos alunos.

 

E você, utiliza algum tipo de instrumento de acompanhamento dos estudantes no grupo de apoio?

Até mais,

Eduarda


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Estudos de caso como estratégia de formação

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Mudar atitudes e concepções é o grande desafio de todo formador (Foto: Gabriela Portilho)

Mudar atitudes e concepções é o grande desafio de todo formador (Foto: Gabriela Portilho)

Há alguns dias, precisei fazer uma formação pontual que me fez pensar em como as estratégias nessa área precisam ser muito bem planejadas.

O trabalho foi realizado em uma escola onde o desafio de algumas professoras era envolver todas as crianças em diversas propostas. Apesar dos esforços, dois garotinhos de 4 anos, de uma das turmas, passavam o dia fazendo muitas traquinagens. Em vez de participar das atividades, eles ficavam brincando de lutinhas, saindo da sala sorrateiramente e se escondendo em algum canto. Claramente, os dois desafiavam a professora e achavam a maior graça nisso.

Em outras duas salas de 5 anos, as professoras também se queixavam muito de algumas crianças que não se acalmavam e estavam sempre provocando os colegas. Elas percebiam muitos conflitos entre os pequenos e diziam que a turma não atendia às solicitações delas.

Nos dois casos, a gestão da sala e o encaminhamento da rotina ficavam comprometidos, visto que as educadoras dedicavam muito tempo para lidar com essas situações. O que mais achei interessante nessa escola foi observar que outras profissionais conseguiam gerir casos semelhantes com muita propriedade.

Como ajudar os professores sem ser prescritiva?

O espaço da formação de professores precisa assegurar a reflexão coletiva, o debate entre os pares, o confronto de ideias e o compartilhamento de encaminhamentos. A construção do saber, portanto, emerge do grupo, que se embasa nos aportes teóricos que sustentam a prática.

Durante os encontros nessa escola, eu não queria dar receitas nem pedir que as professoras observassem como as colegas faziam. Era necessário mais que isso. Elas precisavam se sentir mais confiantes e ter em mãos várias alternativas para inserir todas as crianças em propostas bacanas. Dessa maneira, cada vez mais saberiam fazer uma boa gestão de sala.

Por três dias, fiquei pensando em como ajudar as docentes. Eu só tinha uma formação de três horas e, para dizer tudo o que eu gostaria, eu precisaria de alguns encontros.

Os estudos de caso

Cheguei à conclusão de que seria bacana formar duplas para discutir alguns casos e, depois, abrir para a reflexão coletiva. E assim foi feito! Anteriormente, é claro, eu defini quais seriam os pares: foram três duplas e um trio de professoras. Os membros dos quatro grupos tinham muitas diferenças na gestão da sala e era justamente esse contraste que eu queria.

Criei três histórias fictícias, muito parecidas com as situações que aconteciam na escola, para que os pares propusessem quais seriam os melhores encaminhamentos em cada uma das situações. Elas foram as seguintes:

  • Elaborar atividades adequadas aos diferentes momentos da rotina. Quando as crianças voltam do parque, por exemplo, é interessante fazer uma brincadeira bem tranquila em sala ou realizar um relaxamento de alguns minutos, colocando uma música apropriada ou falando palavras suaves e acolhedoras de forma tranquila;
  • Não fazer chantagem emocional, como dizer “A professora está muito triste com…”. A educadora deve falar e pedir com calma, porém com firmeza;
  • Não fazer ameaças sem sentido ou comparações com outras crianças, como “Acho que fulano precisa frequentar a sala do berçário, porque lá são todos muito comportados”.

O resultado na sala de aula

Mudar atitudes e concepções é o grande desafio de todo formador. Uma vez que o professor tem a possibilidade de ter clareza de como é possível encaminhar alguns trabalhos e saber que o resultado vale a pena, a chance de mudanças é grande.

Sei que as conquistas ocorrerão gradativamente, mas já tive retorno que duas professoras ficaram muito felizes por conseguir algumas atuações bem mais participativas das crianças. Elas já contaram sobre algumas atividades que deram muito mais certo depois que fizeram de outra maneira.

E você, já teve de fazer alguma formação pontual em bem pouco tempo? Compartilhe conosco!

Um abraço, Leninha


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Como fazer a formação de um professor de apoio

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O professor de apoio deve ter experiência em sala de aula e disponibilidade para participar de um processo formativo (Foto: Manuela Novais)

O professor de apoio deve ter experiência em sala de aula e disponibilidade para participar de um processo formativo (Foto: Manuela Novais)

Os grupos de apoio fazem parte do programa de intervenção pedagógica para sanar as necessidades de aprendizagem identificadas nas turmas. Assim como precisamos definir critérios para a seleção dos alunos que participarão, devemos estabelecer os parâmetros para escolher os profissionais que desenvolverão esse trabalho.

A meu ver, experiência em sala de aula e disponibilidade para participar de um processo formativo são as duas principais características de um professor de apoio. Além de ser um bom docente, ele precisa ser parceiro do professor regente da turma, porque o trabalho em conjunto dos dois será essencial para fazer os alunos avançarem de acordo com as metas estabelecidas.

Feita a seleção, é hora de organizar um plano de formação. Antes de tudo, o coordenador precisa analisar junto com os professores os dados das turmas e dos alunos selecionados para participar dos grupos de apoio. Com base nessas informações, será possível elaborar o diagnóstico para avaliar o ponto de partida, organizar os grupos de acordo com as necessidades de aprendizagem e planejar estratégias de avanço.

Abaixo, listo o que considero importante estar na pauta dos encontros com os docentes que assumirão esse trabalho.

  • Estudo e seleção dos conteúdos que serão desenvolvidos com os alunos;
  • Definição das expectativas de aprendizagem para cada ano/série, com critérios para aprovação (crianças que sairão do grupo) e reprovação (aquelas que permanecerão, pois não atingiram as expectativas) de alunos;
  • Elaboração de um planejamento de atividades que assegurem um equilíbrio entre as diferentes necessidades de aprendizagem. Cabe ao professor compreender que esse trabalho vai além do que simplesmente selecionar boas atividades;
  • Estudo de diferentes situações de ensino e aprendizagem, por exemplo, leitura e escrita feita pelo professor ou pelo aluno, atividades de alfabetização, entre outras;
  • Reflexão sobre a interação entre pares como fator de aprendizagem;
  • Relação entre o professor regente e o professor de apoio;
  • Discussão sobre o que são instrumentos de avaliação e quais devem ser utilizados, como registros de acompanhamento e análise da produção dos alunos.

Esse plano de formação pode ser executado em paralelo ao desenvolvimento dos grupos de apoio, pois sabemos que, quando definimos uma ação de intervenção pedagógica, ela deve ser imediata. Isso que significa que os alunos precisam receber apoio o quanto antes, pois o ano letivo está passando.

No decorrer do processo formativo, devemos ter em vista que estamos lidando com estudantes que apresentam dificuldades e que o professor de apoio não é o único responsável pelo sucesso da criança. Portanto, cabe ao coordenador pedagógico ajudá-lo nessa tarefa e na construção de uma ponte com o docente da turma.

Na minha escola, os grupos de apoio acontecem todos os dias. Caso isso não seja possível, eles devem ocorrer, pelo menos, três vezes por semana, com duração de 2 horas. Para que tudo funcione bem e os docentes se sintam apoiados por mim, costumo encontrá-los a cada 15 dias, durante 2 horas. Nesse período, dou continuidade ao plano de formação sobre o qual falei acima.

E vocês, coordenadores, possuem grupos de apoio na escola? Como orientam os professores que desenvolvem esse trabalho?

Até a próxima quinta-feira!

Abraços, Eduarda


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As relações interpessoais com os professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Para criar um ambiente de trabalho agradável, é necessário conviver bem com as pessoas (Foto: Gabriela Portilho)

Para criar um ambiente de trabalho agradável, é necessário conviver bem com as pessoas (Foto: Gabriela Portilho)

Conviver bem com as pessoas é uma das condições necessárias para criar um ambiente de trabalho agradável em todas as áreas de atuação, inclusive na Educação, não é mesmo? Mas como será que o estabelecimento de relações harmônicas impacta nos afazeres do coordenador pedagógico?

Acredito que impacta muito, porque o grupo de professores precisa confiar e encarar o coordenador como um parceiro que está ali para ajudá-lo na empreitada de assegurar as aprendizagens das crianças. Se não houver essa ponte, com quem o docente vai compartilhar as dúvidas e pedir auxílio quando precisar? Por isso, faz toda a diferença cultivar um bom relacionamento com a equipe para ser eficaz no trabalho.

Como criar um bom relacionamento com a equipe

A responsabilidade de criar e manter o clima de cooperação é do próprio coordenador, que tem o papel de líder dos processos de planejamentos e de formação. Abaixo, fiz uma lista do que acredito ser essencial para atingir esse objetivo.

Seja atencioso com pequenas atitudes no dia a dia. Quando convivemos muito com as pessoas, sabemos um pouco sobre suas preocupações e necessidades. Portanto, é sempre válido cumprimentá-las, perguntar a elas como estão, se precisam de alguma coisa, se a febre do filho pequeno já passou, etc. É a empatia em ação!

Valorize os encaminhamentos. Elogiar as atividades ou a participação ativa na formação mostra que estamos ali para apoiar e reconhecer também.

Tenha bom humor. Encarar os desafios e adversidades do cotidiano com leveza é fundamental. Nada mais chato que conviver com quem só reclama ou fica de cara feia.  De que adianta?  Problemas e desafios são intrínsecos à função de coordenar ou atuar em sala de aula. É mais gostoso se  a encararmos com disposição e sabermos que é preciso resolver os problemas da melhor maneira possível, sem se desgastar demais.

Ofereça ajuda. O professor pode precisar, por exemplo, de auxílio sobre como ensinar uma brincadeira nova para a turma.

Respeite os diferentes saberes. Isso é fundamental! Já coordenei professor que tinha uma prática muito boa, mas tinha uma dificuldade imensa de compreender a teoria quando líamos um texto. O contrário também acontecia: o professor é ótimo nas análises e discussões de textos, mas tinha muita dificuldade na sala de aula.  Respeitar não é ignorar, mas saber no que e como ajudar cada um.

Aja com ética. Isso significa não admitir a fofoca.  Falar ou ouvir comentários sobre outras pessoas só vale se for elogio ou críticas construtivas. Comentários maldosos precisam ser cortados. Deixe bem claro que nesse jogo o coordenador não entra.

Se conseguirmos manter um bom clima de trabalho e conquistar a confiança e o respeito dos professores, poderemos investir na melhoria constante dos processos de ensino e de aprendizagem. Você concorda?

Quais outras atitudes vocês cultivam para manter um bom relacionamento com e entre os professores? Compartilhem!

Um abraço, Leninha


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Critérios de seleção dos alunos para o grupo de apoio

Ao definir, no plano de intervenção pedagógica, que é necessária a formação de grupos de apoio, torna-se primordial, também, organizar um plano de ação para o funcionamento deles. Esse plano precisa contemplar desde a seleção dos alunos integrantes e dos professores que trabalharão nos grupos, até as reuniões preparatórias e a seleção dos conteúdos e das atividades que serão desenvolvidas.

Hoje, proponho a reflexão sobre a seleção e a identificação de alunos que necessitam de ajuda para que continuem avançando e que, portanto, farão parte dos grupos de apoio. Já me deparei com seleções em que mais da metade da turma foi indicada para participar dos grupos e as justificativas para isso eram baseadas, geralmente, em relatos orais. Como resolver essa situação? Um das estratégias que podem e devem ser utilizadas é o estabelecimento de critérios para o encaminhamento dos estudantes, baseados em dados reais e em registros consolidados.

Dentre os critérios para esta seleção destaco:

  • análise das produções dos alunos;
  • análise de dados das séries, como gráficos e tabelas, sobre o índice de alfabetização;
  • análise dos resultados das crianças com base em registros das atividades realizadas em sala de aula;
  • identificação  dos conteúdos em que os alunos apresentam mais dificuldades, como problemas de leitura, de interpretação de texto, de produção de texto e ortografia, e também de resolução de problemas ou memorização de conteúdo dos fatos fundamentais.

Ao solicitar que os professores selecionem os alunos, devemos pedir também que justifiquem os motivos das indicações. Assim, podemos identificar os critérios utilizados por cada docente e comparar com as normas citadas acima, estabelecidas para todo o conjunto. Muitas vezes, são indicados alunos com problemas de disciplina, concentração e atenção ou alunos com necessidades educacionais especiais (NEE). Para muitos desses, o grupo de apoio pode não ser a estratégia mais indicada.

Após os professores finalizarem a seleção, cabe a nós, coordenadores, questionar: Como organizar esses alunos de forma a atender as necessidades de aprendizagem que eles possuem? Como saber se eles realmente precisam da ajuda do grupo de apoio?

Neste momento, novamente é preciso ouvir os professores e discutir com eles o nível de aprendizado de cada estudante, oferecendo condições para que os docentes percebam que se tratam de necessidades de aprendizagem diferentes e, por isso, os grupos deverão ser divididos de acordo com tais características e não por série ou faixa etária. Isso pode ser realizado, por exemplo, em grupos de alfabetização, de ampliação das práticas de leitura e escrita, de desenvolvimento e de resolução de problemas matemáticos.

É importante criar instrumentos de avaliação que colaborem com todo esse processo. Logo no início da organização dos grupos, é preciso realizar uma avaliação diagnóstica para detectar quais são, de fato, as necessidades de aprendizagens e, com base nisso, levantar as  habilidades e os conteúdos que serão trabalhados. Outro foco é identificar se os estudantes realmente apresentam as dificuldades que os docentes indicaram.

Todo esse processo deve ser discutido com o diretor e apresentado para os pais. Eles devem ser informados sobre os motivos da formação dos grupos, o processo de seleção dos alunos e o plano de trabalho do professor que trabalhará com as crianças, além de detalhes como periodicidade, carga horária, local e quantidade de estudantes. Com tudo organizado e todas as partes de acordo, é partir para a ação!

Aproveito o tema para fazer um convite: a partir de sexta-feira (22 de agosto) você pode acessar a nova edição da revista digital GESTÃO ESCOLAR em iba.com.br/ge. A matéria de capa trata dos grupos de apoio e a leitura certamente poderá contribuir com a reflexão que estamos fazendo aqui no blog!

E vocês, como organizam e definem a seleção dos alunos? Troque conosco sua experiência!

Até a próxima quinta-feira!

Eduarda


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