Como viabilizar os grupos de apoio na escola

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A criação dos grupos de apoio é uma intervenção importante que precisa ser planejada, organizada, acompanhada e avaliada constantemente. (Foto: Manuela Novais)

A criação dos grupos de apoio é uma intervenção importante que precisa ser planejada, organizada, acompanhada e avaliada constantemente. (Foto: Manuela Novais)

Na semana passada, falei sobre a criação dos grupos de apoio na escola. Ao decidir que a escola viabilizará essa estratégia, a equipe gestora precisa criar condições que nortearão o trabalho. Para isso, considero importante levar em conta os seguintes aspectos:

- Critérios de indicação dos alunos: o resultado de uma avaliação diagnóstica pode ser o pontapé para a escolha. Porém, é preciso tomar cuidado com o levantamento dos critérios, para que não haja mais alunos nos grupos do que na sala de aula. Um aspecto que pode auxiliar nesse processo é criar novos instrumentos de avaliação para identificar quem são os alunos que realmente necessitam de apoio.

- Seleção e permanência dos alunos nos grupos: a equipe precisa acompanhar a evolução dos alunos, já que a ideia é que essa ação não seja para sempre.

- Quantidade de grupos de apoio: considerar o número de alunos e de professores da escola.

- Horário de funcionamento dos grupos: é preciso levar em conta a localidade, a necessidade de transporte e a disponibilidade dos alunos. Alguns grupos funcionam no horário escolar, e outros no contra-turno.

- Espaço para as aulas de apoio: deve ser disponibilizado pela equipe gestora.

- Materiais: letras móveis, cartazes com as letras do alfabeto, quadro numérico, calendário, números e outros que sejam necessários devem ser previstos e preparados com antecedência.

- Formação dos professores: a formação deve considerar os conteúdos de necessidade de aprendizagem dos professores em relação à organização dos grupos, ao planejamento das atividades, aos instrumentos de acompanhamento e avaliação dos alunos e às estratégias de ensino.

- Intercâmbio entre os professores dos mesmos alunos: a equipe precisa garantir um horário de reunião entre os educadores para que compartilhem impressões sobre o desenvolvimento dos estudantes.

- Relação das crianças com o espaço: pensar em como convidar os alunos a participar destes grupos. Para isso, deve-se fazer uma reunião com professores e familiares, que precisam ser parceiros da criança nesse processo.

- Levantamento dos conteúdos: uma das questões que norteiam o planejamento é como organizar os alunos de forma a atender suas necessidades de aprendizagem. Em alguns casos, em vez de separá-los por séries, é mais indicado agrupá-los por suas dificuldades: alunos que precisam se alfabetizar; que precisam avançar nas práticas sociais de leitura e escrita; que necessitam do domínio das operações básicas e da resolução de problemas, entre outras.

A criação dos grupos de apoio é uma ação de intervenção importante que precisa ser planejada, organizada, acompanhada e avaliada constantemente. E vocês, que critérios consideram na hora de organizar os grupos de apoio?

Abraços,

Eduarda


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Para cada idade, um planejamento

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
O planejamento dos professores precisa ser coerente e sequencial ao longo dos anos (Foto: Gabriela Portilho)

O planejamento dos professores precisa ser coerente e sequencial ao longo dos anos (Foto: Gabriela Portilho)

Quando começa um novo ano letivo, a equipe tem pela frente um momento de muito planejamento, pois precisa definir quais serão os projetos, as sequências e as atividades permanentes que cada turma desenvolverá. Esse trabalho demanda envolvimento e muita reflexão por parte dos gestores e de todos os professores, que devem tomar decisões coletivamente. Isso é importante para que o planejamento dos professores seja coerente e sequencial ao longo dos anos.

Ilustro essa importância com uma situação que vivenciei no eixo de Oralidade. Neste ano, a professora do grupo de 4 anos tinha um projeto pronto de parlendas e queria utilizá-lo. No entanto, as crianças que seriam suas alunas já haviam trabalhado com parlendas no ano retrasado e, no ano anterior, haviam desenvolvido um projeto de cantigas de roda. Por que não seria bacana repetir o mesmo gênero literário? Primeiro, porque os pequenos deixariam de trabalhar com poesia, por exemplo, e é papel da escola apresentar os mais diferentes gêneros e tipos de texto para que as crianças ampliem o repertório cultural. Depois, porque isso demonstraria a falta de coerência no planejamento institucional.

Qual a prioridade no grupo de 2 anos?

No primeiro semestre, as crianças dessa faixa etária participam de atividades nos eixos de Formação Pessoal e Social, Movimento, Identidade e Autonomia, Arte, Oralidade e Música.

No eixo de Formação Pessoal e Social, a organização do espaço da sala de atividades e o estabelecimento de uma rotina são as intervenções pedagógicas preponderantes. A disposição dos cantos, dos jogos, dos brinquedos e dos livros propiciará maior ou menor oportunidade de autonomia e interação entre as crianças e entre professor e crianças. Por sua vez, a rotina precisa oferecer os diferentes momentos: atividades diversificadas, hora da roda de conversa, da história, do parque, das brincadeiras no tanque de areia e os coletivos para desenvolver as sequências dos outros eixos. É importante intercalar momentos mais livres, como parque e brincadeiras no pátio, com aquelas que exigem maior concentração, por exemplo, ouvir histórias e pintar.

Abaixo vou dar exemplos de sequências e atividades permanentes que podem ser foco de cada eixo.

Oralidade e Música: jogos verbais e canções infantis.

Movimento: brincadeiras envolvendo correr, saltar, subir escadas e imitar o professor fazendo diferentes deslocamentos.

Arte: explorar riscar com diferentes materiais (giz de cera, giz de lousa, pincéis atômicos etc.) nos mais variados suportes (papel kraft fixado no chão, caixas grandes, papel fixado na parede ou na mesinha, com giz de lousa no cimento do pátio ou com gravetos na areia),  experimentar fazer pinturas com a mãos, com tintas industrializadas ou feitas de trigo e corantes comestíveis, com rolinho ou brochas nos diferentes suportes.

Autonomia: numa roda em sala, com brincadeiras de faz de conta, ensinar procedimentos que levem os pequenos a conquistar a autonomia. Uma possibilidade é simular situações, desafiando as crianças a fazer procedimentos como “Agora, eu quero ver quem consegue tirar os sapatos sozinho e depois colocar direitinho”, pedir a eles que guardem os pertences na lancheira ou que vistam o agasalho sem ajuda.

Qual a prioridade no grupo de 3 anos?

Nos grupos dessa faixa etária, além do trabalho com os mesmos eixos das turmas de 2 anos, também realizamos atividades de Matemática e escrita. Os projetos só entrarão no segundo semestre, portanto, continuaremos trabalhando com sequências e atividades permanentes.

Listo para vocês que tipo de atividades podem ser realizadas com esse grupo de acordo com o eixo.

Matemática: a sequência de atividades é composta de brincadeiras para aprender a recitar a série numérica e fazer a contagem termo a termo.

Leitura e Escrita: presenciar o professor lendo e escrevendo é muito importante para os pequenos. Por isso, é essencial manter na rotina a escrita diária das atividades na lousa, um exemplo é escrever o título do livro que será lido. Outra possibilidade é pedir para que as crianças ditem a letra de uma música que sabem de memória enquanto o professor a escreve num cartaz que ficará no mural, ao alcance delas. Assim, eles poderão imitar o comportamento leitor enquanto verbalizam o texto, acompanhando a escrita com o dedinho – é o que chamamos de ajuste do falado ao escrito. Nesse momento, também começam as brincadeiras com o cartão de chamada e atividades com nome próprio.

Outros eixos: há uma ampliação das atividades que foram desenvolvidas quando os pequenos tinham 2 anos. Em Oralidade, as crianças passam a memorizar quadrinhas e poemas para declamar em outras salas. Em Arte, elas passam a usar outros suportes, como papeis de tamanho A3 e A4, começam a apreciar os próprios trabalhos e obras de arte e participar de sequências mais elaboradas de desenho e pintura.

E na sua escola, você já começou a esboçar com a equipe quais serão os planejamentos para as turmas? Na próxima semana, escreverei sobre o planejamento do primeiro semestre para as turmas de 4 e 5 anos.

Um abraço, Leninha


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Grupos de apoio: um espaço de suporte à aprendizagem

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Os grupos de apoio são criados para auxiliar na aprendizagem dos alunos, e devem ser considerados como parte integrante da escolaridade normal de qualquer criança. (Foto: Manuela Novais)

Os grupos de apoio são criados para auxiliar na aprendizagem e devem ser considerados como parte integrante da escolaridade normal de qualquer criança. (Foto: Manuela Novais)

Na semana passada, escrevi sobre a avaliação diagnóstica no início do ano letivo. Além de utilizar os resultados dela para validar as ações já implantadas na escola, é importante refletir com os professores sobre como auxiliar os alunos que não apresentaram um bom desempenho. Uma das ideias que podem surgir nessa discussão coletiva é a criação de grupos de apoio para atender às diferentes necessidades dos estudantes.

O que são os grupos de apoio?  São espaços criados nas escolas para auxiliar na aprendizagem dos alunos, e devem ser considerados como parte integrante da escolaridade normal de qualquer criança. Costumo refletir com meus professores que a organização dos grupos de apoio é uma ação imediata, porém paralela à melhoria da qualidade do ensino nas salas de aula.

Para que servem? Para evitar o fracasso escolar e a criação de estigmas relativos à incapacidade dos alunos. Para que eles se sintam acolhidos nas suas dificuldades e necessidades e não desistam de aprender.

Por que criar esses grupos? Os estudantes são diferentes uns dos outros e têm tempos e necessidades de aprendizagem distintas. Por isso, podem ter dificuldades momentâneas e específicas que precisam ser superadas.

Para quem são destinados? Para alunos que necessitam de um maior tempo de aprendizagem e precisam de intervenções diferenciadas em determinados conteúdos. A parceria com a gestão da escola é essencial para que esse trabalho funcione.

Por isso, o coordenador deve contemplar os seguintes pontos na conversa com a equipe:

- Análise dos registros que revelam as aprendizagens dos alunos de diferentes séries;

- As condições oferecidas pela escola e a sua relação com os resultados obtidos;

- Identificação das turmas/séries que apresentam maiores índices de repetência, alunos não alfabetizados e/ou em defasagem idade/série;

- Análise do resultado da avaliação diagnóstica inicial e os conteúdos que precisam ser trabalhados;

- Proposta de organização dos grupos de apoio e das mudanças necessárias na rotina dos professores e alunos.

Para que tais mudanças ocorram, é preciso criar condições que garantam o atendimento desses alunos antes, durante e depois das aulas. Essa organização depende da estrutura da escola, do quadro de funcionários e da criação de uma rotina semanal de trabalho. Ainda, o coordenador precisa garantir a parceria entre professores substitutos, estagiários ou eventuais, a criação de um sistema de apoio que implica em reagrupamentos das turmas em alguns dias da semana, a definição dos conteúdos que serão tralhados com os alunos, as formas de avaliação, os critérios de seleção dos alunos, entre outros.

Ao definir que serão criados grupos de apoio para sanar as dificuldades dos alunos, é preciso deixar claro para toda a equipe que se trata de uma ação temporária para superar a defasagem deles.  Paralelamente, o docente deve buscar melhorar a prática de sala de aula, desenvolvendo estratégias de ensino e novas formas de organizar os alunos. Pensar na logística, nos horários, no planejamento, na rotina e na formação dos docentes é um desafio da equipe gestora para viabilizar os benefícios que os grupos podem trazer para os estudantes.

Além disso, é essencial institucionalizar espaços coletivos de discussão do trabalho pedagógico na escola, assim como o desenvolvimento de ações de formação continuada. Os docentes envolvidos nesse processo precisam de formação principalmente sobre o planejamento das estratégias de ensino, os instrumentos de avaliação e o registro dos avanços ou dificuldades dos alunos.

E na escola que você coordena, como funcionam os grupos de apoio?

Abraços e até a semana que vem!

Eduarda


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A importância da avaliação diagnóstica inicial

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
A avaliação diagnóstica ajuda a identificar as causas de dificuldades específicas dos estudantes na assimilação do conteúdo. (Foto: Manuela Novais)

A avaliação diagnóstica ajuda a identificar as causas de dificuldades específicas dos estudantes na assimilação do conteúdo. (Foto: Manuela Novais)

Identificar o que os alunos já sabem antes de começar o trabalho de mais um ano letivo é essencial para iniciar o planejamento docente. Para garantir que nada seja deixado de lado, organizo um cronograma de ações pedagógicas e elaboro um plano semestral com os professores, em que analisamos os dados de cada turma e elaboramos as avaliações diagnósticas.

A avaliação diagnóstica ajuda a identificar as causas de dificuldades específicas dos estudantes na assimilação do conhecimento, tanto relacionadas ao desenvolvimento pessoal deles quanto à identificação de quais conteúdos do currículo apresentam necessidades de aprendizagem. Costumo dizer que ela possui três objetivos principais: identificar a realidade de cada turma; observar se as crianças apresentam ou não habilidades e pré-requisitos para os processos de ensino e aprendizagem; e refletir sobre as causas das dificuldades recorrentes, definindo assim as ações para sanar os problemas.

Ela pode ser feita em qualquer momento, mas no início do ano letivo permite conhecer melhor a realidade do aluno. O professor tem o dever de verificar o conhecimento prévio de cada um, constatando as condições necessárias para garantir a aprendizagem. Além disso, ela também funciona como uma análise do ensino na escola, já que os resultados das salas de aula de uma mesma série podem promover reflexões importantes para o replanejamento das propostas e atividades que devem ser oferecidas a todos.

Dentre os instrumentos que utilizo para verificar a aprendizagem das crianças, destaco:

- Produção de texto: retomo os gêneros trabalhados em cada série nas diferentes modalidades organizativas. Assim, planejo uma situação em que os alunos produzirão um texto de determinado gênero e analiso os aspectos linguísticos e discursivos de cada um.

- Leitura e interpretação de textos: organizo práticas de leitura para identificar quais habilidades os alunos dominam e quais ainda precisam desenvolver.

- Resolução de problemas envolvendo as operações: considero neste caso os diferentes tipos de problemas que envolvem as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão.

- Cálculos diversos.

- Análise de dados das turmas: índice de alfabetização e resultado de avaliações anteriores.

A tabulação dos dados obtidos oferece um mapa da turma e permite identificar quais são os alunos que precisam de uma orientação maior. O plano de trabalho precisa ser definido para atender às necessidades desses estudantes, e muitas vezes torna-se necessário fazer uma intervenção pedagógica. O docente também não pode deixar de lado aqueles que têm mais facilidade, contemplando a todos em seu planejamento.

E vocês, como realizam as avaliações diagnósticas?

Abraços,

Eduarda


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Definindo o foco da formação dos professores

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Ouvir as observações, as análises e as sugestões do diretor é muito importante para definir as prioridades da formação dos professores (Foto: Gabriela Portilho)

Ouvir as observações, as análises e as sugestões do diretor é muito importante para definir as prioridades da formação dos professores (Foto: Gabriela Portilho)

A formação em serviço é a grande aliada para assegurar e qualificar o fazer pedagógico na sala de aula. E o início do ano é o momento ideal para definir quais serão os conteúdos trabalhados ao longo dos meses seguintes, tendo sempre como eixo central o aprimoramento das intervenções didáticas do professor.

Algumas questões podem contribuir para a escolha do que será tratado na formação:

  • Em que área as situações didáticas precisam ser foco de reflexão e aperfeiçoamento? (levar em consideração situações em que a aprendizagem das crianças não está acontecendo como o esperado)
  • Em que área ainda precisamos discutir e definir melhor quais são as atividades mais adequadas para serem efetuadas em sala de aula?
  • Que atividades acontecem apenas em algumas turmas e que valem a pena ser abordadas nos grupos de formação, para que toda a escola também realize?

As respostas para essas perguntas ajudarão o coordenador pedagógico a definir as prioridades. É bem pertinente discutir o assunto com o diretor, ouvindo suas observações, análises e sugestões. Duas cabeças pensando é sempre mais interessante, não é mesmo? Outro cuidado é fixar um foco de cada vez, pois vale muito mais melhorar um aspecto do que pulverizar vários conteúdos sem conseguir melhorar significativamente a prática da escola como um todo.

Lista de temas essenciais

Na Educação Infantil, os assuntos que precisam ser estudados, tematizados e aperfeiçoados são inúmeros! Ao conversar com a equipe gestora de uma escola que atende do berçário à turma de 5 anos, elaborei uma lista de possíveis conteúdos para a formação dos professores e auxiliares. O trabalho começou com a análise dos registros do ano anterior e com a discussão de quais pontos eram prioritários para a instituição – você pode vê-los na tabela abaixo. Inicialmente, a equipe escolherá apenas um deles, uma vez que o objetivo é aprofundar o estudo, elaborando um documento para sistematizar orientações didáticas.

Conteúdo Objetivos
Autonomia das crianças
  • Refletir sobre a organização dos materiais e do espaço físico.
  • Efetuar mudanças que favoreçam a autonomia das crianças.
  • Tematizar o papel do professor numa perspectiva construtivista.
Oralidade
  • Refletir sobre as situações didáticas mais eficazes para que as crianças falem cada vez melhor, ampliem o vocabulário e saibam expressar ideias e defender seus pontos de vista com clareza.
Leitura
  • Discutir sobre a importância de ler histórias, poemas, parlendas e outros textos para as crianças.
  • Refletir sobre nomes próprios.
  • Pensar sobre atividades de leitura apoiadas no contexto verbal ou material.
Matemática
  • Discutir sobre os jogos e o que se aprende com eles.
  • Pensar sobre as intervenções que o professor deve fazer.
Arte
  • Refletir sobre o percurso criador de cada criança, os diferentes suportes e riscantes (lápis, giz, canetas hidrocor etc.) e a apreciação das obras das crianças e de artistas.

Uma vez definido o conteúdo central, será preciso elaborar um plano de trabalho detalhado da formação que assegure encaminhamentos que impactem nas aprendizagens dos pequenos. Na próxima semana, darei um exemplo de planejamento de formação brevemente.

E você, já está definindo quais serão os temas da formação no primeiro semestre?

Um abraço, Leninha


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Como fazer a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
O professor e o coordenador podem contribuir para que todas as novidades se encaminhem de um jeito natural e bem-sucedido. (Foto: Manuela Novais)

O professor e o coordenador podem contribuir para que todas as novidades se encaminhem de um jeito natural e bem-sucedido. (Foto: Manuela Novais)

A saída da Educação Infantil e a entrada no Ensino Fundamental marcam uma passagem importante na vida das crianças. Nesse período, os alunos conhecem os novos professores e colegas, e muitos deles também precisam se adaptar a uma nova escola. O professor e o coordenador podem contribuir para que todas essas novidades se encaminhem de um jeito natural e bem-sucedido, não apenas com os alunos, mas também com as famílias.

No 1º ano, a criança começa a ter uma rotina de alfabetização e a ser avaliada constantemente. As brincadeiras ainda devem ter seu espaço, mas o tempo será diminuído e a hora de estudar ganhará mais importância. Na mochila, a boneca ou o carrinho ainda poderão estar presentes, mas dividirão espaço com livros e cadernos. As responsabilidades, aos poucos, também irão crescer: haverá mais lição de casa, além de provas e notas. É natural que nesse momento os pais se sintam inseguros e tenham dúvidas sobre como seu filho irá lidar com essa situação.

No 2º ano, a responsabilidade aumenta ainda mais, pois o brincar já não está tão presente. Além disso, há muitos alunos novos na escola que necessitam de uma boa recepção por parte da equipe escolar e passam por uma grande mudança em relação às amizades, ao ambiente e à nova rotina. Toda mudança traz certo desconforto, e por isso essa acolhida precisa ser bem planejada.

No planejamento inicial com o professor do 1º  ano, costumo orientá-lo a propor uma carga horária gradativa, mantendo atividades lúdicas como a hora do pátio, a leitura de histórias e as brincadeiras com fantoches. Outra questão que discutimos é o papel do professor de intermediar a adaptação da criança a essa nova rotina e, aos poucos, garantir sua autonomia. Esse processo é algo que a própria criança precisa enfrentar, e o docente deverá respeitar o tempo e o ritmo de cada um.

Por sua vez, as famílias precisam ser acolhidas e receber o apoio não apenas dos professores, mas também da equipe gestora. É muito comum nos deparar com pais tirando dúvidas com o docente na porta da sala e pedindo ajuda para o filho. Para que isto não ocorra, uma das minhas ações de início do ano letivo é promover reunião com os pais para explicar como funciona a escola e tranquilizá-los. Eles devem conhecer a nova rotina dos filhos, a estrutura de trabalho, como eles serão avaliados e quais conteúdos serão trabalhados.

Procuro trabalhar de maneira preventiva, conversando com os docentes sobre as atitudes mais adequadas para lidar com os alunos em sala de aula e também com as famílias. Uma ideia é elaborar um documento de orientação (um guia) para os pais, contribuindo para que a transição ocorra da melhor maneira possível. Contar com o apoio deles é essencial para que a criança se sinta segura e pronta para iniciar uma nova fase.

E vocês, que ações realizam para garantir uma transição tranquila?

Abraços,

Eduarda

 


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Como preparar os professores e os pais para a adaptação dos pequenos

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Para que os pais se sintam confiança no professor, ele precisa mostrar segurança no fazer pedagógico e procurar conhecer as famílias e os pequenos (Foto: Gabriela Portilho)

Para que os pais sintam confiança no professor, ele precisa mostrar segurança no fazer pedagógico e procurar conhecer as famílias e os pequenos (Foto: Gabriela Portilho)

Os primeiros dias de aula das crianças de 2, 3 ou 4 anos que estão vindo pela primeira vez para a escola são um grande desafio para o professor por vários motivos. Ele ainda não sabe o nome de cada uma, as famílias estão ansiosas e solicitam atenção especial do docente para os filhos e, em geral, 3 ou mais pequenos choram ao mesmo tempo em sala. É um sufoco! Ainda houve um ano em que, no meio de tudo isso, duas mães queriam filmar o primeiro dia de aula e outras ficaram pedindo para a professora fazer pose com as crianças. É claro que, rapidamente, explicamos para elas que isso não era permitido.

Por acontecimentos como esses é que o bom planejamento do período de adaptação deve começar pela realização de uma reunião com os pais. No primeiro encontro com a família, que precisa ser realizado antes do início das atividades com as turmas, o professor precisa mostrar segurança no fazer pedagógico e procurar conhecer os responsáveis, demonstrando interesse pelos pequenos. Se os pais sentirem confiança e respeito pelo profissional, o processo de adaptação e de aprendizagem tem tudo para ser um sucesso.

A pauta da reunião de pais

É fundamental tratar de algumas questões com os pais das crianças novatas. A primeira delas é explicitar bem como será a rotina de atividades na escola e quais são os papeis da família (clique aqui para ver algumas orientações para os pais) e do professor. Precisamos deixar claro que as primeiras semanas são pensadas cuidadosamente para acolher cada uma das crianças e integrá-las à escola e à turma. É sempre bom lembrar que o professor precisa dar atenção para muitos alunos e, por isso, não poderá se dedicar exclusivamente a apenas um dos pequenos, como alguns pais às vezes nos pedem.

Outros pontos que não podem deixar de ser discutidos no encontro são o funcionamento, as regras e os horários da instituição, as formas de comunicação entre pais e professores e os procedimentos em caso de algum incidente. Sobre o último item, lembre que a escola é um lugar de muitas brincadeiras e exploração, então, é comum que as crianças voltem para casa com o uniforme sujo de areia, terra ou tinta. Isso é saudável e esperado.

Orientações para o professor

Como coordenador pedagógico, a primeira orientação que você necessita dar aos docentes é que eles precisam estar cientes de que as duas primeiras semanas de aula são atípicas. As crianças não vão chorar tanto o ano inteiro e os pais também ficarão mais seguros e menos ansiosos com o passar do tempo. Outro ponto importante é pedir a eles que recebam as crianças com carinho, paciência e atenção, abaixando-se para falar com elas e pegando no colo, caso isso a deixe mais segura.

O segundo tópico a ser tratado é a preparação da sala de forma acolhedora. Uma possiblidade é montar cantos definidos e duplicados. Por exemplo, o docente pode planejar dois cantos de modelagem, dois de jogos de encaixe, dois de desenho, dois cantos de faz de conta e um tapete bem grande com livros variados. O objetivo é dar opção de escolha para os pequenos na primeira atividade diária. Nesse momento, pode-se abrir espaço para que um dos responsáveis pelas crianças que estão mais inseguras permaneça na sala de aula. O ideal é que seja apenas um adulto por vez e por um tempo determinado.

Para os momentos depois do diversificado, é interessante que os professores sejam orientados a planejar atividades coletivas, como contação de histórias com fantoches, brincadeiras com água e no tanque de areia e pintura coletiva no papel kraft. Repeti-las ao longo da semana, variando as histórias e os apetrechos das brincadeiras, é uma maneira de marcar bem a rotina e deixar as crianças mais seguras, pois sabem o que vai acontecer. Se alguma atividade não der certo, é interessante o professor conversar com os colegas para saber como fizeram alguns encaminhamentos e se isso atraiu a atenção dos pequenos.

Durante as primeiras semanas, o papel do coordenador é acompanhar de perto o trabalho de cada professor e orientar os familiares, que, aos poucos, devem ir se afastando da escola, até não precisar mais permanecer ali. No início, os responsáveis podem ficar próximo à porta da sala, onde as crianças podem vê-los. Depois de um tempo, eles podem ficar na escola, mas longe do olhar dos pequenos. Se for realmente necessário, será fácil chamá-los. Por fim, conversamos com eles e pedimos para que confiem na equipe, pois, mesmo que as crianças chorem, o professor terá condições de ampará-las. Só assim os pequenos se adaptarão ao novo ambiente e estabelecerão um vínculo afetivo com o docente.

E você, já preparou seus professores para o recomeço das aulas? Boa sorte!

Um abraço, Leninha


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Como fazer a semana pedagógica em pouco tempo

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
É importante criar um ambiente escolar agradável em que todos se sintam a vontade para propor ações e metas a serem desenvolvidas durante o ano escolar. (Foto: Manuela Novais)

É importante criar um ambiente escolar agradável em que todos se sintam a vontade para propor ações e metas a serem desenvolvidas durante o ano escolar. (Foto: Manuela Novais)

Com o fim das férias e o início de um novo ano letivo, chega o momento de organizar as ideias, avaliar o ano anterior e estabelecer novas metas. No entanto, para planejar o retorno às aulas, é preciso levar em conta a realidade de cada escola e cada município. Enquanto algumas instituições possuem uma semana de organização pedagógica, outras reservam somente um ou dois dias para realizar o planejamento.

Neste ano, terei somente um dia para fazer uma reunião com toda a equipe. Portanto, preciso saber o que deve ser priorizado e definir os conteúdos básicos para esse primeiro encontro. Em seguida, durante o resto da semana, os aspectos específicos das turmas serão discutidos individualmente com cada um.

Para me organizar, elaboro uma lista das ações que preciso desenvolver:

- Planejamento da semana pedagógica: antes da reunião com os docentes, é essencial reunir-se com a equipe gestora para definir as atividades que deverão ser desencadeadas nesta semana.

- Avaliação do ano anterior: durante o ano letivo, anoto ideias e sugestões para repensar algumas práticas que não estão sendo muito eficazes. Na avaliação, retomo os meus registros para nortear a discussão com os professores. É o momento de escutá-los e buscar ajustes e melhoramentos na aplicação do PPP, garantindo um trabalho de parceria. Essa avaliação com o grupo é uma ótima oportunidade para elaborar atividades que auxiliem e melhorem cada vez mais a prática pedagógica.

- Organização básica das turmas: organizo as turmas em parceria com a equipe gestora e apresento aos docentes a lista dos seus alunos. Depois, realizo reuniões individuais para conversar sobre os dados das turmas e o currículo específico de cada uma, além de identificar os alunos com mais necessidades de aprendizagem.

- Reuniões individuais: com os dados de cada turma em mãos (documentos, mapas de aprendizagens, fichas individuais, relatórios de resultados, índices de alfabetização e conteúdos trabalhados), analiso e apresento para o professor a turma que lecionará. Conhecer o perfil de cada aluno e da classe como um todo é essencial para traçar metas e objetivos para o ano.

- Organização da agenda: é importante construir o calendário escolar com a participação dos educadores. Juntos, a equipe gestora e os docentes devem definir os horários de formação permanente em que toda a equipe deverá estar presente e aqueles que serão realizados individualmente. Também é um bom momento para fazer uma previsão de datas para as reuniões de pais.

- Planejamento da primeira semana de aula: nesse encontro, discutimos como será feito o acolhimento dos alunos e as atividades que serão propostas para um melhor conhecimento das turmas. O coordenador pode abordar de forma geral o que deve ser feito nesse período para que os docentes iniciem seu planejamento.

Também considero importante criar um ambiente escolar agradável em que todos se sintam a vontade para propor ações e metas a serem desenvolvidas durante o ano escolar.

E vocês, como organizam o planejamento do início do ano?

Abraços,

Eduarda


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Orientações pedagógicas iniciais: as faixas etárias e as intervenções eficazes

| Educação Infantil - Leninha Ruiz
Na semana pedagógica, reserve um dia para discutir as características de cada faixa etária e as intervenções mais pertinentes (Foto: Gabriela Portilho)

Na semana pedagógica, reserve um dia para discutir as características de cada faixa etária e as intervenções mais pertinentes (Foto: Gabriela Portilho)

Na última semana, compartilhei com vocês como organizo a semana pedagógica. Nesse texto (vocês podem ler aqui), disse que, no segundo dia da semana, é pertinente fazer uma reunião por nível com os diferentes grupos de professores. A ideia é reservar um momento para discutir as características de cada faixa etária, suas necessidades de aprendizagem e as intervenções mais pertinentes. Certamente, isso qualificará o trabalho da equipe, uma vez que as orientações para as turmas de 2, 3, 4 e 5 anos diferem muito.

O cronograma que pensei para me reunir com cada um desses grupos foi o seguinte:

Horário Professores das turmas de
7h às 9h 2 anos
9h15 às 11h 3 anos
11h às 12h 4 anos
13h30 às 15h30 5 anos

Como vocês podem perceber, o menor tempo foi destinado para os professores das crianças de 4 anos e o maior para os das turmas de 5 anos. A razão para isso é que, na escola em que atuo, todos os docentes do primeiro grupo já são experientes, enquanto o segundo conta com a maior parte dos novatos. Outra questão que é importante destacar é que, no período em que não estão em reunião comigo, os professores continuam a organização das salas de aula e dos materiais que serão expostos nela, como listagem dos alunos, cartões de chamada, entre outros.

Como acontece a reunião

Quando elaboro a pauta dos encontros, destaco duas questões que deverão ser discutidas com todos os grupos de professores.

  1. Quais são as melhores atividades para o período de adaptação em cada faixa etária?
  2. Como organizar a sala de aula considerando a idade e a autonomia das crianças?

Com base nelas, promovo um debate e incentivo que a equipe compartilhe o conhecimento que já tem e dê dicas para qualificar a prática do colega.

Entrego um impresso com duas colunas: a primeira já preenchida com as características da faixa etária e a segunda em branco sobre as possíveis intervenções pedagógicas (clique aqui para ver o exemplo da turma de 2 anos). O objetivo é preenchê-la junto com os professores (levo uma cola comigo para não me esquecer de nenhum item fundamental. Veja aqui), garantindo que eles se sintam autores desse registro. Para tanto, é preciso que o coordenador dê voz a todos, tomando cuidado para controlar aqueles que querem dominar a conversa ou fugir do tema e incentivando aqueles que ficam calados, por timidez ou por ser novo no grupo.

Nessa reunião, também apresento um arquivo de imagens que colecionei ao longo dos anos, com boas soluções de organização da sala de aula. Com base nelas, falo sobre cantos de leitura e de faz de conta, prateleiras de jogos e brinquedos, bons modelos de murais, entre outros aspectos.  Uma boa foto pode mostrar claramente o que esperamos do professor e o quanto a organização pode impactar na construção da autonomia dos pequenos.

E você, já elencou o que é prioridade ser abordado nas primeiras reuniões com os professores?

Um abraço, Leninha


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A elaboração do plano de trabalho das disciplinas

| Ensino Fundamental - Eduarda Mayrink
Além de detectar as necessidades de aprendizagem dos alunos, os docentes precisam compreender que as modalidades organizativas podem promover aprendizagens distintas (Foto: Manuela Novais)

Além de detectar as necessidades dos alunos, os docentes precisam compreender que as modalidades organizativas promovem aprendizagens distintas (Foto: Manuela Novais)

Muitas decisões precisam ser tomadas no início do ano letivo levando em conta o percurso do ano anterior em aspectos como o conteúdo trabalhado, as condições didáticas oferecidas e os resultados alcançados. Uma delas é como elaborar o plano de trabalho na área de cada disciplina, que deve definir o que será abordado em sala de aula e quais atividades serão propostas.

Nesse período, organizo uma reunião com os professores para traçar as diretrizes do plano para cada etapa da escolaridade, levando em consideração as avaliações dos anos anteriores. Além de identificar os conteúdos que devem ser priorizados, uma das condições para a elaboração dessa pauta é o levantamento das modalidades organizativas que serão utilizadas. É tarefa do docente descobrir qual delas (as atividades permanentes, as sequências didáticos ou os projetos) se adapta melhor a cada conteúdo.

No caso de Língua Portuguesa, por exemplo, o professor deve reconhecer a diferença entre realizar um projeto de contos ou uma sequência didática de leitura de várias versões de um conto; entre a realização de atividades de leitura e escrita em um projeto ou a realização das mesmas no contexto de atividades permanentes. O trecho abaixo, retirado do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), do Ministério da Educação (MEC), serve de apoio a essa reflexão:

“(…) a defesa dos projetos como modalidade privilegiada de organização dos conteúdos escolares não significa que tudo passa a ser abordado por meio de projetos. É tarefa do professor identificar qual a melhor forma de abordar o que deve ensinar aos alunos: há conteúdos que não demandam um tratamento por meio de projetos, há conteúdos que não têm uma contextualização possível, há conteúdos que precisam ser sistematizados, e outros não, há conteúdos que são recorrentes em toda a escolaridade, e outros circunstanciais… O fundamental é saber que os conteúdos escolares são ensinados para que os alunos desenvolvam diferentes capacidades (ou seja, estão a serviço dos objetivos de ensino): a forma de abordá-los deve ser aquela que melhor atende ao propósito de desenvolver essas capacidades.”

Portanto, além de detectar as necessidades de aprendizagem dos alunos de cada ano, os docentes precisam compreender que, de acordo com a modalidade escolhida, as situações didáticas podem promover aprendizagens distintas. É preciso garantir o equilíbrio e a diversidade das atividades, tendo em vista que elas podem cumprir diferentes propósitos e objetivos. Definidos os conteúdos e a forma de ensiná-los, o plano semestral estará pronto para ser colocado em prática.

E vocês, como elaboram o plano de trabalho para o primeiro semestre?

Um abraço e até a semana que vem,

Eduarda


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