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O espaço da refeição

Um projeto para transformar o refeitório em um ambiente de convívio e aprendizagem

Paula Nadal

Foto: Edi Vasconcelos
AUTONOMIA PARA COMER Sistema valoriza as escolhas e faz com que as crianças aprendam a se servir na hora da merenda. Fotos: Edi Vasconcelos

Ninguém faz uma refeição apenas para matar a fome. O tempo que se abre na rotina para comer sempre teve, ao longo da história, uma função social. As horas do almoço, do jantar ou do café também são usadas pelas pessoas para compartilhar um prazer e um modo de ser e viver. Sem contar os aspectos afetivos que são mobilizados quando o aroma do feijão sendo refogado, do leite fervido e do café aguça os sentidos. Na escola, o intervalo para que as crianças façam a merenda não pode ser diferente: elas precisam comer em ambientes agradáveis e acolhedores, que mostrem o respeito que a escola tem com elas.

A diretora Nazareth Mazzega, da EMEF Barão de Monjardim, em João Neiva, a 80 quilômetros de Vitória, percebeu a importância de cuidar do refeitório como um espaço de aprendizagem depois de participar de encontros de formação em 2003, oferecidos pelo programa Escola Que Vale e desenvolvido pelo Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária (Cedac) em parceria com a prefeitura local. "Antes, as merendeiras serviam os alunos. Os pratos eram de plástico, assim como os talheres e os demais utensílios. Alguns comiam sentados à mesa, outros preferiam o chão. Percebi que dessa maneira estávamos passando o conceito de que a hora da refeição é apenas para se alimentar", afirma Nazareth. "Optamos por implantar o sistema self-service, pois ele dá autonomia às crianças na hora da escolha, colabora no processo de reeducação alimentar e promove uma mudança de comportamento."

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Convencer pais, alunos e professores da importância e da intencionalidade educativa na hora da merenda é o primeiro passo para um projeto ser bem-sucedido. "Não foi nada fácil. O município não dispunha de recursos imediatos para a troca do mobiliário e para a aquisição do material necessário. Fizemos campanhas na comunidade para conseguir os talheres e as primeiras toalhas foram confeccionadas pelos próprios alunos. Tempos depois, recebemos da prefeitura mesas grandes e travessas para servir." Numa segunda etapa, a escola promoveu palestras com nutricionistas e profissionais da saúde para toda a equipe e também para os estudantes dentro da campanha Não É Legal Se Alimentar Mal.

Em três meses, o recreio agitado, com pratos espalhados pelo pátio e crianças alimentando-se de lanches pouco nutritivos, foi substituído por momentos de convívio dentro do novo refeitório. Ampliou-se assim o conceito que a palavra refeição tinha em sua origem latina (refectionis), que era o de reparação das forças físicas e mentais. Os 230 alunos do Ensino Fundamental aprenderam a se servir sozinhos e a comer com todos os talheres (garfo, colher e faca). As merendeiras - que no início temeram ficar sem ter o que fazer diante da autonomia das crianças - ganharam outras funções e passaram a ajudar na organização das filas e a orientar as crianças a levar pratos e talheres aos lugares corretos após a merenda, separando os restos orgânicos dos alimentos dos materiais recicláveis. "A mudança foi significativa até em casa: a garotada passou a exigir que os pais arrumassem a mesa e sentassem junto para tomar café da manhã, almoçar e jantar", afirma a diretora.

Fim do desperdício

Foto: Edi Vasconcelos
FORMAÇÃO EM SERVIÇO Durante a implantação, Nazareth (à direita) acompanhou o trabalho dos funcionários

A reforma no refeitório fez com que as crianças começassem a aprender sobre a importância de se servir com autonomia e de fazer as próprias escolhas em relação ao tipo de alimento e à quantidade necessária para colocar no prato. Com o tempo, passaram também a evitar o desperdício.

Agora, o desafio dos gestores é manter o projeto em andamento e disseminar as orientações para os novos integrantes da equipe escolar. O assunto continua sendo discutido nos momentos de formação. O objetivo é sempre ampliar o olhar dos professores e funcionários sobre as aprendizagens que estão ou podem ser garantidas com a transformação do espaço e sobre as relações possíveis de estabelecer com as atividades pedagógicas - por exemplo, com as aulas de Ciências, nas atividades de culinária e nas de Educação Ambiental, no que diz respeito à reciclagem. "A grande questão para o diretor é fazer com que o projeto seja encampado por toda a escola, mostrando que esse espaço, assim como todos os outros, deve respeitar a criança", afirma Nazareth.

A seguir, você acompanha o passo a passo de um projeto institucional para fazer do refeitório de sua escola um local permanente de convívio e aprendizagem para todos.

Quer saber mais?

CONTATOS
Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária
EMEF Barão de Monjardim, R. Negri Orestes, 60, João Neiva, ES, tel. (27) 3258-2333
Programa Escola Que Vale

BIBLIOGRAFIA
Currículo, Espaço e Subjetividade - A Arquitetura como Programa, Antonio Viñao Frago e Augustín Escolano, 152 págs., Ed. DP&A, tel. (21) 2232-1768, 25 reais
Livro do Diretor: Espaços & Pessoas - Idéias Práticas para Aprimorar a Escola, Tereza Perez (coord.), 142 págs., Cedac, tel. (11) 3097-0523, 30 reais  

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Publicado em GESTAO ESCOLAR, Edição 003, Agosto/Setembro 2009. Título original: O espaço da refeição na escola
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