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Documentos em ordem

Ensine os professores a organizar os registros para depois usá-los em projetos de formação da equipe

Amanda Polato

Clique para ler as reflexões e comentários. Foto: Christian Parente
Clique para ler as reflexões e comentários. Foto: Christian Parente

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ESPECIAL

Os meses passam, as atividades feitas pelos alunos se acumulam e nem todo professor consegue organizar sozinho o material que a turma (ou ele mesmo) produz. Como esses registros são fundamentais para fazer a formação em serviço durante o ano, é função da coordenação pedagógica orientar a produção de portfólios, registros, pautas de observação, diários de aula e notas (e ajudar na montagem de tudo isso).

"Os arquivos com as escritas do professor ficam mais ricos quando resgatam os processos vividos em sala de aula", avalia Fernanda Coelho Liberali, pesquisadora em Linguística da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e formadora de professores e coordenadores pedagógicos. Para que se tornem, efetivamente, recursos que ajudem a repensar a prática, os registros devem evitar descrições superficiais e burocráticas e portfólios apenas com as produções mais bonitas.

A ação da coordenação pedagógica é explicar como fazer uma reflexão crítica da atuação docente, descrevendo, analisando e questionando. Com os registros em mãos, é possível orientar o professor (leia um exemplo na ilustração) a montar pautas de formação centradas nas necessidades do professor para garantir mais aprendizagem para a turma. "Pastas, arquivos e portfólios podem ganhar vida quando trabalhados de forma crítica", afirma Clézio dos Santos, professor de Geografia do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA) e formador de professores em Santo André, na Grande São Paulo.

A seguir, você encontra informações sobre cada uma das ferramentas e a melhor maneira de usá- las na formação dos professores.

Portfólios para avaliação

Os professores podem fazer portfólio por aluno e por turma, contendo as atividades cotidianas ou de um projeto específico. As pastas podem ser arrumadas por área de conhecimento, conteúdos ou períodos. Esse instrumento de avaliação é comum na Educação Infantil, mas raramente é feito no Ensino Fundamental, apesar de ser o que melhor demonstra a trajetória de aprendizagem do estudante.

As pastas da turma toda, com as produções mais significativas, proporcionam uma visão ampla do que foi realizado em sala e devem ser guardadas pela escola para que os professores conheçam exatamente o que foi trabalhado no ano anterior pelo colega. "Só dessa maneira é possível dar continuidade ao processo de ensino e aprendizagem", explica Débora Rana, coordenadora da Escola Projeto Vida e formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.

ORIENTAÇÃO PRÁTICA  Análise do coordenador, em vermelho, dá dicas úteis para o professor dar continuidade à atividade. Foto: Christian Parente
ORIENTAÇÃO PRÁTICA  Análise do coordenador, em vermelho, dá dicas úteis para o professor dar continuidade à atividade. Foto: Christian Parente

Os portfólios individuais precisam conter as atividades que mostrem os avanços de cada aluno (para antever o que precisa ser trabalhado na sequência). O segredo é recolher material durante todo o ano e não só num período específico. Como é muito difícil armazenar tudo, um bom critério é ficar com as produções que mostrem a evolução na aprendizagem e o avanço dos estudantes. Elisete Gomes da Silva Luttzolff, coordenadora pedagógica da EE Victor Civita, em Guarulhos, na Grande São Paulo, orienta os docentes a começar guardando a avaliação diagnóstica inicial: "Ela serve para afinar o planejamento de acordo com as necessidades da criança".

Benigna Maria de Freitas Villas Boas, professora da Universidade de Brasília (UnB), recomenda que os professores incentivem os estudantes a conquistar autonomia a partir do 6º ano, deixando-os escolher as atividades que comporão a pasta, mas orientandoos a reconhecer o que é mais relevante.

Outro documento que pode constar do portfólio (ou ser usado separadamente) são os relatórios. Neles o professor comunica de maneira clara para a coordenação, os pais e os colegas o que o aluno aprendeu. Isabel Aparecida Pereira Amâncio coordena o núcleo de Educação Infantil da Escola Albert Sabin, em São Paulo. Lá, os portfólios são usados há três anos, mas só recentemente passaram a fazer parte da formação docente. Isabel discute com a equipe o andamento das turmas com base na produção das crianças e nas observações de sala. Avanços, dúvidas e problemas são registrados em pequenos papéis para orientar a pauta das reuniões pedagógicas. "Com base nas questões mais importantes, vou atrás de textos e materiais que nos ajudem a pensar em possíveis soluções e sirvam para trazer mais conhecimento ao grupo."

Para não esquecer nada

Há três tipos de registro: notas, pautas de observação e diários de classe. As notas são anotações curtas feitas pelo professor durante a aula - perguntas e dúvidas levantadas pela garotada, conteúdos a pesquisar etc. São ótimas para lembrar o que colocar nos próximos planejamentos, nos relatórios e na avaliação.

Já as pautas de observação são tabelas com o nome dos alunos e uma lista de conteúdos, competências e habilidades a avaliar. Cabe ao coordenador ajudar o professor a preparar uma dessas para cada turma e a preenchê-la em periodicidade predefinida. Não basta um "x" em cada tópico. O ideal é acrescentar justificativas, observações e conclusões.

Os diários de aula são narrativas do que aconteceu em classe. O modelo deve seguir o dos diários pessoais, com reflexões sobre o planejamento e as necessidades dos alunos. Esse tipo de registro também é responsabilidade dos professores, mas não é fácil fazer. O maior problema é se acostumar a realizar descrições detalhadas, sem julgamentos de valor. Fernanda sugere que os coordenadores conversem com a equipe para que esses diários sejam feitos como se conta uma história: "Em vez de anotar apenas que os alunos ficaram envolvidos numa atividade, estimuleos a anotar os detalhes: se fizeram silêncio, formularam perguntas (e quais) e cumpriram todas as etapas da proposta, por exemplo".

TIPO O QUE É PARA QUE SERVE COMO USAR
Portfólios Pasta com amostras do trabalho das crianças, como atividades, relatórios, desenhos, fotos, vídeos e registros sonoros. Avaliar continuamente a trajetória de cada aluno e de uma turma, dentro de um projeto específico ou ao longo do ano. Analisar os problemas de ensino que aparecem nas produções da turma e procurar maneiras de resolvê-los.
Registro de classe Notas, pautas de observação e diários de classe. Registrar e acompanhar diariamente as atividades de ensino e a evolução dos alunos. Refletir sobre a prática pedagógica com base nas dúvidas dos professores para ajustar práticas e encaminhamentos.
Planejamento Sequências didáticas, planos de aula, projetos didáticos e atividades permanentes. Organizar o planejamento anual e de aulas para formar a memória do trabalho realizado no ano. Antecipar os conteúdos que serão ensinados e a interação dos alunos com eles durante o planejamento. Serve também como banco de ideias de modalidades.


O papel de cada um

Ao ler os relatórios, é papel da coordenação pedagógica tecer comentários e sugerir aos professores como melhorar a prática. Em Jundiaí, a 60 quilômetros de São Paulo, a estratégia da coordenação da EMEB Professor Geraldo Pinto Duarte Paes é transformar as perguntas dos professores em situações problema para serem discutidas. Os momentos de reunião são registrados, e os novos conhecimentos, sistematizados. "O que fica só no discurso acaba se perdendo. O registro é importante para a formação e para a história da escola", avalia Elizeth Cristina da Silva Ragazzo, uma das coordenadoras.

Já o diretor, como articulador do trabalho pedagógico, precisa dar todo o suporte necessário aos professores e à coordenação pedagógica. Um bom princípio é participar das reuniões (tanto de formação permanente como de acompanhamento) e ajudar na buscar das soluções para os dilemas de sala de aula. Para Clézio dos Santos, da FSA, ler os portfólios dos alunos e os registros dos docentes é uma forma eficiente de a direção acompanhar o aprendizado. "Sempre que for propor uma intervenção no cotidiano da escola ou em um curso específico, é preciso levar em consideração em que pé estão os trabalhos. Será que as crianças estão aprendendo?", sugere o formador de professores.

Quer saber mais?

CONTATOS
Benigna Maria de Freitas Villas Boas
, mbboas@terra.com.br
Clézio dos Santos, clezio@fsa.br
Colégio Albert Sabin, Av. Darcy Reis, 1901, 05396-450, São Paulo, SP, tel. (11) 3712-0713
Débora Rana, deborarana@ajato.com.br
EE Victor Civita, R. Regiane, s/nº, 07180-000, Guarulhos, SP, tel. (11) 2412-6959
EMEB Professor Geraldo Pinto Duarte Paes, R. Doutor Ângelo Pernambuco, 180, 13212-123, Jundiaí,
SP, tel. (11) 4581-9879
Escola Projeto Vida, R. Sóror Angélica, 364, 02452-060, São Paulo (SP) tel. (11) 2236-1459

BIBLIOGRAFIA
Manual de Portfólio: um Guia Passo a Passo para Professores
, Elisabeth Shores e Cathy Grace,
160 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 51 reais
Portfólio, Avaliação e Trabalho Pedagógico, Benigna Maria de Freitas Villas Boas, 192 págs.,
Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 35,90 reais
Qualidade na Educação para a Primeira Infância, Alan Pence, Gunilla Dahlberg e Peter Moss, 264
págs., Ed. Artmed, 52 reais
Virando a Escola do Avesso por Meio da Avaliação, Benigna Maria de Freitas Villas Boas, 144
págs., Ed. Papirus, 32,90 reais

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Publicado em GESTAO ESCOLAR, Edição 001, Abril 2009.
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